Noé foi um homem justo, íntegro e obediente a Deus em sua geração. Ele é conhecido como profeta e patriarca bíblico. Noé era filho de Lameque e neto de Matusalém, o homem que viveu mais tempo segundo as Escrituras, 969 anos (Gênesis 5:27).
A vida de Noé está ligada a um dos maiores eventos da história da humanidade relatado na Bíblia: o Dilúvio. Essa época foi marcada por corrupção, violência e afastamento de Deus. Noé se destacou porque andava com Deus (Gênesis 6:9), assim como o seu bisavô Enoque, o homem que também “andava com Deus” mas que foi trasladado.
Através de Noé, Deus preservou a vida humana e animal na Terra, dando um novo começo à humanidade após o Dilúvio. Sua história é, ao mesmo tempo, um testemunho do juízo de Deus contra o pecado e da Sua graça e misericórdia em oferecer a oportunidade para àqueles que obedecem à Sua voz escaparem.
Noé, o Filho da Esperança
Noé teve muitos irmãos e irmãs, mas apenas o seu nome é mencionado na Bíblia.
Quando Noé nasceu, o seu pai Lameque tinha 182 anos e, depois disso continuou a ter filhos e filhas, vivendo ainda por mais 595 anos (Gênesis 5:28).
Quando Noé nasceu, o seu pai Lameque expressou uma esperança: acreditava que, por meio da vida de seu filho, o povo alcançaria a misericórdia de Deus sobre a terra, que havia sido amaldiçoada desde os dias de Adão (Gênesis 5:29).
Noé, o Escolhido Para Salvar a Humanidade
Deus, em sua infinita justiça e misericórdia, escolheu Noé para preservar a humanidade e os animais em meio a um mundo mergulhado na corrupção e no pecado. A Bíblia diz que “Noé achou graça aos olhos do Senhor” (Gênesis 6:8), e isso fez toda a diferença em sua geração.
Naqueles dias, a terra estava completamente corrompida e cheia de violência. A humanidade havia se multiplicado, mas em vez de buscar a Deus, se afastava cada vez mais d’Ele. Crimes, injustiças e pecados brutais eram cometidos diariamente. A queda de Adão e Eva tinha deixado marcas profundas, e agora o mal se espalhava de forma descontrolada.
A Palavra ainda relata que os “filhos de Deus” viram as “filhas dos homens” e se uniram a elas, gerando descendentes conhecidos como gigantes (nefilins), homens poderosos, mas distantes de Deus. Isso contribuiu para que a maldade se multiplicasse ainda mais na terra (Gênesis 6:1-4).
Diante desse cenário, Deus viu que “toda a imaginação dos pensamentos do coração do homem era continuamente má” (Gênesis 6:5). Foi então que o Senhor se entristeceu profundamente e decidiu que destruiria tudo o que havia criado: homens, animais e até mesmo as aves do céu (Gênesis 6:6-7).
Mas no meio de tanta escuridão, havia uma luz: Noé. Um homem justo, íntegro em sua geração, que andava com Deus (Gênesis 6:9). Enquanto o mundo vivia na corrupção, Noé permanecia fiel. E por causa dessa fidelidade, Deus escolheu poupá-lo, dando a ele uma missão grandiosa: construir a arca que preservaria sua família e um casal de cada espécie de animais.
Através de Noé, Deus não apenas julgou o pecado da humanidade, mas também trouxe esperança de recomeço. Sua história nos ensina que, mesmo em meio à maior decadência moral, é possível andar com Deus e ser guardado por Ele.
A Arca de Noé, Como Ela Era?
Quando Deus viu que a terra estava totalmente corrompida e cheia de violência, decidiu pôr fim a tudo o que havia criado: homens, animais e até as aves do céu (Gênesis 6:11-13). Tudo o que tinha fôlego de vida debaixo dos céus estava condenado a perecer. O Senhor havia determinado enviar um dilúvio para desfazer a maldade que dominava a terra (Gênesis 6:17).
Mas em meio a uma geração marcada pelo pecado, havia um homem diferente. Noé se destacou por sua integridade e obediência a Deus. Enquanto todos se afastavam do Criador, ele escolheu andar com Ele — e isso fez toda a diferença.
Noé não se deixou corromper por sua geração. Por isso, o Senhor o escolheu como instrumento de esperança, para preservar a vida e dar continuidade ao Seu projeto após o julgamento do dilúvio.
