Gênesis 19 relata um dos acontecimentos mais marcantes do Antigo Testamento: a destruição de Sodoma e Gomorra.
No capítulo anterior, o Senhor revelou a Abraão que o clamor contra aquelas cidades havia chegado até Ele e permitiu que Abraão intercedesse pelos seus habitantes. Agora, o texto mostra o cumprimento daquilo que Deus havia anunciado.
Dois anjos chegam a Sodoma ao entardecer e são recebidos por Ló, sobrinho de Abraão. A cidade revela sua profunda corrupção moral e sua rejeição aos princípios de Deus. Mesmo diante da oportunidade de arrependimento, seus habitantes persistem em sua maldade.
Antes da destruição, Deus demonstra mais uma vez Sua misericórdia ao retirar Ló e parte de sua família da cidade. Entretanto, nem todos aceitam o livramento oferecido, e a esposa de Ló torna-se um exemplo das consequências de um coração que permanece preso ao passado.
Este capítulo evidencia tanto a justiça quanto a misericórdia de Deus. Sua justiça é demonstrada ao julgar o pecado persistente, enquanto Sua misericórdia é vista ao preservar aqueles que escolheu livrar. Ao longo desta página, analisaremos o texto verso por verso, observando o contexto histórico, os acontecimentos narrados e as lições espirituais que podem ser extraídas, sempre procurando distinguir aquilo que a Bíblia afirma diretamente daquilo que entendemos a partir de sua narrativa.
Ló recebe os dois anjos em sua casa
1- E vieram os dois anjos a Sodoma à tarde, e estava Ló assentado à porta de Sodoma; e vendo-os Ló, levantou-se ao seu encontro e inclinou-se com o rosto à terra;
Os dois homens que visitaram Abraão no capítulo anterior saíram dos carvalhais de Manre e foram até a cidade de Sodoma.
É nesse versículo que descobrimos que aqueles homens que estiveram com Abraão não eram apenas viajantes, mas anjos enviados por Deus. Ao chegarem à entrada da cidade, encontraram Ló sentado à porta. Assim que os viu, Ló se levantou, foi ao encontro deles e os reverenciou.
O texto nos revela que eles eram anjos, mas, naquele momento, Ló também acreditava que fossem apenas homens viajantes.
2- E disse: Eis agora, meus senhores, entrai, peço-vos, em casa de vosso servo, e passai nela a noite, e lavai os vossos pés; e de madrugada vos levantareis e ireis vosso caminho. E eles disseram: Não, antes na rua passaremos a noite.
Ao encontrá-los, Ló os convida a irem até a sua casa para que pudessem passar a noite, descansar e lavar os pés.
Naquela época, o costume não era oferecer uma toalha limpa para que o visitante pudesse tomar um belo banho, como fazemos nos dias atuais como forma de cordialidade. Lavar os pés era uma prática de hospitalidade muito importante, especialmente por causa das viagens, das sandálias e das estradas empoeiradas.
Ló não fazia a mínima ideia de que estava falando com anjos e muito menos imaginava que aqueles homens estavam ali não apenas como viajantes, mas que, poucas horas depois, destruiriam a cidade onde ele morava, por ordem de Deus.
Até aquele momento, os homens ainda não haviam revelado a Ló o motivo que os havia levado até ali. Eles apenas recusaram o convite de entrar em sua casa e disseram que passariam a noite ali mesmo, na praça.
3- E porfiou1 com eles muito, e vieram com ele, e entraram em sua casa; e fez-lhes banquete2, e cozeu3 bolos sem levedura4, e comeram.
Ló não ficou satisfeito com a resposta deles de ficarem na rua naquela noite e insistiu muito para que fossem até a sua casa, até que eles aceitaram. Eles entraram na casa de Ló, que preparou um belo banquete, e comeram.
Ao ler esse trecho, talvez você se pergunte: “Mas anjos comem?”
Em alguns relatos bíblicos, os anjos aparecem com aparência humana e são vistos comendo alimentos, mas isso não significa que eles precisem comer para sobreviver ou que a alimentação faça parte de sua natureza espiritual.
Esse episódio e o anterior, com Abraão, mostram que, quando os anjos assumem forma humana para cumprir uma missão, eles podem interagir normalmente com o mundo físico, inclusive aceitando alimentos. Entretanto, a Bíblia não afirma que os anjos necessitem de comida para sobreviver.
