Abraão era descendente de Sem, filho de Noé, pela linhagem de Arfaxade (Gênesis 11:26).
Desde Adão até o nascimento de Abraão, a Bíblia registra 20 gerações, sendo 10 delas a partir de Sem.
Seu nome original era Abrão (Abram), e mais tarde foi mudado por Deus para Abraão, como sinal da promessa que lhe seria confiada.
A primeira vez que o nome de Abraão é citado nas Escrituras foi na Tabela das Nações em Gênesis 11:26, quando é relatado a genealogia de Sem.
Abrão foi filho de Terá, neto de Naor, bisneto de Serugue, trineto de Reú, descendente de Pelegue, Éber, Selá e Arfaxade, todos da linhagem de Sem.
Quando Abrão nasceu, o seu pai Terá, já era idoso com 70 anos de idade (Gênesis 11:26).
Abrão teve dois irmãos homens: Naor e Harã (Gênesis 11:26).
Harã morreu ainda em vida de seu pai, enquanto Abrão se tornaria a figura central da narrativa bíblica, escolhido por Deus para dar início a uma nova etapa do Seu plano redentor.
O Significado do Nome Abraão:
O nome Abraão vem do hebraico אַבְרָהָם – Avrahám e significa:“pai de muitas nações” ou “pai de uma multidão”.
Porém o nome Abraão não foi dado no nascimento, foi mudado por Deus.
Antes, Abraão se chamava Abrão, esse era o seu nome que foi dado por Terá, o seu pai.
Abrão (אַבְרָם – Avrám) significa: “pai exaltado” ou “pai elevado”
Sarai, a Esposa de Abraão
Quando ainda Abraão se chamava Abrão, estando na terra do seu nascimento Ur, tomou para si a sua esposa Sara, que naquele momento ainda se chamava Sarai e ela era estéril, não tinha filhos (Gênesis 11:29-30).
A Vida Financeira de Abraão
Antes de partir de Harã, Abraão já havia construído uma vida estável. Ele não inicia sua jornada como alguém sem recursos ou sem responsabilidades, mas como um homem que possuía bens, rebanhos e pessoas sob sua liderança. O texto bíblico deixa claro que, ao sair, ele leva consigo tudo o que havia adquirido até então, além daqueles que faziam parte de sua casa (Gênesis 12:5).
Abrão era muito rico. Possuía gado, prata e ouro. Ao longo de sua caminhada, foi prosperando, e quando saiu do Egito, após ser expulso pelo faraó por ter omitido que Sara era sua esposa, deixou aquela terra ainda mais rico (Gênesis 13:2).
Isso revela que o chamado de Deus não alcança Abraão em um momento de escassez extrema, mas em um contexto de estrutura e segurança. Ele tinha posses, influência e uma organização familiar estabelecida. Sua decisão de partir, portanto, não nasce da falta de alternativas, mas da obediência à voz de Deus.
Compreender essa realidade nos ajuda a enxergar o peso do chamado divino. Abraão não apenas deixa uma cidade; ele deixa uma vida construída. Ele abandona o que era conhecido, estável e previsível para seguir rumo a uma terra que ainda lhe seria mostrada, confiando não em seus recursos, mas na promessa de Deus.
Assim, a caminhada de Abraão começa não com a busca por prosperidade, mas com a disposição de colocar tudo o que possuía sob a direção do Senhor. A fé que o move não ignora suas posses, mas as submete ao propósito maior de Deus.
Quando Deus diz: Abrão Vai!
Deus falou com Abrão. Em Gênesis 12:1 temos o primeiro registro bíblico de Deus dirigindo-se diretamente a ele, neste momento, seu nome ainda era Abrão, pois a mudança para Abraão aconteceria apenas mais adiante.
Abrão habitava em Harã, e é ali que Deus o chama e lhe dá uma ordem clara: sair da terra onde vivia, deixar a sua parentela e a casa de seu pai.
Harã era o lugar onde Terá, seu pai, havia se estabelecido após interromper a jornada que inicialmente tinha como destino a terra de Canaã.
Neste primeiro chamado, Deus não revela imediatamente o destino final. A ordem é apenas sair, sair do lugar, da segurança, das referências familiares. Abrão não recebe um mapa nem detalhes do caminho; recebe apenas a palavra de Deus. E, diante desse chamado, Abrão obedece. Ele parte, confiando não no destino que ainda desconhecia, mas Naquele que o havia chamado.
Quando Deus ordena que Abrão saia da terra de Harã, Ele não apenas lhe dá uma direção, mas também lhe faz a primeira promessa (Gênesis 12:2). Antes mesmo de revelar o destino, Deus assegura a Abrão que, ao obedecer e deixar aquela terra, sua vida seria marcada por bênção. Deus não diz para onde ele iria, mas antecipa aquilo que o aguardava: um futuro guiado pela promessa divina.
Esse chamado mostra que a fé de Abrão não se apoiaria em um lugar conhecido, mas na palavra que Deus tinha dito. O caminho ainda era incerto, porém a promessa já estava estabelecida.
As primeiras promessas que Deus faz a Abraão
- Que Abrão se tornaria uma grande nação
- Que ele seria abençoado por Deus
- Que o seu nome seria engrandecido
- Que Abrão seria uma bênção
- Que seriam abençoados aqueles que o abençoassem
- Que seriam amaldiçoados aqueles que o amaldiçoassem
- Que em Abrão todas as famílias da terra seriam benditas
Abrão obedece e vai
Abrão, aos 75 anos de idade, obedece à voz de Deus e acompanhado de sua esposa Sarai, levando consigo tudo o que adquiriu quando esteve na terra de Harã, seus bens, servos, servas, pastores e todos aqueles que faziam parte do seu grupo, partindo em direção à terra que o Senhor lhe mostraria. Talvez, sem conhecer o destino final, ele caminha guiado apenas pela promessa. Ló, seu sobrinho, o acompanha nessa jornada (Gênesis 12:4-5), deixando também para trás sua antiga vida para seguir junto com Abrão. O mesmo versículo, 5, diz que eles chegaram em Canaã.
Abrão chega à Canaã
Abrão, juntamente com sua esposa, sobrinho, servos e bens adquiridos na terra de Harã, chegam à terra de Canaã (Gênesis 12:5).
Ao chegar à terra, o Senhor se manifesta novamente e então declara de forma direta:
“À tua descendência darei esta terra”
(Gênesis 12:7).
Nesse momento, Canaã deixa de ser apenas uma região geográfica conhecida do mundo antigo e passa a ser o espaço onde a promessa divina começa a se materializar. A terra torna-se parte do relacionamento entre Deus e Abrão, ligada à promessa de descendência, bênção e futuro.
É importante notar que, quando Abraão chegou, Canaã já era habitada por outros povos, os cananeus, que eram descendentes de Cam (Gênesis 12:6). Deus não conduz Abrão a uma terra vazia, mas a um lugar real, com história, cidades e habitantes. Isso reforça que a promessa não se baseia em circunstâncias favoráveis, mas na fidelidade daquele que chama.
Abrão atravessou a região de Canaã, andando, até chegar a um carvalho que se chamava carvalho de Moré na cidade Siquém, que era um lugar específico dentro desse território.
Após atravessar a terra de Canaã e parar junto ao carvalho de Moré, Deus fala com Abrão pela segunda vez.
A primeira vez que Deus falou com Abrão foi ainda em Harã, quando o chamou para sair dali e ir para a terra que Ele lhe mostraria. Naquele momento, Deus lhe faz promessas amplas: que faria dele uma grande nação, que o abençoaria e que, por meio dele, todas as famílias da terra seriam abençoadas.
Agora, pela segunda vez, Deus fala novamente com Abrão e define o território.
“E apareceu o Senhor a Abrão, e disse: À tua descendência darei esta terra.”
(Gênesis 12:7)
Ele declara que aquela terra que Abrão estava pisando e contemplando seria dada à sua descendência.
A promessa, que antes era geral, torna-se concreta: o lugar deixa de ser apenas um caminho de passagem e passa a ser o destino prometido por Deus.
Após essa nova promessa, Abraão edifica ali, no carvalho de Moré, um altar ao Senhor. Foi a segunda vez, que é mencionado nas Escrituras a respeito de um altar construído para Deus, o primeiro foi feito por Noé, após o dilúvio.
Abrão Diante da Fome: Fé em Meio à Escassez
Após obedecer ao chamado de Deus e chegar à terra de Canaã, Abrão se depara com um grande desafio: a fome na terra. O texto bíblico relata que a escassez foi intensa, a ponto de levá-lo a descer ao Egito para peregrinar temporariamente (Gênesis 12:10).
Essa decisão não representou uma ruptura com a promessa divina, mas uma resposta humana diante de uma necessidade concreta. O versículo destaca que Abrão não se estabeleceu definitivamente no Egito, mas foi até lá como peregrino, preservando sua identidade como estrangeiro e mantendo Canaã como a terra da promessa.
Esse momento da vida de Abrão marca o início de uma jornada de aprendizado, na qual sua fé seria continuamente provada entre a confiança em Deus e as circunstâncias adversas, preparando o caminho para os eventos que se seguiriam em sua história.
Abraão no Egito: Mentira ou Estratégia?
Abraão estava exatamente no lugar para o qual Deus o havia conduzido, a Terra Prometida. No entanto, diante da escassez de alimento, foi obrigado a descer ao Egito em busca de mantimento (Gênesis 12:10).
Ao chegar ao Egito, as preocupações de Abraão se intensificaram. Além da fome que assolava Canaã, ele passou a lidar com um novo temor: o risco de perder a sua amada esposa e, consequentemente, perder a própria vida.
Sara era uma mulher muito bonita e atraente (Gênesis 12:11), e Abraão ao se aproximar dos egípcios, passou a enxergar sua vida em perigo. Ele acreditava que, ao descobrirem que Sara era sua esposa, certamente o matariam para ficar com ela.
Diante desse cenário, Abraão decide ter uma conversa séria com Sara. Antes de adentrarem aquela terra até então desconhecida, ele propõe uma espécie de acordo entre os dois. Preocupado com os riscos que os aguardavam, ele tenta fazê-la compreender o que estavam prestes a enfrentar.