Deus então chama Noé e lhe dá instruções detalhadas sobre a construção da arca — não era um plano humano, mas um projeto divino. Cada detalhe tinha um propósito, e essas sãos as especificações de como Noé deveria construir a arca:
– Madeira de Gofer
Deus ordenou que a arca fosse construída com madeira de gofer (em hebraico gopher – גֹפֶר), mencionada apenas uma vez em toda a Bíblia (Gênesis 6:14). Justamente por isso, estudiosos não têm certeza absoluta de qual árvore se trata.
As principais hipóteses são:
- cipreste, que é uma árvore resistente e abundante no Oriente Médio, usada em construções duráveis.
- cedro, madeira aromática, firme e resistente a água
- pinheiro, madeira leve e também resistente à umidade
Ainda que não saibamos com exatidão qual árvore era chamada de “gofer” e que foi utilizada para a construção da arca, sabemos que se tratava de uma madeira forte, durável e apropriada para suportar longos períodos na água.
A Impermeabilização da Arca
Betume
Deus ordenou que a arca fosse revestida com um impermeabilizante (Gênesis 6:14).
Algumas traduções bíblicas chamam esse produto de betume, mas a palavra original em hebraico é כֹּפֶר (kopher), que significa, de forma bem literal, revestimento, cobertura.
Muitos estudiosos defendem que kopher era o betume, também chamado de piche natural. Esse material tem origem na decomposição de matéria orgânica ao longo de milhões de anos e aflorava naturalmente em diversas regiões do Oriente Médio. Era especialmente abundante no Mar Morto, na Mesopotâmia e em áreas próximas ao atual Iraque, onde formava poços e depósitos superficiais.
Desde tempos antigos, povos da região usavam o betume para vedar barcos, fixar tijolos em construções e até em rituais funerários no Egito. Por ser impermeável, resistente e disponível em grande quantidade, o betume seria a escolha mais prática e eficiente para garantir a durabilidade da arca durante o dilúvio.
Henna
Outros, como o querido e saudoso Prof. Adauto Lourenço e seu amigo Marcos, acreditam que o material utilizado foi o betume. De acordo com um estudo realizado por Marcos, seu amigo esse termo tem ligação direta com uma planta muito conhecida no Oriente Médio: a hena.


A hena (Lawsonia inermisé) usada desde a Antiguidade por suas propriedades medicinais, especialmente como agente antibacteriano. Ela combate micróbios de forma eficaz, sendo exatamente o que seria necessário para manter a arca higienizada por um período tão longo. Além disso, produz um aroma suave e agradável. Outro ponto importante é sua alta capacidade de impermeabilização, devido à resina que contém.
Por isso, a arca foi revestida por dentro e por fora, garantindo total impermeabilidade e tornando-se adequada para enfrentar as águas do dilúvio (Gênesis 6:14).
A escolha da madeira e do revestimento não foi um detalhe qualquer: Deus sabia exatamente o que seria necessário para que a arca resistisse. A obediência de Noé às instruções divinas foi essencial para a preservação da vida.
– As Dimensões da Arca
Deus especificou à Noé as medidas em que a arca deveria ser construída: largura, comprimento e altura e também a medida de outros detalhes como a porta e a janela, por exemplo.
As medidas naquela época era utilizado a unidade de medida “côvados” e vamos entender melhor convertendo para cm e metros essas medidas
O que é o côvado?
O côvado era uma medida de comprimento usada na Antiguidade, baseada no antebraço humano (da ponta do dedo médio até o cotovelo).
➡️ Por isso, não tinha um tamanho único: variava conforme o povo e a época. A medida de um côvado na Bíblia varia conforme a tradição:
- 1 côvado comum = 44,5cm (0,445m) – Era a medida usada no dia a dia para construções simples e comércio.
- 1 côvado real = 52,5cm (0,525m) – Era usado em obras oficiais e maiores, como templos, palácios e embarcações. Chamado de “real” porque era a medida do antebraço do faraó ou de reis — mais comprida que a comum.
O comprimento da Arca
A arca tinha 300 côvados de comprimento (Gênesis 6:15), que equivale a:
- Côvado comum: 300 × 0,445 m = 133,5 metros
- Côvado real: 300 × 0,525 m = 157,5 metros
Portanto, a arca teria entre 133 e 158 metros de comprimento, dependendo da medida
A Largura da Arca
A arca tinha 50 côvados de largura (Gênesis 6:15), que equivale a:
- Côvado comum: 50 × 0,445 m = 22,25 metros
- Côvado real: 50 × 0,525 m = 26,25 metros
Portanto, a largura da arca ficava entre 22 e 26 metros, dependendo do tipo de côvado usado.