4- E antes que se deitassem, cercaram a casa, os homens daquela cidade, os homens de Sodoma, desde o moço até o velho; todo o povo de todos os bairros.
5- E chamaram a Ló, e disseram-lhe: onde estão os homens que vieram nessa noite? Trazem os fora a nós para que os conheçamos.
Então, antes de se deitarem, os moradores de Sodoma, tanto jovens como velhos, souberam da presença dos “viajantes” na casa de Ló. Eles foram até a casa dele, cercaram a casa e perguntaram onde estavam aqueles homens. Em seguida, pediram que Ló os colocasse para fora, para que pudessem “conhecê-los”.
Ló conhecia muito bem a índole e a intenção daqueles homens, ele sabia que eles não queriam apenas conhecer os visitantes de uma forma em fazer amizade, mas pretendiam fazer maldade contra eles.
A palavra “conhecer”, utilizada nesse versículo, não significa simplesmente conhecer alguém ou saber quem aquela pessoa era. No texto original, encontramos a palavra hebraica יָדַע (yada‘), que significa “conhecer”, mas que, dependendo do contexto, também é utilizada na Bíblia para se referir a relações sexuais. Um exemplo aparece em Gênesis 4:1, quando lemos que Adão “conheceu” Eva, sua mulher, e ela engravidou.
É por isso e também pelas próximas falas que, entendemos que os homens de Sodoma estavam exigindo que Ló entregasse os visitantes para que eles pudessem manter relações sexuais com eles.
6- Então saiu Ló a eles à porta, e fechou a porta atrás de si,
7- E disse: meus irmãos, rogo vós que não façais mal;
Ló saiu para conversar com aqueles homens e teve o cuidado de fechar a porta atrás de si, deixando os dois visitantes dentro da casa. Então, pediu insistentemente que eles não fizessem nenhum mal aos visitantes.
8- Eis aqui, duas filhas tenho, que ainda não conheceram5 homens; fora vo-las trarei, e fareis delas como bom for aos vossos olhos; somente nada façais a esses homens porque por isso vieram à sombra do meu telhado.
Em um ato de desespero, e com certeza sem a aprovação de Deus para aquilo, Ló propõe entregar suas duas filhas virgens àqueles homens, permitindo que fizessem com elas o que quisessem, desde que não tocassem nos visitantes.
Para Ló, aqueles homens estavam debaixo do seu teto e, portanto, sob a sua proteção. Ele estava disposto a protegê-los, mas tomou uma decisão terrível ao oferecer suas próprias filhas em troca da segurança deles.
Nota:
Nem tudo o que está escrito na Bíblia foi aprovado por Deus
Ao ler histórias como essa, como a de Ló que ofereceu as suas próprias filhas para que homens fizessem maldades com elas no lugar de dois estranhos, precisamos entender que nem tudo o que os homens fizeram e que está registrado na Bíblia significa que Deus aprovou suas atitudes. A Bíblia relata coisas terríveis que foram praticadas até mesmo por homens que conheciam a Deus.
Ao lermos a Bíblia inteira vamos nos deparar com:
- Davi cometendo adultério com Bate-Seba e depois planejou a morte de Urias.
- Abraão mentindo dizendo que Sara era sua irmã por medo de ser morto.
- Jacó enganando o seu próprio pai para receber a bênção que seria dada a Esaú.
- Moisés, que em um momento de ira, desobedeceu à ordem de Deus.
E agora vemos Ló oferecendo suas próprias filhas a uma multidão para fazer maldades com elas em troca para proteger os homens que estavam hospedados em sua casa, o pior, homens que ele nem conhecia, e mesmo se conhecessem ainda sim seria um absurdo.
Nenhuma dessas histórias está na Bíblia para nos ensinar que aquelas atitudes eram corretas. Pelo contrário, muitas vezes o próprio texto mostra as consequências dos erros e pecados cometidos por essas pessoas.
E é justamente isso que torna a Bíblia tão diferente e confiável como relato histórico. Ela não tenta transformar seus personagens em homens perfeitos, escondendo seus erros para preservar a imagem deles. A Bíblia mostra suas vitórias, mas também mostra seus fracassos, seus pecados, suas decisões erradas e até mesmo atitudes difíceis de compreender.