Com palavras carregadas de temor, ele lhe diz a ela: “Sara, eu sei que você é uma mulher muito bonita. Quando os egípcios a virem, desejarão tomá-la por esposa. E, ao descobrirem que você é minha mulher, não apenas a perderei, mas também tirarão a minha vida.” (Gênesis 12:11-12).
Após mostrar a ela a dimensão do perigo que eles estavam correndo ao buscar sustento na terra dos egípcios, Abraão faz a Sara uma proposta difícil. Às vésperas de entrarem no Egito, ele lhe pede que, se alguém perguntasse quem ela era, respondesse apenas que era sua irmã. Nenhuma palavra deveria ser dita sobre o fato de ela ser a esposa do líder daquele grupo.
A Bíblia não registra qual foi a reação de Sara diante dessa proposta. Não sabemos o que ela sentiu, nem o que pensou naquele momento. O que sabemos é que o acordo foi estabelecido: se alguém perguntasse, ela diria que era irmã de Abraão. Essa seria a resposta que deveria dar.
Dito e Feito!
À medida que Abrão se aproximava do Egito, não demorou para que todos os olhares se voltassem para Sara. A beleza dela foi imediatamente notada por todos, era impossível passar despercebida. Os egípcios ficaram impressionados e exaltados, pois Sara era de uma beleza fora do comum.
Os príncipes se mostraram eufóricos. Receberam Abrão e o seu bando com cordialidade, mas seus olhos já estavam fixos em Sara. Sem demora, imediatamente trataram de levá-la à presença de Faraó, exaltando sua beleza.
Rapidamente, Sara foi conduzida aos aposentos do palácio, com todas as segundas intenções que aquela decisão carregava.
Enquanto Sara era levada ao palácio, a sorte de Abrão parecia mudar repentinamente. Por causa dela, ele passou a ser bem tratado pelos egípcios. Presentes começaram a chegar: ovelhas, bois, jumentos, servos, servas, jumentas e camelos. Aos olhos de todos, Abrão prosperava.
Mas aquela prosperidade carregava um gosto amargo. Cada favor recebido era o preço silencioso da ausência de sua amada esposa. Sara não estava ao seu lado. A abundância que agora o cercava não era fruto da promessa, mas consequência de uma situação construída pelo medo.
Abrão tinha bens, proteção e reconhecimento, mas sua esposa estava nos aposentos de Faraó. E naquele momento, a bênção aparente escondia uma profunda tensão: tudo parecia dar certo… enquanto tudo estava errado.
Mas Deus via tudo.
Viu a falsidade por trás da hospitalidade dos egípcios, que agradavam a Abraão não por respeito, mas como moeda de troca por Sara.
Deus viu a injustiça daquela situação e não se agradou nem um pouco do que estava sendo feito. Mais do que isso, Deus contemplou o sofrimento silencioso de Abraão e de Sara, separados, vulneráveis, presos a uma decisão tomada em meio ao medo.
Movido por compaixão, por amor a Abraão e, sobretudo, por causa de Sara, Deus decide intervir.
Ele não permanece indiferente.
O Senhor fere Faraó e toda a sua casa com grandes pragas, sinais claros de que algo estava profundamente errado.
O palácio, antes marcado por luxo e intenções ocultas, é tomado pelo temor. Os egípcios ficam atemorizados, pois compreendem que haviam tocado naquilo que pertencia a Deus. A intervenção divina rompe o silêncio, expõe a injustiça e revela que, mesmo quando o homem falha, Deus permanece fiel em proteger aqueles que são seus.
No meio de tanta desgraça acontecendo em sua casa, Faraó começa a perceber que aquele sofrimento não era comum. As pragas que assolavam sua casa tinham peso, direção e causa. Tudo ia bem… até Abraão e Sara chegarem. A ligação torna-se clara, e a verdade vem à tona, Faraó descobre: Sara não era irmã, mas esposa de Abraão.
Muito indignado, Faraó manda chamar Abraão. Perplexo e revoltado ele diz a Abraão:
“O que você fez comigo? Por que não me disse que ela era sua esposa? Por que disse: ‘É minha irmã’? Por causa disso, eu a tomei para ser minha mulher.”
Sem espaço para explicações, o Faraó conclui com uma ordem seca e definitiva:
“Aqui está a sua esposa. Tome-a e vá embora.”
Então Faraó dá instruções imediatas aos seus homens. Abraão, Sara, todo o seu bando e todos os bens que havia recebido são escoltados até a porta de saída do Egito. Não era mais um convite, era uma expulsão.
Assim, Abraão deixa o Egito sendo expulso. Mas agora carregando não apenas riquezas, e sim uma história marcada pelo medo, pela intervenção divina e pela graça de um Deus que protege, corrige e conduz, mesmo quando os seus tropeçam (Gênesis 12:10-20).
Foi uma mentira ou uma estratégia de Abraão para sobreviver em meio à fome?
Era esse o caminho que Abraão deveria ter escolhido?
Aparentemente, parece até que deu certo. Ele foi poupado, recebeu bens, foi bem tratado. Mas por quanto tempo isso poderia sustentar-se?
Abraão mentiu?
Mais ou menos.
Sara realmente era meia-irmã de Abraão. Ela era filha de Terá, mas de uma mulher diferente da mãe de Abraão, (Gênesis 20:12).
À primeira vista, isso poderia levar alguém a concluir: “Então Abraão não mentiu.”
Eu, particularmente, não concordo com essa afirmativa e vou explicar o motivo:
A mentira não se sustenta apenas nos fatos ditos, mas na intenção do coração. Por isso, a omissão carrega um peso tão sério. Omitir não é simplesmente deixar de falar; é esconder uma informação essencial, consciente de que o outro será levado a uma compreensão distorcida da realidade. Por isso que omissão é considerado praticamente um crime.
Foi exatamente isso que aconteceu no Egito.
Abraão disse algo verdadeiro, mas não disse tudo.
Ele revelou que Sara era sua irmã, mas escondeu o principal: que ela também era sua esposa. E o fez sabendo que essa informação omitida mudaria completamente a reação dos egípcios. Abraão, ao oferecer apenas uma meia-verdade, ele conduziu os outros ao erro.

Essa omissão revela uma intenção enganosa. Não foi um simples detalhe esquecido, foi uma escolha para afastar a verdade e proteger a si mesmo. E a Escritura deixa claro, ao longo de toda a narrativa bíblica, que Deus não se agrada nem um pouco daquilo que é enganoso, ainda que venha revestido de argumentos plausíveis ou de medo humano. Não importa o motivo, Deus não se agrada.
Abraão pensou no depois?
Provavelmente não. Tudo indica que ele não pensou ou considerou sobre o que aconteceria a depois, nem sobre como ele sairia daquela situação.
Abraão amava Sara e, certamente, não pretendia deixá-la nos braços de outro homem. Ainda assim, a Escritura não registra qualquer plano alternativo, nenhuma estratégia para o momento em que a verdade viesse à tona.
Abraão tinha medo, tinha urgência mas não tinha um plano B.
Ele pensou em como aquela história terminaria? E quando a verdade viesse à tona?
Tudo indica que não. Abraão parece ter agido movido pelo instinto de sobrevivência. Diante da urgência, fez aquilo que muitos de nós fazemos: tentou resolver o agora, o imediato, deixando o amanhã para depois. “Depois a gente vê como faz.”
Abraão sabia que sua ida ao Egito era provisória. Ele tinha consciência de que aquela não era a terra que Deus lhe havia prometido. Ainda assim, surge a pergunta inevitável: como ele imaginava sair dali?
O que Abraão faria quando chegasse o momento de partir? Pegaria Sara, agora esposa de Faraó, e sairia correndo? Que plano poderia sustentar uma decisão construída sobre uma mentira?
Essa história na vida de Abraão e Sara mostra uma verdade sobre nós, seres humanos tão falhos: fazemos escolhas para escapar do perigo imediato, sem considerar o peso do amanhã. Agimos para sobreviver, mesmo quando isso nos empurra para situações ainda mais complexas.
O problema é que decisões tomadas sem pensar no amanhã raramente permanecem apenas no presente. Elas nos alcançam. Sempre.
A decisão de partir foi exclusivamente de Abraão.
Deus não o orientou a mentir, muito menos em omitir a verdade.
Em nenhum momento o texto bíblico registra que Abraão tenha buscado a Deus em oração para saber como agir diante daquele cenário. Tudo indica que ele agiu por conta própria, guiado pelo medo e pela urgência da sobrevivência.
Certamente, se tivesse buscado direção do Senhor, Deus lhe teria concedido outra estratégia, uma que não fosse fundamentada na mentira e, muito menos, na entrega de sua própria esposa.
A promessa de Deus nunca precisa ser protegida por enganos humanos.
Deus interveio por amor, compaixão e fidelidade à Abraão e Sara, mostrando algo que eles não estavam enxergando: aquela situação não poderia seguir adiante. Era insustentável.
Não porque Deus estivesse ausente e não poderia cuidar deles, mas porque Sua promessa não caminha sustentada em base a mentiras, omissão, medo, e nem se cumpre por ajuda humana.
E ali, no meio daquela crise, tanto Abraão como nós nos dias atuais, aprendemos que a promessa de Deus não depende da perfeição do homem, nem da nossa “ajudinha”. Ela depende de estarmos alinhados com a Sua vontade, em confiarmos mais Nele, na direção que Ele nos dá do que nas nossas próprias estratégias.
Ao sair do Egito, após serem expulsos, Abrão retorna à terra de Canaã, dirigindo-se para o sul, acompanhado de sua esposa Sara, de Ló, de seu grupo e de todos os bens que possuíam e haviam adquirido.
Abraão se Separa de Ló
Ao retornarem do Egito, após serem expulsos pelo faraó, Abrão, juntamente com Ló e os seus, volta para Canaã. Nesse momento, eles já estavam muito prósperos e haviam adquirido grande riqueza.
Seus gados e rebanhos haviam crescido tanto que já não era mais possível conviverem juntos, a ponto de haver brigas entre os pastores de Abrão com os pastores de Ló.
Quando eles chegaram em Canaã, os cananeus e os perizeus já habitavam ali, aquela terra não estava vazia, ou seja, já havia donos e consequentemente havia limite de espaço entre pastagens e recursos para os animais, causando disputa entre eles.