A Altura da Arca
A arca tinha 30 côvados de altura (Gênesis 6:15), que equivale a:
- Côvado comun: 30 × 0,445 m = 13,35 metros
- Côvado real: 30 × 0,525 m = 15,75 metros
Ou seja, a Arca tinha proporções próximas às de um navio cargueiro moderno, o que a tornava extremamente estável e segura para enfrentar o dilúvio.

A Janela da Arca
Além das dimensões principais, Deus também dá a medida da janela (ou abertura) da Arca (Gênesis 6:16), que deveria ter 1 côvado de altura
O texto hebraico usa a palavra “ṣōhar” (צֹהַר), que pode significar janela, claraboia ou até abertura para iluminação.
Alguns estudiosos acreditam que fosse uma faixa contínua de janelas em toda a extensão superior da arca, para entrada de luz e ventilação.
Outros pensam que fosse uma única abertura, talvez centralizada no teto, que também serviu quando Noé soltou o corvo e a pomba (Gênesis 8:6).
Não sabemos ao certo essa localização mas convertendo as medidas em centímetros seria:
- Côvado comum: 1 × 44,5 cm = 44,5 centímetros
- Côvado real: 1 × 52,5 cm = 52,5 centímetros
✅ Portanto, a janela (ou claraboia) tinha entre 44 e 52 cm de altura, e provavelmente se estendia ao longo da parte superior da arca, garantindo luz e ventilação.
– Demais Instruções para a Construção da Arca
Além de indicar o tipo de madeira a ser usado e as medidas de comprimento, largura, altura e a abertura superior (janela/claraboia), Deus deu a Noé mais detalhes específicos sobre a construção.
Ele ordenou que a porta da arca fosse colocada na lateral (Gênesis 6:16), garantindo o acesso seguro de Noé, sua família e de todos os animais. Além disso, instruiu que o interior fosse dividido em três andares, proporcionando espaço suficiente para abrigar pessoas, animais e provisões durante o dilúvio.
Esses detalhes mostram que a arca não foi um projeto humano, mas um plano divino, minuciosamente orientado por Deus para assegurar a preservação da vida.
A Preparação para o Dilúvio
A preparação para o dilúvio não se limitava apenas à construção da arca. Deus também ordenou a Noé que levasse e armazenasse provisões de alimento para si, para sua família e para todos os animais que entrariam na arca (Gênesis 6:21).
Essa ordem mostra o cuidado de Deus nos mínimos detalhes: Ele não apenas planejou a preservação da vida, mas também garantiu o sustento durante o tempo em que a terra estaria coberta pelas águas. Noé obedeceu fielmente, reunindo tudo o que era necessário para atravessar aquele período de juízo e recomeçar após o dilúvio.
Quem Entrou na Arca?

Deus fez uma promessa a Noé: estabeleceria uma aliança com ele e, por meio dela, não apenas Noé seria poupado, mas também sua família. Assim, o Senhor declarou que entrariam na arca Noé, sua esposa, seus filhos: Sem, Cam e Jafé, e as esposas de seus filhos (Gênesis 6:18).
Mas a aliança de Deus ia além da preservação da família. Deus ordenou a Noé (Gênesis 7:1-3) que fizesse entrar na arca animais de todas as espécies: aves, répteis e animais de toda espécie — macho e fêmea:
- Animais impuros = um par, sendo um macho e uma fêmea
- Animais limpos = sete pares, sendo sete machos e sete fêmeas
Por que essa diferença de animais impuros e limpos?
- Os Animais limpos: serviriam para sacrifício (Gn 8:20), e mais tarde após as águas sessarem, também seriam permitidos como alimento. Se levasse apenas um casal, e sacrificasse, aquela espécie poderia desaparecer. Por isso Deus ordenou sete pares: garantir reprodução + oferta + alimento.
- Animais impuros: não seriam usados para sacrifício nem como alimento. Por isso bastava um casal para preservar a espécie (Gênesis 6:19-20).
É natural imaginar a preocupação de Noé diante de uma ordem tão grandiosa: “Como vou reunir tantos animais diferentes?”. Mas Deus, em sua infinita sabedoria, já tinha preparado tudo. O Senhor o tranquilizou, pois os próprios animais viriam até ele, conduzidos pela ordem do próprio Deus.