Quando a Bíblia registra que alguém fez alguma coisa, isso não significa automaticamente que Deus mandou fazer ou que aprovou aquela atitude. Uma coisa é a Bíblia descrever o que aconteceu; outra coisa é Deus prescrever como devemos agir.
Por isso, quando lemos um relato bíblico, precisamos observar não apenas o que determinado personagem fez, mas também o que Deus ensina sobre aquela atitude em toda a sua Palavra.
9- Eles, porém, disseram: sai daí. Disseram mais: como estrangeiro este indivíduo veio aqui habitar, e quereria ser juiz em tudo? agora te faremos mais mal a ti do que a eles. E arremessaram sobre o homem, sobre Ló, e aproximaram-se para arrombar a porta.
Os homens de Sodoma não aceitaram o pedido de Ló e mandaram que ele saísse da frente. Eles ainda indignados pelo fato de Ló, sendo um estrangeiro que havia ido morar entre eles, querer agora julgar as suas atitudes.
A situação então ficou ainda pior. Aqueles homens ameaçaram fazer com Ló algo ainda pior do que pretendiam fazer com os visitantes e começaram a avançar contra ele, aproximando-se para arrombar a porta.
Nesse momento percebemos que Ló já não tinha nenhum controle sobre aquela multidão. Nem mesmo a proposta terrível que havia feito no versículo anterior foi suficiente para fazê-los desistir. Eles estavam determinados a entrar naquela casa e agora o próprio Ló também estava em perigo.
10- Aqueles homens porém estenderam as suas mãos e fizeram a Ló entrar na sua casa, e fecharam a porta;
Então, percebendo o caos que estava lá fora, os dois visitantes, que eram anjos mas Ló ainda não sabia, o puxaram para dentro e fecharam a porta.
11- E feriram de cegueira os homens que estavam à porta da casa, desde o menor até o maior, de maneira que se cansaram para achar a porta.
E, de forma surpreendente, os anjos feriram com cegueira todos os homens que estavam do lado de fora da casa, tanto os mais jovens como os mais velhos. Sem conseguirem enxergar onde estava a porta, eles se cansaram de tentar encontrá-la.
12- Então disseram aqueles homens a Ló: tens alguém mais aqui? Teu genro, e teus filhos, e tuas filhas, e todos quantos tens nesta cidade, tira-os fora deste lugar;
13- Porque nós vamos destruir este lugar, porque o seu clamor tem aumentado diante da face do Senhor, e o Senhor nos enviou a destruí-lo.
Então, os anjos perguntaram a Ló se havia mais alguém de sua família naquela cidade e disseram para ele tirar dali seus genros, filhos, filhas e todos aqueles que faziam parte da sua família.
É nesse momento que eles revelam a Ló a missão que tinham e o verdadeiro motivo de estarem em Sodoma: eles haviam sido enviados por Deus para destruir a cidade.
Os anjos explicaram que o clamor contra aquele lugar havia aumentado diante do Senhor por causa da grande maldade que existia ali e, por isso, Deus os havia enviado para destruí-lo.
Nota:
Até o versículo 10, aqueles anjos continuam sendo chamados de “homens” dentro da narrativa. Eles puxam Ló para dentro da casa e fecham a porta. No versículo 11, porém, acontece algo claramente sobrenatural: eles ferem os homens de Sodoma com cegueira.
Depois, nos versículos 12 e 13, eles revelam a Ló sua missão:
“nós vamos destruir este lugar […] o Senhor nos enviou a destruí-lo.”
A partir dessa revelação, Ló certamente já tinha elementos suficientes para compreender que aqueles visitantes não eram homens comuns, mas mensageiros enviados por Deus.
E há algo ainda mais interessante: somente no versículo 15 o narrador volta a chamá-los explicitamente de “anjos”.
14- Então saiu Ló, e falou aos seus genros, aos que haviam de tomar as suas filhas, e disse: Levantai-vos, sai deste lugar, porque o Senhor há de destruir a cidade. Foi tido porém por zombador aos olhos dos seus genros.
Depois de saber que a cidade seria destruída, Ló saiu imediatamente para avisar seus genros, os homens que estavam comprometidos com suas filhas. Ele contou que o Senhor destruiria aquela cidade e pediu que eles saíssem dali enquanto ainda havia tempo.