Ló era sobrinho de Abraão, mas Abrão o tratava como um irmão. Diante do crescimento dos bens e das contendas entre os pastores, Abrão toma a iniciativa de preservar a paz, não apenas entre eles, mas também entre os que estavam sob sua responsabilidade.
Com esse propósito, Abrão faz uma proposta a Ló:
“Não está toda a terra diante de ti?
Eia, pois, aparta-te de mim; e se escolheres a esquerda,
irei para a direita; e se a direita escolheres,
eu irei para a esquerda.“
(Gênesis 13:9)
Ao sugerir a separação, Abrão demonstra maturidade espiritual e humildade: permite que Ló escolhesse a parte que ele queria, se Ló desejasse ir para a direita ou para esquerda, Abrão não fazia questão, escolheria o lado oposto, sem olhar o que era melhor para si mesmo, deixando o sobrinho fazer essa escolha.
Mesmo sendo o mais velho e o portador da promessa, ele abre mão do direito de escolher primeiro, colocando a paz acima dos bens materiais e da vantagem pessoal. Sua proposta nasce da consideração que ele tinha pelo sobrinho e do desejo de evitar conflitos maiores no futuro.
A atitude de Abrão revela que, para ele, a comunhão e a paz valiam mais do que a terra, pois sua confiança estava na promessa de Deus, e não no lugar que viesse a ocupar.
Então Ló levantou os olhos e escolheu o lado direito. Diante dele se estendia toda a campina do Jordão, uma região amplamente irrigada, verde e fértil. Aos seus olhos, aquela terra parecia o próprio jardim de Deus, tão abundante e atraente quanto a terra do Egito, especialmente na direção de Zoar (Gênesis 13:10).
Ló escolhe as campinas do Jordão para habitar então, sobra a própria Canaã para Abraão, que passa a se estabelecer ali.
Após a partida do seu sobrinho Ló, Abrão ouve a voz de Deus mais uma vez:
Levanta agora os teus olhos, e olha desde o lugar onde estás,
para o lado do norte, e do sul, e do oriente, e do ocidente;
Porque toda esta terra que vês, te hei de dar a ti, e à tua descendência, para sempre.
E farei a tua descendência como o pó da terra;
de maneira que se alguém puder contar o pó da terra,
também a tua descendência será contada.
Levanta-te, percorre essa terra, no seu comprimento e na sua largura;
porque a ti a darei.
(Gênesis 13:14-17)
A terra que ficou para Abraão, depois que Ló escolheu a região que parecia mais bonita aos olhos, não apresentava a mesma aparência de prosperidade. Ainda assim, era sobre Abraão que repousava a promessa de Deus.
Após a separação, o Senhor chama Abrão e lhe pede que levante os olhos e observe a terra em todas as direções: do norte ao sul, do oriente ao ocidente. Deus então promete que toda aquela terra lhe seria dada, não apenas a ele, mas também à sua descendência para sempre.
Nesse momento, Abrão ainda não tinha filhos e, humanamente falando, não havia esperança de tê-los, pois Sara era estéril. Mesmo assim, Deus lhe faz uma promessa que ultrapassa qualquer limite natural, afirmando que sua descendência seria tão numerosa quanto o pó da terra (Gênesis 13:14-17).
Após a nova promessa, Abraão obedece a ordem de Deus do versículo 17 que era para ele sair e percorrer toda aquela terra, então ele vai e habita nos carvalhais de Manre que ficava junto ao Hebrom.
Abrão em Canaã e Seus Aliados
Após percorrer a terra conforme a orientação de Deus, Abrão passou a habitar nos carvalhais de Manre, que ficavam próximos a Hebrom (Gênesis 13:18). Ali ele levantou um altar ao Senhor, e permaneceu naquela, lugar onde Abrão viveria pela fé, confiando na promessa divina.
Manre não era apenas o nome do local, mas também o nome de um homem amorreu que habitava naquela região. Ele tinha dois irmãos chamados Escol e Aner. A Bíblia fala que esses três homens eram aliados de Abrão (Gênesis 14:13).
Essa aliança provavelmente era um pacto de cooperação e proteção mútua, algo comum entre clãs e líderes da época. Embora Abrão fosse estrangeiro na terra de Canaã, ele conquistou respeito e estabeleceu relações de confiança com os povos locais.
Foi justamente essa aliança que se tornou importante quando Ló foi levado cativo durante a guerra narrada em Gênesis 14. Ao receber a notícia, Abrão reuniu seus homens e contou com o apoio de seus aliados amorreus para enfrentar os reis invasores e resgatar seu sobrinho.
Abrão Resgata Ló com 318 Homens
Quando ocorreu a primeira guerra descrita na Bíblia, liderada por Quedorlaomer, rei de Elão, contra as cidades da região do vale de Sidim, entre elas Sodoma e Gomorra, os invasores derrotaram essas cidades, saquearam seus bens e levaram pessoas como despojo de guerra.
Entre os cativos estava Ló, sobrinho de Abrão, que havia escolhido morar em Sodoma (Gênesis 14:12).
Um homem conseguiu escapar daquele saque e correu até o lugar onde Abrão estava habitando e lhe contou tudo o que havia acontecido. Ao saber que seu sobrinho havia sido levado como prisioneiro, Abrão reagiu imediatamente.
Ele reuniu 318 homens nascidos em sua própria casa, e partiu em perseguição ao exército invasor. A perseguição levou Abrão até a região de Dã, no extremo norte da terra (Gênesis 14:14), cidade que, naquela época, ainda era conhecida como Laís, recebendo o nome Dã somente muito tempo depois, quando foi conquistada pela Tribo de Dã (Juízes 18:29).
Depois de perseguir o exército invasor até a região de Dã, Abrão não atacou imediatamente durante o dia. Ele usou uma estratégia de ataque noturno (Gênesis 14:15). Abrão dividiu seus homens, separando seu pequeno grupo de guerreiros em várias partes, provavelmente para atacar de diferentes direções.
Essa era uma tática militar conhecida na antiguidade, usada para causar confusão no inimigo. Durante a noite, quando a visibilidade era baixa, um ataque vindo de vários lados poderia fazer um exército maior acreditar que estava sendo cercado por muitas tropas.
O resultado da estratégia
O plano funcionou. Abrão e seus 318 homens feriram os inimigos e os colocaram em fuga.
Depois disso, Abrão continuou a perseguição até Hobá, um lugar localizado ao norte de Damasco. Isso mostra que os reis invasores fugiram em direção ao norte da Síria.
Após derrotar os reis invasores e colocá-los em fuga, Abrão conseguiu recuperar tudo o que havia sido levado durante o saque das cidades. Abrão trouxe de volta todos os bens levados e também resgatou Ló, seu sobrinho, juntamente com seus pertences, as mulheres e todo o povo que havia sido levado cativo.
A vitória de Abrão foi completa. Nada do que havia sido tomado pelos invasores permaneceu em suas mãos. Tudo foi recuperado e devolvido, restaurando não apenas os bens materiais, mas também a liberdade das pessoas que haviam sido levadas como prisioneiras de guerra.
Depois de recuperar tudo o que havia sido levado, Abrão iniciou o caminho de volta. Foi então que o rei de Sodoma, Bera, saiu ao seu encontro no Vale de Savé, após a vitória sobre Quedorlaomer e os reis que estavam com ele, para recebê-lo após a vitória e a recuperação dos bens e das pessoas que haviam sido levadas cativas.
O rei Bera, rei de Sodoma, aproximou-se de Abrão e fez uma proposta: que Abrão ficasse com todos os bens recuperados da batalha e lhe devolvesse apenas as pessoas. Aquela oferta parecia generosa, afinal, Abrão havia arriscado sua vida na guerra e havia recuperado tudo o que fora saqueado.
No entanto, Abrão recusou a proposta. Ele respondeu ao rei que havia levantado a mão diante do Senhor, o Deus Altíssimo, possuidor dos céus e da terra, e havia feito um juramento: não ficaria com absolutamente nada do que pertencia ao rei de Sodoma, nem mesmo um fio ou uma correia de sandália.
Abrão então, tomou essa decisão para que, no futuro, ninguém pudesse dizer que ele havia sido enriquecido pelo rei de Sodoma.
Eu acredito que Abrão pensava, e com razão, que a vitória não havia vindo da força dos homens, nem da recompensa de um rei, mas do próprio Deus, que havia entregado os inimigos em suas mãos. Assim, Abrão não quis que a glória daquela vitória fosse atribuída a qualquer outro homem sem ser Deus (Gênesis 14:21-23).
Abrão apenas permitiu que os homens que o acompanharam na batalha, Aner, Escol e Manre, seus aliados, poderiam receber a parte que lhes cabia dos despojos, pois eles também haviam participado da guerra e tinham direito à sua recompensa (Gênesis 14:24).
Abrão é Abençoado por Melquisedeque
Após vencer a batalha contra os reis liderados por Quedorlaomer, Abrão retornava da guerra trazendo consigo os bens e as pessoas que haviam sido resgatadas, incluindo seu sobrinho Ló. Foi nesse momento que Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, saiu ao encontro de Abrão no Vale de Savé, também chamado de Vale do Rei (Gênesis 14:19-20).
Melquisedeque trouxe pão e vinho e abençoou Abrão, dizendo:
“Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra;
e bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos.”
(Gênesis 14:19-20)
Ao receber essa bênção, Abrão deu a Melquisedeque o dízimo de tudo, reconhecendo assim a autoridade do sacerdote do Deus Altíssimo.
Deus Promete um Filho a Abrão e lhe Mostra as Estrelas
Depois de tudo o que aconteceu no capítulo 14 de Gênesis, Abrão não estava simplesmente tranquilo.
Ele havia saído para a guerra, enfrentou reis poderosos, resgatou seu sobrinho Ló e ainda recusou os bens do rei de Sodoma. Foi uma explosão de sentimentos, diversas decisões importantes ele teve que tomar e isso o deixou temeroso.
E é nesse contexto que Deus fala com ele:
“Não temas, Abrão, eu sou o teu escudo, o teu grandíssimo galardão.”