Essa parte da história mostra que quando Deus nos dá uma missão, Ele também prepara os meios para que ela seja cumprida. A Noé cabia apenas a obediência e a confiança — o resto estava nas mãos de Deus. Assim Noé fez, obedeceu e fez tudo o que Deus mandou e da forma que Ele pediu (Gênesis 6:22).
Segundo o estudioso e saudoso Prof. Adauto Lourenço, o número de tipos de animais que entraram na arca, levando em conta a diversidade de espécies que conhecemos hoje, seria de aproximadamente 1.400 animais. Ele considera espécie de animal apenas um tipo, por exemplo: um par de cachorro e não um par de cada raça de cachorro. O Prof. Adauto, também destacava que provavelmente esses animais eram filhotes. Isso não apenas teria facilitado o espaço disponível dentro da arca, como também a alimentação, o manejo e a resistência durante o tempo do dilúvio. Essa interpretação ajuda a compreender de forma prática como foi possível a preservação da fauna na arca, conforme o relato bíblico.
O Dilúvio
Aos 600 anos de idade, Noé concluiu a construção da arca. Depois que todos os animais chegaram até ele e foram acomodados conforme a ordem divina, Deus disse a Noé que ele, sua esposa, seus filhos e noras deveriam entrar na arca, pois em sete dias, viria o dilúvio: quarenta dias e quarenta noites de chuvas incessantes, que destruiriam tudo o que havia sobre a terra. E assim Noé fez, obedeceu a tudo o que o Senhor lhe ordenara. (Gênesis 7:1-5)
Então, Noé entra na Arca, aos 600 anos de idade, com seus filhos Sem, Cam e Jafé, sua mulher e as suas noras. Também os animais, puros e impuros, entraram de dois em dois, macho e fêmea (Gênesis 7:7-9, 14-16).
Após entrarem na arca, Deus trancou a porta por dentro e passaram-se sete dias e então começou a chover, as águas do dilúvio vieram sobre a terra. E nesse mesmo dia, no dia 17 do 2° mês, romperam-se todas a fontes do grande abismo, ou seja, águas subterrâneas que jorraram como se a terra tivesse aberto suas entranhas, liberando uma enorme quantidade de águas e as janelas dos céus se abriram, derramando chuva sem parar.
Assim, água veio de cima e de baixo, provocando uma grande inundação sem precedentes, que cobriu toda a terra por quarenta dias e quarenta noites, exatamente como o Senhor já havia anunciado a Noé.
As águas cresceram 15 côvados, cerca de 7 metros, acima do monte mais alto que existia, cobrindo todo os montes que havia debaixo do céu. Então a arca foi levantada e passou a flutuar sobre a face das águas (Gênesis 7:20-22).
O dilúvio foi não apenas uma forte chuva ou uma enchente comum como as que conhecemos. Não foi um simples fenômeno natural: foi um ato sobrenatural, foi o juízo de Deus que se manifestou tanto do ceú quanto das profundezas da terra.
No dilúvio, toda a carne que se movia sobre a face da terra foi extirpada, tanto ave como gado, feras e répteis que se arrastava sobre a terra, e todo o homem. Tudo o que tinha fôlego de vida em suas narinas e tudo que havia em terra seca morreu, ficando salvo apenas Noé, a sua família e os animais que estavam na arca (Gênesis 7:17-19).
As águas prevaleceram sobre a terra por 150 dias (Gênesis 7:24), antes de começarem a baixar. No total, o dilúvio durou cerca de um ano, desde o início da chuva até a terra estar completamente seca.
O Fim do Dilúvio
O dilúvio iniciou-se no dia 17 do segundo mês do calendário hebraico e terminou no dia 17 do sétimo mês, logo temo 5 meses de dilúvio.
Após aproximadamente 5 meses (150 dias), Deus decidiu agir em favor de Noé, de sua família e dos animais que estavam com ele na arca. Ele enviou um vento sobre a terra, fazendo com que as águas agitadas começassem a se acalmar, cumprindo assim a Sua promessa de preservá-los e salvá-los.
Deus também ordenou que as fontes de águas, que jorravam das profundezas da terra para alimentar o dilúvio, fossem fechadas, e que as chuvas cessassem.
A partir dessa ordem, as águas começaram a escoar de forma contínua e gradual. Pouco a pouco, a superfície da terra foi sendo descoberta novamente. Durante esse tempo, a terra ainda permanecia coberta, mas já não de maneira devastadora como no início, pois as águas iam minguando, isto é, diminuindo em volume e intensidade (Gênesis 8:1-3).
Quando completou o dia 17 do sétimo mês a arca repousou sobre os montes de Ararate.