Mas seus genros não acreditaram nele. Para eles, Ló parecia estar brincando e não levaram a sério o seu aviso.
Mesmo diante de uma advertência tão grave, eles escolheram permanecer em Sodoma. Ló sabia que a destruição realmente aconteceria porque havia recebido aquela informação diretamente dos mensageiros enviados por Deus, mas seus genros não tinham presenciado aquela conversa e não acreditaram em suas palavras.
Nota:
Esse versículo também mostra que Deus deu a eles a oportunidade de sair antes do juízo sobre a cidade. Eles foram avisados do que aconteceria, mas não deram crédito ao aviso e permaneceram ali.
Algumas traduções dizem “genros, que haviam de casar com suas filhas”, enquanto outras simplesmente trazem “genros”. Por isso, não precisamos concluir necessariamente que as filhas já eram casadas, se tratava das mesmas filhas virgens ou se ele tinha outras filhas casadas além das duas. O hebraico permite entender que eram homens comprometidos com as filhas de Ló, provavelmente seus noivos.
15- E ao amanhecer os anjos apertaram com Ló, dizendo: levanta-te, toma tua mulher e as tuas duas filhas que aqui estão, para que não pereças na injustiça desta cidade.
Quando amanheceu, os anjos apressaram Ló, dizendo para ele se levantar, pegar sua mulher e as duas filhas que estavam ali com ele e sair da cidade, para que eles também não morressem durante a destruição de Sodoma.
Depois de tudo o que havia acontecido durante aquela noite, não havia mais tempo a perder. A destruição estava próxima e Ló precisava sair dali com sua família enquanto ainda havia tempo.
Nota:
Nesse versículo diz: “… e as tuas duas filhas que aqui estão…”. Será que essa fala não revela que Ló tinha mais filhos além das duas filhas virgens?
A expressão “as duas filhas que estavam ali” levanta uma questão interessante. Seriam essas as únicas filhas de Ló ou ele teria outras filhas que já eram casadas e não estavam mais morando com ele?
No versículo anterior, encontramos Ló falando com seus genros, enquanto no versículo 8 ele havia afirmado que as duas filhas que estavam em sua casa eram virgens. Alguns entendem que esses genros eram apenas homens prometidos em casamento às suas duas filhas. Outros entendem que Ló poderia ter outras filhas já casadas que permaneceram em Sodoma.
A Bíblia não nos fornece informações suficientes para afirmar qual dessas possibilidades é a correta.
Existem duas interpretações entre os estudiosos:
Uma interpretação entende que Ló tinha somente duas filhas. Elas eram virgens e estavam prometidas em casamento. Nesse caso, os homens chamados de “genros” no versículo 14 seriam seus futuros genros. Essa interpretação combina muito bem com o versículo 8, que afirma que as duas filhas ainda não haviam conhecido homem.
A outra interpretação entende que Ló poderia ter outras filhas já casadas, além das duas virgens que moravam com ele. Assim, quando os anjos dizem algo equivalente a “as duas filhas que estão aqui”, estariam distinguindo essas duas das outras filhas que viviam com seus maridos em Sodoma. Nesse entendimento, os “genros” do versículo 14 seriam realmente maridos de outras filhas.
O texto não resolve definitivamente essa questão.
E existe algo no hebraico que torna a discussão ainda mais interessante. Em Gênesis 19:15 aparece:
שְׁתֵּי בְנֹתֶיךָ הַנִּמְצָאֹת
shtei venoteikha hannimtsa’ot: “tuas duas filhas que se encontram aqui / que estão presentes.”
Mas a nossa dúvida é válida: Ló tinha mais filhos? Por que especificar as duas filhas que estavam presentes?
16- Ele, porém, demorava-se, e aqueles homens lhe pegaram pela mão, e pela mão de sua mulher e pela mão de suas duas filhas, sendo-lhe o Senhor misericordioso, e tiraram-no, e puseram-no fora da cidade.
Ló e sua família estavam demorando para se preparar e sair da cidade. Então, os anjos pegaram Ló, sua mulher e suas duas filhas pela mão e os levaram para fora da cidade, porque o Senhor teve misericórdia de Ló e não queria que ele perecesse ali junto com os moradores de Sodoma.
17- E aconteceu que, tirando-os, fora, disse: Escapa-te por tua vida; não olhes para trás de ti, e não pares em toda essa campina; escapa, lá para o monte, para que não pereças.