(Gênesis 15:1)
Quando Deus diz a Abrão “não temas”, conseguimos entender que Abrão tinha algum tipo de medo.
Não necessariamente um medo aberto, mas uma preocupação real depois de tudo o que ele viveu. E Abrão tinha motivos para temer afinal ele havia se exposto, enfrentado reis e recusado riquezas. Humanamente, havia riscos, muitos riscos.
Os reis que ele enfrentara eram reis poderosos e fortíssimos, tanto é que esses reis por onde passavam iam derrotando outros povos, derrotaram diversos gigantes, povos que também eram muito fortes e ainda sim Abrão os venceu.
Então Deus responde exatamente a Abrão sobre isso. Ele diz que é o seu escudo, ou seja, a sua proteção não dependia das circunstâncias mas do próprio Deus, e que Ele também era o seu galardão.
Deus estava dizendo a Abrão para não temer e enxergar o que ele já tinha em mãos: O próprio Deus para o proteger e o abençoar.
Mas Abrão responde ao Senhor com sinceridade, dizendo o que realmente estava no seu coração:
“Senhor Deus, que me hás de dar, se continuo sem filhos,
e o herdeiro da minha casa é o damasceno Eliézer?”
(Gênesis 15:2)
Ao chamar Deus de “Senhor Deus”, no hebraico Adonai YHWH, Abrão reconhece quem Deus é, o Senhor e soberano, mas ao mesmo tempo se abre de forma sincera e íntima.
Ao dizer isso, Abrão não estava negando tudo o que Deus já tinha feito por ele, mas era como se ele dissesse:
“De que adianta tudo isso, se ainda falta aquilo que sustenta a promessa?”
Abrão não tinha um filho. E isso mudava tudo.
Na falta de um herdeiro, o servo, Eliézer, o damasceno, era quem ocupava esse lugar dentro da sua casa. Na cultura da época, quando um homem não tinha descendência, era comum que um servo fiel se tornasse seu herdeiro. Isso indica que Eliézer não era um servo comum, mas alguém próximo, respeitado e inserido na estrutura íntima da casa.
O tempo estava passando e que, apesar da promessa, ela ainda não havia se cumprido.
Deus responde a Abrão e deixa bem claro para ele, dizendo que Eliézer não seria o seu herdeiro e que o seu herdeiro verdadeiro sairia dele mesmo, ou seja, seria do seu próprio sangue (Gênesis 15:4).
Como uma forma de exemplificar a promessa que Ele estava fazendo a Abrão, Deus pede para ele sair, provavelmente para fora da tenda e pede para Abrão olhar para os céus e contar as estrela. Obviamente Abrão não teria a capacidade de contá-las.

O exemplo que Deus dá, mostrando as estrelas no céu, é justamente para comparar o quão grande seria a descendência que viria do próprio Abrão, seria tão numerosa que assim como ele não pode contar as estrelas ele também não poderia contar a sua descendência (Gênesis 15:5).
Abrão não era perfeito. Ele tinha dúvidas, medos e limitações. Mas escolheu confiar em Deus acima das circunstâncias. O versículo 6 diz:
“E creu ele no Senhor, e imputou-lhe1 isto por justiça.“
(Gênesis 15:6)
Abrão creu em Deus, mesmo sem ver o cumprimento da promessa em sua vida, então Deus considerou essa fé enorme de Abrão como justiça. Não é justiça de tribunal humano mas é estar certo diante de Deus,é estar aprovado por Deus e estar em posição correta com Ele
Isso mostra que não são as obras que justificam o homem diante de Deus, mas a confiança verdadeira em Sua palavra.
A Promessa da Terra de Canaã feita a Abraão
A terra de Canaã, que corresponde à região onde atualmente está Israel, não foi uma conquista humana,
foi uma promessa de Deus.
Em Gênesis 15:7, Deus reafirma a Abrão quem Ele é e o que já havia feito:
“Eu sou o Senhor, que te tirei de Ur dos caldeus…
(Gênesis 15:7)
Antes de prometer, Deus lembra. Antes de falar do futuro, Ele fala o que fez no passado.
É como se Deus estava dizendo:
“Se eu te tirei de lá, posso te levar até o cumprimento da promessa.”
E então vem a declaração:
te tirei de Ur dos caldeus, para dar-te a ti esta terra, para herdá-la.“
(Gênesis 15:7)
ou seja, Deus estava prometendo a Abraão que a terra de Canaã seria dada a ele como herança.
Naquele momento, Abrão ainda não possuía terras, possuía bens, gados, servos mas terra não. Ele ainda era estrangeiro, caminhando por uma terra que ainda não era sua.
Mas Deus já chamava de herança aquilo que ainda não havia sido entregue.
Mas antes disso, Deus já havia prometido de entregar Canaã a Abraão:
- Gênesis 12:1-3: “Sai da tua terra… para a terra que eu te mostrarei.”
Aqui ainda não fala explicitamente “Canaã”, mas já é o começo da promessa. Deus já fala de uma terra específica, mesmo ainda não dizendo para Abraão qual terra era, Ele já sabia e já tinha um destino preparado para Abraão. - Gênesis 12:7: “À tua descendência darei esta terra.”
Quando Deus profere a promessa novamente no versículo 7, Abrão já estava em Canaã. E esse é o primeiro momento em que Deus promete, especificando qual era a terra e ampliando a promessa aos descendentes de Abrão. - Gênesis 13:14-15: “Toda esta terra que vês, eu ta darei, a ti e à tua descendência, para sempre.”
Deus reafirma, de uma forma mais forte, a promessa para Abrão depois que Ló se separa e escolhe a outra parte, os lados de Sodoma, e sobra a outra parte para Abrão.
Há um detalhe nessa promessa que não pode passar despercebido: “para sempre”. Deus não estava falando de algo passageiro. Ele estava estabelecendo uma herança que não teria fim.
Essa palavra atravessa gerações e chega até os dias atuais. O que foi prometido a Abrão não ficou preso ao passado, mas alcança os dias de hoje.
O território de Israel é dos filhos de Abraão e isso é promessa de Deus, pois Deus disse: para sempre.
A promessa feita a Abraão se estende até os dias atuais e dias futuros..
Como qualquer ser humano, Abrão questionou a Deus como aconteceria isso. A pergunta de Abrão não foi uma dúvida e nem sinal de incredulidade, pois vimos que nos versículos anteriores que está escrito que Abrão creu e isso lhe foi imputado por justiça, mas era um desejo de confirmação:
“Senhor Deus, como saberei que hei de herdá-la?”
(Gênesis 15:8)
Abrão, ao fazer essa pergunta, estava tentando entender o processo, ele não estava duvidando da promessa. Então, Deus o responde mas não apenas com palavras… Ele responde com um RITUAL DE ALIANÇA.
Então o Senhor pede a Abrão para trazer: uma novilha, uma cabra e um carneiro, todos com três anos de vida, e também uma rola e um pombinho (Gênesis 15:9). Isso era uma cerimônia de estabelecer um pacto de aliança na antiguidade, que acontecia da seguinte maneira:
Duas pessoas faziam uma aliança e, para oficializar esse pacto, pois afinal naquela época não existia cartório, selo, papel ou caneta, havia uma maneira de formalizar o compromisso: elas cortavam os animais ao meio, colocavam uma parte de frente à outra, e as duas partes do pacto caminhavam de mãos dadas por entre as carcaças, indo e voltando.
O que isso significava? Era como dizer: formamos uma aliança agora; quem quebrar essa aliança terá o mesmo destino dessas carcaças. Era um compromisso muito sério, quem quebrasse poderia ser morto por causa disso.
Abrão sabia exatamente o que aquilo significava…
Então, depois que Abrão posiciona os animais, algo estranho acontece… Abrão prepara tudo, corta os animais, exceto as aves, pois as aves voavam sobre os cadáveres, ele organiza o cenário da aliança.
E então… ele ESPERA.
As aves descem, Abrão as enxotam… o tempo passa, e o sol começa a se pôr…
E Deus ainda não apareceu (Gênesis 15:10-11).
Ao esperar, Abrão cai em um sono profundo (Gênesis 15:12), e o lugar fica extremamente escuro, e Deus lhe diz: “Você quer saber mesmo se eu vou cumprir? Vai acontecer o seguinte…”
Deus responde: “Eu vou cumprir, mas os seus descendentes irão para uma terra onde serão escravizados e depois voltarão após 400 anos. Isso vai acontecer e, quando acontecer, você saberá que essa promessa é verdadeira.”
E Deus diz mais ainda: “Na quarta geração, seus descendentes retornarão para cá, porque a maldade dos amorreus ainda não atingiu a medida completa.” O povo que voltar dessa terra será instrumento da justiça de Deus para acabar com todos aqueles povos que habitavam em Canaã, que, de forma obstinada, eram pecaminosos e maldosos.
Quando o sol se pôs e veio a escuridão, uma tocha de fogo e fumaça passou no meio daquelas metades, formalizando a aliança que Deus estava fazendo com Abrão, dizendo e confirmando:
“À tua descendência tenho dado esta terra, desde o rio do Egito até o grande rio Eufrates:
a terra dos queneus, dos quenezeus, dos cadmoneus, dos heteus,
dos perizeus, dos refains, dos amorreus,
dos cananeus, dos girgaseus e dos jebuseus.”
(Gênesis 15:18-21)
Aquele fogo indo e voltando entre os animais era a presença de Deus, mas só estava Deus, Abrão não estava.
O que isso queria dizer?
Que o compromisso que Deus estava firmando com Abrão era incondicional e unilateral. Deus, por si mesmo, estava garantindo o cumprimento de toda a aliança e assumindo integralmente a responsabilidade de cumpri-la.

Por isso Ele diz: Eu Sou…
Ele sozinho assina o contrato da aliança com Abrão.
Reafirmação da aliança
Anos depois, em Gênesis 17, Deus aparece novamente a Abrão e reafirma aquilo que já havia prometido.
Deus diz que estabeleceria uma aliança perpétua entre Ele e Abrão e sua descendência (Gênesis 17:7). Nesse momento, a promessa ganha ainda mais força: Deus muda o nome de Abrão para Abraão, que passa a significar pai de numerosas nações, mostrando que o cumprimento não dependeria apenas das circunstâncias humanas, mas daquilo que o próprio Deus havia determinado.