Conhecemos o Monte Ararate como uma montanha específica; no entanto, o correto é entendê-lo como uma região montanhosa, pois está escrito que a arca repousou sobre os montes de Ararate e não sobre o monte Ararate. Com o tempo, porém, a tradição consolidou o nome “Monte Ararate” para identificar todo esse lugar.
Um detalhe que achei muito interessante é que o dilúvio começou no dia 17 do segundo mês e terminou também em um dia 17, exatamente cinco meses depois, mostrando um marco de início e fim perfeitamente alinhado.
Depois que a arca repousou sobre uma montanha na região do Ararate, a terra ainda permanecia em grande parte submersa. A partir desse momento, com o escoamento das águas, os topos dos montes começaram a se tornar visíveis. Esse processo foi gradual e progressivo, não acontecendo de forma repentina.
Foram necessários 3 meses de escoamento até que os cumes das montanhas começassem a aparecer.
Somente 40 dias depois de os montes já estarem visíveis, Noé abriu a janela que havia feito na arca.
O Corvo e a Pomba de Noé: Testes Após o Dilúvio
Com o propósito de testar se a terra já estava seca e saber se as águas do dilúvio haviam baixado o suficiente para que logo eles pudessem sair da arca, Noé após abrir a janela, solta um corvo.
O corvo saía, voava e depois voltava. Fez isso repetidas vezes, mas sempre retornava (Gênesis 8:7).

Vendo que a estratégia com o corvo não estava dando certo, pois o corvo trazendo uma resposta não muito clara, Noé decidiu trocar de ave, escolheu uma pomba para voar no lugar do corvo, na esperança de descobrir se ás aguas já haviam escoado em algum lugar, pois a pomba só poderia pousar e se alimentar em terra firme.
Na primeira tentativa, como ainda havia muita água sobre a terra, a pomba não encontrou lugar firme para pousar. Sem condições de permanecer voando o tempo todo, retornou, e Noé estendeu a mão para recebê-la de volta na arca.
Passaram-se mais 7 dias e Noé tentou novamente enviar a pomba para um novo voo.
A pomba sobrevoou e, ao entardecer, retornou trazendo no bico uma folha nova de oliveira que ela mesmo havia arrancado. Então Noé entendeu que as águas já haviam diminuído bastante sobre a terra.

Noé esperou por mais outros 7 dias e enviou novamente a pomba. Ela voou, mas desta vez não voltou mais. Entendemos que é uma indicação que havia encontrado terra firme onde podia pousar, se alimentar e permanecer (Gênesis 8:8-12).
Diferença do corvo X pomba:
CORVO
- Natureza: Uma ave carniceira, considerada impura
- Alimentação: Podia sobreviver alimentando-se de restos e carcaças (supostamente cadáveres) que ainda flutuavam sobre as águas
- Resultado: Não trouxe a Noé uma resposta clara, apenas dúvidas, pois o corvo não precisava pousar em terra firme. Podia se manter sobre a água ou pousar em qualquer lugar como terra firme, topo da montanhas e, ainda assim, retornar à arca.

POMBA
- Natureza: Uma ave dócil e considerada pura
- Alimentação: Precisava de uma vegetação fresca e de um lugar limpo e seco para pousar
- Resultado: Trouxe informações claras a Noé, primeiro voo retornou por não achar pouso; depois trouxe uma folha de oliveira (vers.9); e por fim, não voltou mais, mostrando que em algum lugar já havia terra firme para pisar.

Observação: Por que utilizei uma pomba cinza na imagem, e não uma branca como geralmente se representa a pomba que Noé soltou?
As Escrituras não mencionam a cor da pomba escolhida por Noé, portanto não sabemos se era branca, cinza ou bege.
A pomba branca costuma ser usada como símbolo por tradição, já que ao longo da história passou a representar a paz e a pureza. No entanto, se pensarmos de forma mais realista e contextual, é mais provável que a pomba utilizada tenha sido a Columba livia, de coloração cinza-azulada com reflexos metálicos no pescoço, pois essa é a espécie mais comum na região do Oriente Médio.
Um presente de aniversário: No 1º dia do 1º mês, quando Noé completou 601 anos de vida, as águas já haviam secado da superfície da terra.
Então Noé removeu a cobertura da arca, que era provavelmente um teto protetor, uma estrutura de madeira que poderia ser tanto o telhado da embarcação quanto uma espécie de tampa revestida com resina. Em Gênesis 6, lemos que a arca foi selada com betume para garantir proteção e durabilidade, o que reforça essa ideia.
E após 2 meses, exatamente no 27º dia, a terra já estava totalmente seca (Gênesis 8:13-14).
O grande momento: as águas escoaram
Um presente de aniversário: No 1º dia do 1º mês, quando Noé completou 601 anos de vida, as águas já haviam secado da superfície da terra.
Então Noé removeu a cobertura da arca, que era provavelmente um teto protetor, uma estrutura de madeira que poderia ser tanto o telhado da embarcação quanto uma espécie de tampa revestida com resina. Em Gênesis 6, lemos que a arca foi selada com betume para garantir proteção e durabilidade, o que reforça essa ideia.
E após 2 meses, exatamente no 27º dia, a terra já estava totalmente seca.
Finalmente: Noé sai da arca
Deus ordena a Noé sair da arca juntamente com a sua família. Isso mostra que Noé não saiu da arca sozinho e por conta própria, mas mesmo vendo os sinais que a terra estava seca, ele esperou até que Deus lhe desse a ordem. Ele também ordena que Noé retire todos os animais da arca, pois o propósito é claro: a criação deveria se multiplicar e frutificar sobre a terra.
Noé obedeceu a voz de Deus, saindo da arca com seus filhos, esposa e noras (Gênesis 9:18).
Deus ordena a Noé: Multiplicai-vos e Frutificai-vos
A saída da arca marca o início de uma nova era na história da humanidade. O dilúvio havia purificado a Terra da corrupção e da violência, e agora Deus estabelece um novo começo com Noé e sua família.
Mais uma vez, Deus dá ao ser humano a ordem de se multiplicar e frutificar, assim como havia feito com Adão (Gênesis 1:28). Ele abençoa Noé e seus filhos, ordenando que se multipliquem e encham novamente a terra, fazendo de Noé o novo cabeça da humanidade.
Ao abençoar Noé e seus filhos, Deus demonstra aprovação e renova Seu propósito para com a criação. Ele não apenas poupou suas vidas, mas também restaurou a missão original dada a Adão: encher e governar a Terra.
Desde o princípio, Deus tinha um propósito ao criar Adão. Mesmo que o homem tenha falhado, Deus permanece fiel àquilo que estabeleceu. Por isso, Ele repete a mesma ordenança a Noé e a seus filhos , para que se reproduzam, se expandam e continuem cumprindo o plano divino sobre a Terra (Gênesis 9:1, 7).
Deus Permite a Noé e a Humaniddese Alimentar de Carne
O homem inicia a comer a carne dos animais após o dilúvio, a Terra havia mudado completamente.
O ambiente já não era o mesmo do Éden após tanta água sobre a terra por causa do dilúvio, o solo, o clima e as condições de vida haviam se transformado totalmente.
Foi então que Deus permitiu ao homem comer carne pela primeira vez; Deus dá uma nova ordem diferente daquela do início da criação. Deus amplia a alimentação do homem, incluindo os animais.
Nos primeiros capítulos de Gênesis, vemos que Deus havia dado ao homem uma alimentação exclusivamente vegetal. Deus diz a Adão e Eva:
“Eis que vos tenho dado toda erva que dá semente…
e toda árvore em que há fruto que dá semente;
ser-vos-á para mantimento.”
(Gênesis 1:29)
Mas após o dilúvio, em Gênesis 9, ocorre uma mudança significativa. Deus permite que o homem passe a comer a carne dos animais, dizendo a Noé:
“Tudo o que se move e vive vos servirá de alimento;
como a erva verde, tudo vos tenho dado.”
(Gênesis 9:3)
Essa nova permissão marca um ponto de transição na relação do homem com a criação.
O mundo após o dilúvio já não era o mesmo: a natureza havia sido afetada, o clima e as condições da Terra mudaram, e o ser humano agora precisava de um tipo de sustento diferente.
No entanto, Deus estabelece também um limite claro para comer carne:
“A carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis.”
(Gênesis 9:4)
O sangue simboliza a vida, e pertence a Deus.
Por isso, mesmo com a permissão para comer carne, o homem deveria manter o respeito pela vida que vinha de Deus, reconhecendo que tudo o que é dado para o sustento humano provém do Criador.
Assim, Gênesis 9:2-4 revela não apenas uma mudança alimentar, mas também um princípio espiritual profundo:
Deus continua sendo o Senhor da vida.
O homem pode se alimentar da carne dos animais, mas deve fazê-lo com gratidão e reverência, lembrando que cada vida pertence a Deus e que o sangue, símbolo dessa vida, deve ser respeitado.