Além disso, Deus amplia novamente a promessa da terra:
“E te darei a ti, e à tua descendência depois de ti, a terra das tuas peregrinações,
toda a terra de Canaã, em perpétua possessão;
e serei o seu Deus.”
(Gênesis 17:8)
Deus fez a promessa à Abrão em Gênesis 12, depois reafirma em Gênesis 13, 15 e novamente em 17 como uma aliança perpétua.
Abrão Gera um Filho da Serva de Sara.
Agar (Hagar) era uma serva egípcia que pertencia a Sarai, mulher de Abrão (Gênesis 16:1). É bem provável que ela tenha sido “ganha” no período em que Abrão esteve no Egito (Gênesis 12), passando a fazer parte de sua casa nesse contexto.
Deus tinha prometido a Abrão que lhe daria um filho. Mas havia um detalhe que, humanamente, parecia impossível: Sarai era estéril.
Abrão e Sarai aguardam por aproximadamente 10 anos de espera, desde que Deus havia prometido mas nada acontecia e Sarai já estava avançando em idade.
Foi então que Sarai teve uma ideia. Uma tentativa de, talvez, “ajudar” Deus.
Ela então fez uma proposta para Abrão para se deitar com a sua serva egípcia Agar, para que, por meio dela, ele tivesse um filho e sem consultar a Deus, Abrão aceitou (Gênesis 16:2).
Agar engravida de Abrão, e aquilo que parecia uma solução se transforma em um grande conflito dentro da sua própria casa. Ao perceber que estava grávida, Agar passa a desprezar a sua senhora Sarai, gerando uma tensão crescente entre elas (Gênesis 16:4).
Diante dessa situação, Abrão se vê no centro de um conflito que nasceu de uma decisão tomada fora do tempo de Deus. Sarai vai reclamar com Abrão sobre como a sua serva Agar estava se comportando e como se sentia humilhada pela suas atitudes, Abrão não intervém para restaurar a ordem ou proteger a situação. Ele afirma que Agar continuava sendo serva de Sarai e entrega o controle nas mãos de sua esposa, permitindo que ela agisse como achasse melhor.
Essa postura de Abrão revela um homem que, diante do conflito, escolhe não agir. Sua omissão abre espaço para que a dureza de Sarai avance, e Agar passa a sofrer aflições de Sarai até não suportar mais permanecer ali.
Assim, a decisão de Abrão, seguida de sua falta de posicionamento, contribui diretamente para o sofrimento dentro da sua casa. O que começou como uma tentativa de resolver algo com as próprias mãos acaba gerando dor, desordem e consequências que poderiam ter sido evitadas (Gênesis 16:5-6).
Ao se sentir oprimida e humilhada por sua senhora Sarai, por estar grávida de Abrão e, de certa forma, receber mais atenção dele, Agar decide fugir e caminha pelo deserto (Gênesis 16:6).
Então um anjo do Senhor, aparece a Agar que estava fugindo e provavelmente voltando à sua terra natal, o Egito, pede a ela para voltar e se humilhar perante Sarai e faz uma grande promessa, que o filho dela com Abrão se chamará Ismael, porque Deus tinha ouvido a aflição dela e que ele seria um homem feroz e também seria uma grande nação, tão numerosa que não se podia contar.
O Nascimento de Ismael, o primogênito de Abrão
Agar ao ouvir as palavras do anjo, no poço Beer-Laai-Rói, decide obedecer. Ela volta para a sua senhora Sarai, e um pouco depois dá a luz um filho a Abrão.
Abrão se torna pai, pela primeira vez, aos 86 anos e assim como o anjo ordenara a Agar, Abrão coloca o nome na criança de Ismael (Gênesis 16:15-16).
Deus Muda o Nome de Abrão
Abrão, aos 99 anos de idade, é visitado novamente por Deus. Não sabemos exatamente em que forma Deus apareceu a ele mas disse:
“Abrão, Eu Sou o Deus Todo-Poderoso, anda em minha presença e sê perfeito.
E porei a minha aliança entre mim e ti, e te multiplicarei grandissimamente.”
(Gênesis 17:1-2)
Ao ouvir a voz de Deus, Abrão se prostra imediatamente diante colocando o rosto ao chão, como forma de submissão, temor e reconhecimento que Era o próprio Deus falando com ele. E Deus continua falando:
“Quanto a mim, eis a minha aliança contigo: serás o pai de muitas nações;
E não se chamarás mais o teu nome Abrão,
mas Abraão será o teu nome; porque por pai de muitas nações te tenho posto;
E te farei frutificar grandissimamente, e de ti farei nações, e reis sairão de ti;
E estabelecerei a minha aliança entre mim e ti
e a tua descendência depois de ti em suas gerações,
por aliança perpétua, para te ser a ti por Deus, e à tua descendência depois de ti.
E te darei a ti e à tua descendência depois de ti,
a terra de tuas peregrinações, toda a terra de Canaã em perpétua possessão
e ser-lhe-eis o seu Deus.”
(Gênesis 17:4-8)
Nesse exato momento, Deus muda o nome de Abrão para Abraão, acrescentando uma letra ao seu nome. Em português, parece que Deus acrescentou um “A”, mas, tecnicamente, no hebraico, a letra acrescentada foi ה (he), transformando Avram (אַבְרָם) em Avraham (אַבְרָהָם) (Gênesis 17:5).
Abrão (אַבְרָם – Avram) → Abraão (אַבְרָהָם – Avraham)
Por que Deus Mudou o Nome de Abrão?
Existe uma explicação bíblica e teológica para entendermos o motivo que fez Deus mudar o nome de Abrão para Abraão? Sim, e de forma resumida vou te explicar:
Primeiro, vamos entender o que Deus disse:
“Não te chamarás mais Abrão, mas Abraão será o teu nome;
porque por pai de numerosas nações te tenho posto.”
(Gênesis 17:5).
Na própria fala, Deus já explica o motivo: Abraão será pai de muitas nações. A mudança do nome está ligada à promessa e ao novo papel que Deus está dando a ele.
1 – Mudança de nome como sinal de nova identidade
Vemos na Bíblia diversos casos de pessoas que tiveram o seu nome mudado e modificar o nome, geralmente, é um marco para mudança de chamado ou propósito.
Exemplos:
- Jacó → Israel (Gn 32:28) → de enganador para aquele que luta com Deus.
- Simão → Pedro (Mt 16:18) → pedra.
- Saulo → Paulo (Atos 13:9).
Ao ter os seus nomes modificados, eles estavam recebendo a declaração de uma nova realidade.
No caso de Abrão:
- Antes: Abrão (Avram) costuma ser entendido como algo próximo de “pai exaltado”.
- Depois: Abraão (Avraham) tradicionalmente é associado a “pai de muitas nações” (o próprio versículo faz essa conexão).
O interessante é que até aquele momento Abrão ainda não tinha o filho prometido, ele já tinha Ismael, mas ainda não era o filho da promessa. Mas Deus já estava chamando-o pelo nome do que ele ainda não era.
2 – Mudança de nome dentro da aliança
Em Gênesis 17, Deus não só muda o nome de Abrão mas Ele se apresenta como Deus Todo-Poderoso (El-Shaddai) e reafirma a promessa, pela 4ª vez o Senhor confirma o que já tinha dito e prometido.
Além da mudança de nome, nesse mesmo contexto, Deus estabelece a circuncisão que será utilizada como sinal da aliança que Deus tinha feito com ele e toda a sua descendência (Gênesis 17:11).
E foi nesse mesmo dia que Deus trocou também o nome de Sarai, sua esposa, para Sara (Gênesis 17:15).
Ao ler todos esses versículos em Gênesis 17, chego a conclusão que um novo nome a Abrão faz parte da formalização da aliança, como se Deus dissesse: Abraão, você não será mais definido pela sua história até aqui mas pela promessa que Eu estou estabelecendo com você.
3 – Existe uma interpretação judaica a respeito da mudança do nome de Abrão
Alguns judeus observam que Deus acrescenta ao nome de Abrão a letra ה (he). Essa letra aparece não apenas na mudança de nome do Abrão mas também de Sarai, veja:
Avram → Avraham
Sarai → Sarah
Alguns judeus entendem isso como um símbolo da presença e agir de Deus entrando na história deles, essa crença é antiga e conhecida em seu meio.
Abraão Ri Diante da Promessa de Deus
Quando Deus mudou o nome de Sarai para Sara, também revelou o futuro que ela teria e algo impossível aos olhos humanos principalmente naquela época para uma mulher estéril. O Senhor declarou a Abraão que Sara seria grandemente abençoada, que dela nasceria um filho e que, por meio desse filho, surgiriam nações e reis. Aquela mulher, que por tantos anos carregara a dor da esterilidade, seria a mãe de multidões (Gênesis 17:15-16).
Quando Abraão ouviu essas palavras, prostrou-se com o rosto em terra e riu. Em seu íntimo, tentava compreender o que acabara de ouvir e ficou pensando:
“Afinal, como um homem de 100 anos poderia gerar um filho?
E como Sara, aos noventa anos, poderia conceber?”
(Gênesis 17:17)
Ao ler esse versículo me faz entender que Abraão ainda não conseguia compreender plenamente que Deus pretendia cumprir Sua promessa por um caminho muito além da lógica humana.
Então, Abraão pensa em Ismael e praticamente pergunta a Deus se não seria mais simples cumprir a promessa por meio dele, já que Ismael já existia. Aos olhos humanos, essa parecia a solução mais lógica. Afinal, Ismael era seu filho, estava vivo, crescendo e já fazia parte de sua família.
Deus diz que não. Não era Ismael mas que Sara geraria o seu próprio filho e que Abraão deveria colocar o seu nome de Isaque e com ele Deus estabelecerá uma aliança perpétua para os seus descendentes (Gênesis 17:18-19).
A respeito de Ismael, Deus diz que o abençoará e que ele será multiplicado grandissimamente e que ele gerará 12 príncipes e a partir dele Deus fará uma grande nação (Gênesis 17:20).
Vemos o registro do cumprimento dessa promessa logo nos capítulos avante, anos depois, em Gênesis 25:12-13 que diz que Ismael teve 12 filhos: Nebaiote; depois Quedar, Adbeel, Mibsão, Misma, Dumá, Massá, Hadade, Tema, Jetur, Nafis e Quedemá, os 12 filhos de Ismael se tornaram chefes de tribos e clãs.
Mas Deus torna a dizer que a aliança Dele seria estabelecida com Isaque, filho que Sara geraria naquele tempo determinado por Deus, no próximo ano (Gênesis 17:21).
A Primeira Circuncisão da História Bíblica
Abraão foi o primeiro homem da história bíblica a ser circuncidado. Em diversas passagens , podemos observar que Deus costuma deixar um sinal como símbolo da aliança que faz com uma pessoa ou com um povo.
Ao fazer uma aliança com Abraão, e com o propósito de estabelecê-la de forma perpétua também com seus descendentes, Deus ordena que todos os homens da tribo sejam circuncidados. A circuncisão consistia na retirada do prepúcio do órgão genital masculino e seria uma forma de demonstrar que eles guardavam a aliança feita com Deus.
Todos os homens deveriam ser circuncidados, assim como os meninos aos oito dias de vida. A ordem também se estendia aos servos e aos estrangeiros que passassem a fazer parte do grupo de Abraão (Gênesis 17:10:13).
Os primeiros homens da história a serem circuncidados, todos no mesmo dia, foram: Ismael, filho de Abraão, aos 13 anos de idade; todos os homens que pertenciam ao povo de Abraão; os servos; os estrangeiros que habitavam com ele; e o próprio Abraão, que foi circuncidado aos 99 anos (Gênesis 17:23-27).
Aquele que rejeitasse a circuncisão seria considerado incircunciso. Isso significava que havia quebrado a aliança com Deus e, por esse motivo, deveria ser retirado do meio do povo (Gênesis 17:14).
É importante sabermos que, embora Abraão tenha sido o primeiro homem mencionado na Bíblia a ser circuncidado por ordem de Deus, a prática da circuncisão provavelmente já existia entre outros povos da antiguidade. Existem registros históricos e arqueológicos que indicam que ela era realizada no antigo Egito muitos séculos antes da época de Abraão, além de ser praticada por outros povos da África e do Oriente Próximo por motivos religiosos, culturais, sociais ou como rito de passagem para a vida adulta.
O que torna a circuncisão de Abraão única não é necessariamente o ato físico em si, mas o significado que Deus atribuiu a ela. Em Gênesis 17, a circuncisão passa a ser o sinal visível da aliança entre Deus, Abraão e seus descendentes. Por isso, Abraão foi o primeiro homem mencionado nas Escrituras a receber a circuncisão como sinal da aliança com Deus, dando início àquilo que se tornaria uma marca distintiva do povo da aliança.
A Visita dos Três Homens a Abraão
O Senhor apareceu a Abraão nos carvalhais de Manre, quando ele estava sentado à entrada de sua tenda, no calor do dia. Ao levantar os olhos, viu três homens diante dele. Assim que os avistou, correu ao encontro deles e se prostrou em sinal de respeito e hospitalidade (Gênesis 18:1-2).
Ao receber os visitantes, Abraão demonstrou grande respeito e hospitalidade. Ele pediu que não passassem adiante sem antes descansar um pouco em sua tenda. Também ofereceu água para que pudessem lavar os pés da poeira da caminhada e descansar à sombra das árvores antes de seguirem viagem (Gênesis 18:3-4).
Abraão se apressou em preparar tudo para os visitantes, foi até Sara que estava na tenda, e pediu para que ela amassasse três medidas de flor de farinha e fazer bolos para eles. A flor de farinha era considerada uma farinha de qualidade superior, separada das partes mais grossas e impurezas do grão. Por esse motivo, era frequentemente utilizada em refeições especiais, ofertas e ocasiões importantes.
Enquanto Sara preparava os bolos, Abraão foi até onde as vacas pastavam e separou uma vitela tenra e boa pois se tratava de um animal jovem, cuja carne é mais macia e apreciada para alimentação, ou seja, escolheu o melhor para os visitantes e pediu para um dos seus servos prepara-la.
Abraão montou uma mesa farta com tudo o que tinha preparado, os bolos, a vitela, manteiga, leite, em baixo da árvore onde os visitantes repousavam, e comeram (Gênesis 18:5-8).
Como os anjos puderam comer e beber?
Estudiosos entendem que os visitantes apareceram a Abraão em forma humana. Mais adiante, a Bíblia identifica dois deles como anjos (Gênesis 19:1), enquanto o terceiro é apresentado na narrativa como o próprio Senhor falando com Abraão.
Mesmo sendo seres celestiais, eles aceitaram a refeição preparada por Abraão. O texto afirma claramente que comeram o pão, o novilho, o leite e a manteiga que lhes foram servidos (Gênesis 18:8).
Embora a Bíblia não explique como isso aconteceu, entendemos que Deus pode permitir que seres espirituais assumam uma forma física quando desejam cumprir uma missão entre os homens. Nessa condição, eles podem interagir normalmente com o mundo material, sendo vistos, tocados e até mesmo participando de uma refeição.
A aparição desses homens nos mostra que Deus pode se manifestar de maneiras extraordinárias, muitas vezes ultrapassando aquilo que conseguimos compreender. O foco da narrativa, porém, não está em explicar a natureza física dos visitantes, mas em revelar a hospitalidade de Abraão, a comunhão com Deus e a confirmação da promessa que mudaria a história de sua descendência.

Sara ri
Enquanto estavam ali à mesa, comendo e conversando, perguntaram a Abraão onde estava Sara, e ele respondeu que ela estava na tenda. Então eles profetizaram a Abraão, dizendo que Sara teria um filho. Mas, enquanto a conversa acontecia, Sara não estava dentro da tenda ocupada com seus afazeres. Ela estava escondidinha à porta, escutando toda a conversa dos homens. Ao ouvi-los dizer que ela teria um filho, riu consigo mesma, sem acreditar no que estava ouvindo, e pensou: “Como pode acontecer isso, sendo eu e meu marido tão velhos?” (Gênesis 18:9-12).
Mesmo sem vê-la, aqueles homens sabiam que Sara estava ali. Eles também sabiam que, em seu coração, ela havia duvidado e questionado a promessa de Deus. Então perguntaram a Abraão por que Sara havia rido, duvidando que Deus pudesse lhe dar um filho, mesmo sendo ela e Abraão já idosos (Gênesis 18:13-14).
Um dos homens então faz a Abraão uma pergunta:
“Haveria alguma coisa difícil para Deus?”
E afirma, no tempo certo voltarei e Sara terá um filho.
Percebendo que seu nome havia sido mencionado, Sara negou que tivesse rido, pois estava com medo. Mal sabia ela que aqueles homens eram anjos do Senhor e conheciam toda a verdade. Imediatamente, um deles a corrigiu, dizendo que não mentisse, porque ela realmente havia rido (Gênesis 18:15).
Depois disso, aqueles homens partiram em direção a Sodoma, e Abraão os acompanhou por um trecho do caminho.
Deus avisa Abraão que Destruirá Sodoma e Gomorra
Deus Anuncia a Destruição de Sodoma e Gomorra
Abraão recebeu os três homens com um grande banquete. Durante a visita, recebeu a promessa de que ele e Sara teriam um filho. Logo após o episódio em que Sara riu, duvidando do que havia ouvido, aqueles homens partiram dali e olharam em direção a Sodoma e Abraão ia com eles, acompanhando-os (Gênesis 18:1-16).
Antes de seguirem viagem, o Senhor decidiu revelar a Abraão aquilo que estava prestes a fazer. Deus declarou que não ocultaria Seu propósito de Abraão, daquele que seria o pai de uma grande e poderosa nação, por meio de quem todas as nações da terra seriam abençoadas. Além disso, afirmou que havia escolhido Abraão porque sabia que ele ensinaria seus filhos e toda a sua descendência a guardar o caminho do Senhor, praticando a justiça e o juízo. Foi por esse motivo que Deus compartilhou com Abraão o julgamento que estava prestes a executar sobre Sodoma e Gomorra. (Gênesis 18:17-19).
Então o Senhor revelou a Abraão que o clamor contra Sodoma e Gomorra havia se multiplicado e que o pecado de seus habitantes era muito grave.
“Porquanto o clamor de Sodoma e Gomorra se tem multiplicado,
e porquanto o seu pecado se tem agravado muito.”
(Gênesis 18:20)
Por isso, declarou que desceria para verificar se as obras daquelas cidades correspondiam ao clamor que havia chegado até Ele. Depois dessa declaração, os dois homens partiram em direção a Sodoma, enquanto Abraão permaneceu na presença do Senhor. (Gênesis 18:20-22).
Abraão intercede
Após Deus revelar a Abraão que destruiria as cidades de Sodoma e Gomorra, Abraão demonstrou grande preocupação, pois seu sobrinho Ló e sua família moravam naquela região. Com profundo respeito e reverência, ele aproximou-se de Deus para interceder pelas cidades, questionando se seria justo destruir os justos juntamente com os ímpios. Abraão sabia da justiça de Deus e, por isso, iniciou um diálogo humilde, pedindo que o Senhor poupasse as cidades caso nelas houvesse pessoas justas.
Abraão faz esse diálogo com Deus através de perguntas e a primeira foi:
“Destruirás também o justo com o ímpio?“
(Gênesis 18:23)
Abraão muito preocupado e de forma respeitosa, argumenta que destruir a cidade indiscriminadamente, caso ainda houvesse pessoas justas nela, não estaria de acordo com a perfeita justiça do Senhor. Então inicia uma série de perguntas, apelando para a misericórdia divina:
“Senhor, se na cidade houver cinquenta justos, ainda assim Tu a destruirás?
Não pouparás aquele lugar por amor aos cinquenta justos que nele habitam?”
(Gênesis 18:24)
Assim, Abraão inicia sua intercessão por Sodoma, não para justificar a maldade dos ímpios, mas para que os justos não fossem atingidos pelo mesmo juízo.
Abraão faz a pergunta e, em seguida, ele mesmo responde o que considera impossível. Ele demonstra uma grande confiança no caráter de Deus, afirma que o Senhor jamais faria algo contrário à Sua própria justiça, como destruir o justo juntamente com o ímpio, tratando ambos da mesma maneira. Então ele conclui sua argumentação:
“Não fará justiça o Juiz de toda a terra?”