Deus Faz Uma Nova Aliança com a Humanidade através de Noé
Após o dilúvio, Deus, em Sua misericórdia, estabelece uma nova aliança com Noé, seus filhos, a sua descendência e toda a criação, com todos que saíram da arca. O propósito desta aliança seria a continuidade da vida e a promessa de Deus em não destruir novamente a Terra com as águas do dilúvio.
“Eis que estabeleço a minha aliança convosco,
e com a vossa descendência depois de vós;
e com todo ser vivente que está convosco…”
(Gênesis 9:9–10)
Diferente das alianças futuras que seriam feitas com Israel ou com indivíduos específicos, a aliança com Noé é universal. Ela alcança toda a humanidade e até mesmo os animais, mostrando que o amor e a fidelidade de Deus abrangem toda a criação.
Deus deixa um símbolo para Noé e toda a humanidade: Ele coloca um arco no céu, para ser o sinal entre Ele e todos da aliança que acabara de fazer. Esse arco é o arco-íris, colorido, e que aparece no céu ou entre as nuvens, para que todas as vezes que vermos o arco possamos nos lembrar dessa promessa.
“O meu arco tenho posto nas nuvens; este será o sinal da aliança entre mim e a terra.”
(Gênesis 9:13)
O arco-íris, que surge após a tempestade, lembra-nos de que a misericórdia triunfa sobre o juízo. Ele aparece entre as nuvens como um lembrete de que, mesmo quando a humanidade falha, Deus permanece fiel às Suas promessas.
O arco-íris no céu é, até hoje, o lembrete silencioso dessa aliança feita por Deus, que é a forma de um pacto, de fidelidade e de esperança.
Noé Bêbado
Em Gênesis 9:20-27, é relatado que após o dilúvio, Noé tornou-se lavrador e plantou uma vinha. Está escrito que em um certo tempo, ele colheu uvas da sua própria vinha e fez vinho e se embriagou (Gênesis 9:20-21). Em meio à embriaguez, Noé tira a roupa e fica nu em sua tenda.
O seu filho Cam, ao ver a nudez dele, saiu e comentou o que estava acontecendo com o seu pai aos seus irmãos, Sem e Jafé, provavelmente zombando da exposição e da vergonha do pai.
Sem e Jafé, ao ouvir o que estava acontecendo, levaram um manto até a tenda e entraram com o rosto virado para não ver a nudez do pai e o cobriram com cuidado (Gênesis 9:22-23).

Quando Noé recobrou a consciência e soube o que Cam havia feito, proferiu uma maldição contra o seu próprio neto Canaã, filho de Cam (Gênesis 9:25).
Noé não poderia amaldiçoar a Cam, pois ele já havia recebido a benção de Deus (Gênesis 9:1), benção essa que não poderia ser revogada, então ele amaldiçoa a Canaã, filho de Cam, a ser servo de Sem.
A Morte de Noé
Noé viveu 950 anos (Gênesis 9:29) e foi um dos patriarcas que mais viveram na história bíblica.
A Genealogia de Adão até Noé
O Livro de Gênesis 5 apresenta a genealogia de Adão até Noé e seus filhos.
Lameque gerou Noé quando tinha 182 anos (Gênesis 5:28), e depois disso, continuou tendo outros filhos e filhas. No entanto, apenas o nome de Noé é mencionado porque, porque foi através dele que Deus preservou a linhagem para o cumprimento da promessa de salvação que chegaria até Jesus Cristo.

Os Filhos de Noé
Noé, após os seus 500 anos de idade, teve três filhos: Cam, Sem e Jafé (Gênesis 5:32 e 6:10).
Segundo relatos bíblicos, aparentemente, ele teve apenas esses três filhos, e sempre os três aparecem juntos (Gênesis 5:31; 6:10; 7:13; 9:18; 10:1).