(Gênesis 18:25)
Com essa pergunta, Abraão não estava duvidando da justiça de Deus. Pelo contrário, estava fundamentando sua intercessão justamente na certeza de que Deus é perfeitamente justo e sempre age de acordo com esse atributo.
Então Deus responde:
“Se eu em Sodoma achar cinquenta justos dentro da cidade,
pouparei a todo o lugar por amor deles.“
(Gênesis 18:26)
Abraão ouve a resposta de Deus e reconhece diante Dele o quanto ele é pequeno e frágil, admitindo que ele é apenas “pó e cinza”, mas mesmo assim, sendo tão pequeno e consciente da sua insignificância diante de Deus o Todo-Poderoso, criador de todas as coisas, Abraão com muita coragem continua intercedendo e ele mesmo diz que se atreve a continuar perguntando:
“Se porventura de cinquenta justos faltarem cinco, destruirás por aqueles cinco toda a cidade?“
(Gênesis 18:28)
Então Deus responde que não destruirá se Ele encontrar 45 justos naquele lugar.
Provavelmente, ao ouvir a resposta de Deus, Abraão deve ter se perguntado a si mesmo: “E se não houver quarenta e cinco justos naquela cidade?” Seu sobrinho Ló e sua família moravam em Sodoma, e essa possibilidade certamente tornava a situação ainda mais preocupante para ele. Talvez por isso Abraão continue reduzindo o número de justos, buscando compreender até que ponto a misericórdia de Deus pouparia a cidade.
Então Abraão pergunta novamente: “Se porventura se acharem ali quarenta?“ (Gênesis 18:29)
E Deus responde que por amor aos 40, Ele não destruiria.
Uma observação interessante é que Deus afirma que pouparia toda a cidade por causa de quarenta justos. Ou seja, até mesmo os ímpios seriam beneficiados pela presença dos justos. Isso mostra que a bênção de Deus sobre os justos pode alcançar aqueles que estão ao seu redor.
Abraão continua perguntando: “Se porventura se acharem ali trinta?“ (Gênesis 18:30)
E Deus responde que não destruiria se houvesse 30 justos.
Abraão percebe que está exagerando na quantidade de perguntas mas ele mesmo identifica isso como um atrevimento da parte dele em perguntar tanto a Deus, mas ainda sim insiste e pergunta novamente:
“Se porventura se acharem ali vinte?“ (Gênesis 18:31)
E Deus, mais uma vez, responde que não destruiria por amor aos 20.
Com receio, Abraão pede ao Senhor para não se irar, pois ele percebe o quanto está sendo inconveniente com tantas perguntas, e promete que é a última vez que ele pergunta:
“Se porventura se acharem ali dez?“ (Gênesis 18:31)
Deus responde que por amor aos 10 não destruiria.
Então o Senhor se retira de diante de Abraão e Abraão volta para a sua tenda.
Abraão vê Sodoma e Gomorra sendo destruídas
Abraão levantou-se de madrugada e foi até o local onde ele tinha preparado o banquete para o Senhor e os visitantes, nos carvalhais de Manre, e olhou em direção às cidades de Sodoma e Gomorra e avistou uma fumaça da terra que subia como uma fornalha de fogo (Gênesis 19:27-28).
Deus resolveu poupar Ló porque atendeu ao pedido de Abraão, que intercedeu insistentemente pelos justos que poderiam estar em Sodoma, pensando, certamente, em seu sobrinho Ló e em sua família.
Quando Deus destruiu as cidades da campina, em Gênesis 19:29 diz que Deus lembrou-se de Abraão e tirou Ló do meio da destruição. Ou seja, antes que o juízo fosse executado, Deus retirou Ló e sua família de Sodoma.
Isso aconteceu porque Deus atendeu ao pedido de Abraão, que intercedeu insistentemente pelos justos que poderiam estar em Sodoma, pensando, certamente, em seu sobrinho Ló e em sua família.
O Altares de Abraão
A primeira vez que é mencionado que Abraão edifica um altar ao Senhor ocorre quando ele já havia entrado na terra de Canaã. Em Siquém, junto ao carvalho de Moré, ele edifica ali um altar a Deus.
A segunda vez acontece após sair de Siquém, quando Abraão arma a sua tenda entre Betel e Ai e, nesse lugar, edifica novamente um altar ao Senhor.
A terceira vez, após ser expulso do Egito, ele retorna ao mesmo local onde tinha construído um altar anteriormente, entre Betel e Ai, e invoca o nome do Senhor (Gênesis 13:3-4).
Os israelitas chamam Abraão de pai Abraão
Em diversas passagens bíblicas, vamos nos deparar com Abraão sendo chamado de pai, mesmo centenas de anos depois que ele morreu. Isso se deve porque Abraão foi o primeiro homem a quem Deus fez uma promessa que abençoaria ele e ele seria pai de muitas nações: “Este é o pacto que faço contigo: serás o pai de uma multidão de povos. De agora em diante não te chamarás mais Abrão, e sim Abraão, porque farei de ti o pai de uma multidão de povos. Tornar-te-ei extremamente fecundo, farei nascer de ti nações e terás reis por descendentes.” (GEN 17:4-6)
Exemplo DEUT 6:10 que Moisés fala ao povo sobre a terra prometida que eles entrariam que é a terra que Deus jurou a dar aos pais dele Abraão, Isaac e Jacó, que também são chamados de pai.
Alguns versículos bíblicos onde citam que Abraão era pai dos israelitas: DEUT 29:13;
(em construção)
| Abraão |
|---|
| Nome | Abraão (em hebraico: אַבְרָהָם – Avrahám; originalmente Abrão – אַבְרָם Avrám) |
| Anos de Vida | 175 anos (Gênesis 25:7) |
| Época de Vida | Pós-Dilúvio (período patriarcal; fase de consolidação dos povos e das promessas divinas) |
| Local de Criação | Ur dos Caldeus (Mesopotâmia) |
| Local de Morte | Canaã |
| Onde está seu túmulo | Caverna de Macpela, em Hebrom (comprada por Abraão como sepultura familiar – Gênesis 23) |
| Esposa (s) | Sara (principal); Quetura (após a morte de Sara) |
| Filhos | 8 filhos mencionados |
| Nome dos Filhos | Isaque (com Sara); Ismael (com Agar); Zinrã, Jocsã, Medã, Midiã, Isbaque e Suá (com Quetura) |
| Pai | Terá |
| Mãe | não é mencionada |
| Ascendência | Sem > Arfaxade > Selá > Éber > Pelegue > Reú > Serugue > Naor >Terá |
| Descendentes principais | Isaque (linha da promessa); Ismael (pai de grandes nações árabes) |
| Profissão | Pastor nômade (criador de gado) |
| Eventos importantes | Chamado por Deus para sair de Ur; aliança divina; promessa de uma grande nação; mudança de nome; nascimento de Isaque; sacrifício simbólico de Isaque; compra da Caverna de Macpela; considerado “pai da fé” (Gênesis 12–25). |
Referências Bíblicas:
- GEN 11:26 – Terá começou a gerar filhos aos 70 anos de idade, gerou a Abraão, Naor e Harã.
- GEN 11:27 – Fala das gerações de Terá, que gerou Abraão, Naor e Harã; e Harã foi pai de Ló.
- GEN 11:29 – Abrão toma a Sarai por mulher
- GEN 11:30 – Relato que Sarai (Sara) era estéril, não tinha filhos
- GEN 11:31 – Relato de Terá quando saiu de Ur dos Caldeus, pegou Abrão,
Sarai e Ló em destino à Canaã mas parou na cidade de Harã e habitou ali. - GEN 12:1 – Deus ordena a Abrão a sair da terra de Harã em direção a uma terra que Deus lhe mostraria
- GEN 12:2 – Deus faz as primeiras promessas a Abraão que ele seria muito abençoado e que a partir de Abraão Deus faria uma grande nação
- GEN 12:4-5 – Abrão sai de Harã, juntamente com o seu sobrinho Ló, esposa Sarai, servos e servas e todos os bens que ele tinha que fora adquiridas em Harã, para uma terra que Deus o mostraria: terra de Canaã. O vers. 5 diz que eles chegaram à Canaã.
- GEN 12:6 – Quando Abrão chegou à terra de Canaã, os cananeus já habitavam ali.
- GEN 12:7 – Foi no carvalho Moré que Deus falou com Abrão pela segunda vez, dizendo que daria a terra de Canaã para os seus descendentes e ele edificou um altar a Deus, alí no carvalho Moré.
- GEN 12:8 – Primeira vez que Ai e Betel é mencionado nas escrituras, quando Abraão saiu de Siquém e se estabeleceu na região montanhosa entre Betel e Ai, pela segunda vez, Abraão faz um altar ao Senhor.
- GEN 12:9 – Registra a saída de Abraão do local entre Betel e Ai, onde havia armado a sua tenda, seguindo em direção ao sul.
- GEN 12:10-20 – A primeira menção do Egito nas Escrituras, ocorreu quando Abraão foi até o Egito pois em Canaã havia fome. Abraão desce ao Egito e pede para contarem que Sara era sua irmã para que os egípcios não o matassem.
- GEN 13:1 – Registro da direção que Abrão teve após ser expulso do Egito, subiu em direção ao Sul juntamente com sua mulher, sobrinho Ló e com tudo o que tinha.
- GEN 13:2 – Abrão era rico. Tinha muito gado, ouro e prata.
- GEN 13:3-4 – Abrão retorna ao mesmo local onde tinha construído um altar ao Senhor, entre Betel e Ai, e invoca novamente o nome Dele.
- GEN 13:5 – Ló, que acompanhava Abrão, tinha tendas, rebanhos e gado.
- GEN 13:6-7 – A prosperidade em gado e rebanhos para Abrão e Ló tinha crescido tanto que, ficou insustentável eles continuarem a viverem juntos e os pastores de Abrão e Ló começaram a brigar.
- GEN 13:8-9 – A fim de evitar mais contendas, pois Abrão considerava Ló como irmão, ele propõe a Ló de se separarem e o permite ficar a vontade para escolher o lado que ele queria ir.
- GEN 13:12 – Após a separação com Ló, Abrão habita em Canaã.
- GEN 13:14-17 – Após a partida de Ló, Deus faz promessas a Abraão e promete dar toda a terra de Canaã a ele e a todos os seus descendentes.
- GEN 13:18 – Abrão muda as suas tendas e vai habitar nos carvalhais de Manre que estão junto ao Hebrom e edifica um altar ao Senhor.
- GEN 14:12 – Ló, sobrinho de Abrão, é levado cativo pelo exército de Quedorlaomer e seus aliados.
- GEN 14:13 – Menção que Manre e seus irmãos Escol e Aner eram aliados de Abrão quando ele estava em Canaã
- GEN 14:14 – Abrão reuniu 318 homens, servos seus, e foi atrás do exército de Quedorlaomer com o propósito de resgatar Ló, e os perseguiu até Dã.
- GEN 14:15 – Abrão perseguiu o exército e os feriu o exército
- GEN 14:16 – Ló, sua família e seus bens, foram resgatados por Abrão.
- GEN 14:18 – Primeira menção de Melquisedeque na Bíblia. Ele traz pão e vinho para Abraão, no Vale de Savé e é mencionado como sacerdote do Deus Altíssimo.
- GEN 14:19 – Melquisedeque abençoa a Abraão
- GEN 14:20 – Abraão entrega a Melquisedeque o dízimo de tudo.
- GEN 14:21-22 – O rei de Sodoma, Bera, pede a Abrão as pessoas que ele resgatou na batalha contra os reis, e oferece como recompensa todos os bens que Abrão recuperou. Abrão recusa para que no futuro, ninguém venha dizer que Bera o enriqueceu.
- GEN 14:24 – Abrão sugere ao rei de Sodoma, Bera que ao invés de recompensá-lo, que recompensasse a Aner, Escol e Manre, que foram aliados na batalha e ajudou no resgate das pessoas e do bens.
- GEN 15:1 – Deus acalma Abrão.
- GEN 15:2-3 – Abrão questiona a Deus a respeito do filho que ele não tinha para ser o seu herdeiro e diz a Deus que provavelmente Eliézer, o seu servo, seria o seu herdeiro.
- GEN 15:4 – Deus responde a Abrão dizendo que Eliézer não será o seu herdeiro, mas o herdeiro será alguém que virá dele mesmo.
- GEN 15:5-6 – Deus pede a Abrão sair para fora e contar as estrelas, se fosse possível contar, e promete que assim seria a sua descendência. Abrão crê e isso lhe foi imputado como justiça.
- GEN 15:7 – Abrão questiona a Deus em como ele saberia que herdaria a terra que Ele estava prometendo.
- GEN 15:9-11 – Deus pede a Abrão para pegar alguns animais e a fim de fazer um pacto com ele. Abrão faz exatamente como o Senhor pediu.
- GEN 15:12-16 – Abrão espera por Deus para fazerem o pacto e cai em um sono profundo e uma escuridão no local. Deus fala novamente com Abrão sobre o futuro dos seus descendentes que eles peregrinariam por aquela terra por um tempo e seriam levados como escravos por 400 anos e que depois sairiam com grande riqueza, mas que Abrão não veria isso acontecer, Deus diz que ele será sepultado em paz na boa velhice. Deus diz que a 4ªgeração ocuparia a terra de Canaã, pois os amorreus precisariam ser justiçados.
- GEN 15:17-21 – Deus faz a aliança com Abrão para selar a promessa que ele herdaria a terra prometida. Um forno de fumaça e uma tocha de fogo passaram pelo meio dos animais que Abrão tinha cortado ao meio e confirma que Deus daria a descendência de Abrão aquela terra desde o rio do Egito até o grande rio Eufrates e todos os moradores dali entregaria na mão deles.
- GEN 16:2 – Sarai propõe a Abrão para se deitar com Agar, sua serva, para poderem ter um filho.
- GEN 16:3 – Sarai entrega a sua serva Agar a Abrão para se deitar com ela para que pudessem engravidar, isso ocorre 10 anos depois que Abrão já estava habitando em Canaã.
- GEN 16:4 – Agar fica grávida de Abrão.
- GEN 16:5 – Sarai expõe a Abrão o ciúmes por Agar estar sendo tratada bem por ele, se sentiu menosprezada.
- GEN 16:6 – Abrão, diante do conflito, escolhe não se posicionar e entrega a situação nas mãos de Sarai, que a oprime fazendo com que Agar fugisse.
- GEN 16:15-16 – Abrão tinha 86 anos quando o seu primogênito, filho com Agar, nasceu e colocou o seu nome de Ismael.
- GEN 17:1-2 – Aos 99 anos de idade, Abrão recebe novamente a visita de Deus que diz a ele para andar em sua presença e ser perfeito. E que colocaria a aliança entre eles e o multiplicaria muitíssimo.
- GEN 17:3 – Abrão se prostra com o rosto em terra reconhecendo que era Deus falando com ele.
- GEN 17:4-5 – Deus muda o nome de Abrão para Abraão e confirma a promessa que já tinha feito a ele, que Abraão será pai de muitas nações, e que reis e nações sairiam a partir de Abraão e ele será um homem muito próspero.
- GEN 17:6-8 – Deus reafirma a promessa de aliança e de benção a Abraão e seus descendentes dizendo que ele será muito próximo e pai de muitas nações, e a aliança que estava sendo estabelecida era entre Deus e ele de forma perpétua, assim como a posse da terra de Canaã.
- GEN 17:9 – Deus ordena a Abraão juntamente com os seus descendentes a guardar a aliança que Deus estava fazendo com ele e institui a circuncisão como sinal (físico) da aliança.
- GEN 17:10 – Deus diz a Abraão que todo homem entre eles deverá ser circuncidado.
- GEN 17:11-12 – Deus dá instruções a Abraão de como deveria ser feita a circuncisão e quem deveria ser circuncidado.
- GEN 17:13 – Deus instrui a Abraão quem deveria ser circuncidado.
- GEN 17:14 – Deus diz a Abraão as consequências para quem rejeitasse a circuncisão, os incircuncisos.
- GEN 17:15-16 – Deus diz a Abraão que Sarai não mais deveria ser chamada de Sarai, mas que a partir daquele momento o nome dela seria Sara. E Explica o motivo da mudança de nome dela porque ela será mãe de muitas nações.
- GEN 17:17 – Abraão riu, no seu intimo, ao ouvir e pensar na possibilidade dele ser pai aos 100 anos e Sara engravidar aos 90 anos.
- GEN 17:18 – Abraão “riu, no seu intimo, ao ouvir e pensar na possibilidade dele ser pai aos 100 anos e Sara engravidar aos 90 anos.”sugere” a Deus cumprir a promessa através da vida de Ismael, imaginando que seria mais fácil.
- GEN 17:19-20 – Deus responde a Abraão que não, a aliança Dele não seria estabelecida com Ismael mas sim com o filho que Sara geraria e que ele deveria colocar o nome na criança de Isaque, mas também faz promessas sobre a vida de Ismael.
- GEN 17:21 – Deus estabelece a Abraão o tempo em que Sara engravidaria: o próximo ano.
- GEN 17:23-27 – Abraão circuncida a Ismael e a todos os nascido de sua casa, os servos e todos os homens que habitavam ali, Abraão foi circuncidado no mesmo dia.
- GEN 18:1-2 – Abraão foi visitado pelo Senhor, através de 3 homens, quando ele estava assentado a porta da tenda nos carvalhais de Manre.
- GEN 18:3-5 – Abraão conversa com os 3 homens, oferece água para lavar os pés deles, um canto para descansarem e também oferece pão. E eles aceitam.
- GEN 18:6-7 – Abraão pede a Sara para fazer bolos para oferecer aos homens e separa uma vitela e mede para um dos seus servos prepara-la.
- GEN 18:11 – O texto enfatiza que Abraão e Sara eram avançados em idade e Sara estava na menopausa.
- GEN 18:13-14 – Os homens questionam o por que Sara estava duvidando rindo em seu coração sobre o que eles tinha dito dela ter um filho. E pergunta a ele se haveria alguma coisa difícil para Deus.
GEN 18:16 – Quando os três homens terminam o banquete com Abraão, eles saem dali olhando em direção a Sodoma e Abraão os acompanha. - GEN 18:17-18 – Deus diz que não ocultará a Abraão o que Ele pretendia fazer com Sodoma e Gomorra, pois Abraão seria pai de uma grande nação.
- GEN 18:19 Deus afirmou que havia escolhido Abraão porque sabia que ele ensinaria seus filhos e toda a sua descendência a guardar o caminho do Senhor, praticando a justiça e o juízo.
- GEN 18:22 – Os dois homens, que eram anjos, saem em rumo à Sodoma. Abraão não os acompanha, fica ali com o Senhor.
- GEN 19:27-28 – Abraão se levanta de madrugada e vê as cidades de Sodoma e Gomorra sendo destruídas.
- GEN 19:29 – O texto diz que o Senhor se lembrou de Ló por causa de Abraão.
- DEUT 1:8 – referente a quando Deus falou ao povo através de Moisés para que avancem para a terra prometida, a terra que o Senhor jurou ao pai dos israelitas Abraão, Isaque e Jacó, pois eles estavam tempo demais parados no monte Horebe.
- DEUT 6:10 – Abraão é chamado de pai dos israelitas por Moisés
- DEUT 9:27 – Abraão é citado por Moisés em uma oração de súplica a Deus para que Ele não destruísse os israelitas.
- DEUT 29:13 – Moisés relembra à nova geração de israelitas que eles deveriam guardar as palavras da aliança para que Deus cumpra o que prometeu aos seus pais Abraão, Isaque e Jacó Dele ser o Deus deles e eles o povo de Deus.
- DEUT 30:20 – Moisés diz ao povo que eles terão vida longa na terra que o Senhor prometeu a Abraão, Isaque e Jacó, se eles amarem e obedecerem a Deus.
- DEUT 34:4 – Deus mostrando a Terra Prometida a Moisés, vista quando ele subiu ao Monte Nebo, a terra que foi prometida a Abraão, Isaque e Jacó.