Os seus filhos tiveram muitos outros filhos depois do dilúvio, que se espalharam e organizaram nações, cumprindo a promessa e ordem de Deus de se multiplicarem. Entre esses filhos estão os povos famosos como os egípcios, cananeus, persas e hebreus. Eles se multiplicaram, se espalharam, se afastaram mas vieram de uma mesma origem: Noé (Gênesis 10:1-32).
| Noé |
|---|
| Nome | Noé (hebraico: נֹחַ – Nôaḥ, significa “descanso” ou “consolo”) |
| Anos de Vida | 950 anos (GN 9:29) |
| Época de Vida | Antes do Dilúvio e Pós-Dilúvio (antediluviana e pós-diluviana) |
| Local de Criação | Não mencionado, mas na região da Mesopotâmia (segundo tradições históricas) |
| Local de Morte | Não mencionado |
| Onde está seu túmulo | Não há registros |
| Esposa (s) | Uma esposa, nome não mencionado |
| Filhos | A Bíblia menciona 3 filhos |
| Nome dos Filhos | Cam, Sem e Jafé (GN 5:32 e GN 6:10) |
| Pai | Lameque |
| Mãe | não é mencionado |
| Descendência | Sete |
| Descendentes principais | Toda a humanidade após o Dilúvio (através de Sem, Cam e Jafé) |
| Profissão | Lavrador (pós-dilúvio) |
| Eventos importantes | Escolhido por Deus para construir uma arca para salvar a vida humana e animal do Dilúvio |
Referências Bíblicas:
- GEN 5:28-29 – Relato do nascimento de Noé
- GEN 5:30 – Depois que Noé nasceu, o seu pai Lameque viveu por mais 595 anos, gerando filhos e filhas.
- GEN 5:32 – Depois dos 500 anos de idade que Noé gerou seus filhos Sem, Cam e Jafé.
- GEN 6:8 – O Senhor achou graça em Noé.
- GEN 6:9-10 – As gerações de Noé são os seus três filhos: Sem, Cão e Jafé.
- GEN 6:13 – Deus diz a Noé que destruirá toda a carne porque a terra estava cheia de violência.
- GEN 6:14-16 – Deus ordena a Moisés a fazer uma arca e dá instruções como ele deveria construir, dizendo o tipo de madeira a ser utilizados, a proteção da madeira com betume, as repartições internas, as medidas da arca e a porta a janela da arca.
- GEN 6:18 – Deus promete em fazer uma aliança com Noé e diz que entrará na arca ele, sua esposa, seus filhos e suas noras.
- GEN 6:19-21 – Deus orienta a Noé o que ele deveria colocar dentro da arca, como os mantimentos e os animais.
- GEN 6:22 – Noé faz exatamente da maneira que o Senhor pediu.
- GEN 7:1 – Deus ordena Noé entrar na arca juntamente com a sua família.
- GEN 7:2-5 – Deus dá as instruções a Noé de quais animais deveriam entrar na arca e explica para ele sobre o dilúvio. E Noé obedece e faz exatamente como o Senhor ordenou.
- GEN 7:6 – Noé tinha 600 anos quando o dilúvio começou.
- GEN 7:7-9 – Noé entra na arca com a sua família e os animais.
- GEN 7:11 – O dilúvio inicia-se quando Noé tinha 600 anos de idade.
- GEN 7:13 – Noé, sua esposa, filhos e noras entram na arca.
- GEN 7:23 – Relato de que tudo tinha sido destruído pelo dilúvio, exceto, Noé, a sua família e os que estavam com ele dentro da arca.
- GEN 8:1 – Deus lembra-se de Noé e manda um vento para aquietar as águas do dilúvio.
- GEN 8:6-12 – Noé abre a janela da arca e solta um corvo e uma pomba para verificar se as águas do dilúvio baixaram.
- GEN 8:15-19 – Deus ordena a Noé sair da arca juntamente com a sua família e todos os animais.
- GEN 8:20-21 – Noé, após sair da arca, oferece um sacrifício a Deus em forma de holocausto para agradecê-lo.
- GEN 9:1 – Deus abençoa a Noé e a seus filhos e ordena para que eles se multipliquem e frutifiquem-se.
- GEN 9:8-9 – Deus fala com Noé e seus filhos que estava estabelecendo uma aliança com eles e com a suas descendências.
- GEN 9:17 – Deus mostra o arco-íris a Noé e diz a ele que aquele era o sinal da aliança que Ele estava fazendo com a humanidade.
- GEN 9:18-19 – Relato de quais eram os filhos de Noé que saíram da arca: Sem, Cam e Jafé, e que Cam era o pai de Canaã.
- GEN 9:20 – Noé planta uma vinha.
- GEN 9:21 – Noé ficou bêbado.
- GEN 9:24-24 – Após se recuperar da embriagues, Noé fica sabendo que seu filho Cam o viu nu, e amaldiçoa o seu neto Canaã, filho de Cam.
- GEN 9:28 – Noé viveu por mais 350 anos após o dilúvio.
- GEN 9:29 – Noé viveu 950 anos e morreu.
- GEN 10:1-32 – Genealogia dos descendentes de Noé.