Depois de tirá-los para fora da cidade, os anjos deram instruções bem claras a Ló: ele deveria fugir para salvar a sua vida, não olhar para trás e não parar em nenhum lugar durante o caminho. Eles ainda o orientaram a fugir para o monte, para que não fosse atingido pela destruição.
18- E Ló disse: ora, não, meu Senhor!
19- Eis que agora o teu servo tem achado graça aos teus olhos, e engrandecestes a tua misericórdia que a mim fizestes, para guardar a minha alma em vida; mas eu não posso escapar no monte, para que por ventura não me apanhe este mal, e eu morra.
Ló não gostou da ideia de fugir para o monte e pediu aos anjos que não o mandassem para lá. Ele reconheceu que havia encontrado favor diante deles e que Deus havia demonstrado grande misericórdia ao salvar a sua vida, mas estava com medo de não conseguir chegar ao monte antes que a destruição o alcançasse e ele morresse.
20- Eis que agora aquela cidade está perto, para fugir para lá, e é pequena; ora, deixe me escapar para lá (não é pequena?), para que a minha alma viva.
Então, Ló avistou uma pequena cidade que ficava próxima e pediu permissão para fugir para lá. Por ser uma cidade pequena e estar mais perto, ele acreditava que conseguiria chegar até ela e salvar a sua vida.
21- E disse-lhe: eis aqui, tenho te aceitado também nesse negócio, para não destruir aquela cidade, de que falaste;
22- Apressa-te, escapa-te para ali; porque nada poderei fazer, enquanto não tiver ali chegado. Por isso se chamou o nome da cidade Zoar.
O anjo atende ao pedido de Ló e permite que ele fuja para aquela pequena cidade, garantindo que ela não seria destruída.
Então, o anjo pede para que Ló se apressasse e chegasse logo até lá, pois a destruição de Sodoma não aconteceria enquanto ele não estivesse em segurança. Isso mostra mais uma vez a misericórdia de Deus com Ló, pois antes que o juízo viesse sobre a cidade, ele e sua família precisavam estar fora daquele lugar.
A pequena cidade para onde Ló estava fugindo receberia o nome de Zoar, justamente por ser considerada uma cidade pequena.
23- Saiu o sol sobre a terra, quando Ló entrou em Zoar.
Quando Ló chegou a Zoar, o sol já havia nascido sobre a terra. Ele e sua família finalmente estavam fora de Sodoma e haviam chegado ao lugar que o anjo permitiu que eles se refugiassem.
O detalhe desse versículo é importante para nos mostrar que toda aquela fuga aconteceu durante as primeiras horas da manhã. Os anjos começaram a apressar Ló ao amanhecer e, quando ele chegou a Zoar, o sol já havia nascido.
Destruição de Sodoma e Gomorra
24- Então o Senhor fez chover enxofre e fogo, do Senhor desde os céus, sobre Sodoma e Gomorra;
25- E destruiu aquelas cidades e toda aquela campina, e todos os moradores daquelas cidades, e o que nascia da terra.
26- E a mulher de Ló olhou para trás e ficou convertida numa estátua de sal.
27- E Abraão levantou-se aquela mesma manhã, de madrugada, e foi para aquele lugar onde estiver diante da face do Senhor;
28- E olhou para Sodoma e Gomorra e para toda a terra da campina; e viu, e eis que a fumaça da terra subia, como a fumaça de uma fornalha.
29- E aconteceu que, destruindo Deus as cidades da campina, lembrou-se Deus de Abraão, e tirou a Ló do meio da destruição, derrubando aquelas cidades em que Ló habitara.
30- E subiu Ló de Zoar, e habitou no monte, e as suas duas filhas com ele; porque temia habitar em Gomorra; e habitou numa caverna, ele e as suas duas filhas.
31- Então a primogênita disse a menor: nosso pai já é velho, e não há homem na terra que entre a nós, segundo o costume de toda a terra;
32- Vem, demos de beber vinho a nosso pai, e deitemos nós com ele, para que em vida conservemos a descendência de nosso pai.
33- E deram de beber vinho ao seu pai naquela noite; e veio a primogênita e deitou-se com o seu pai, e não sentiu ele quando ela se deitou, nem quando se levantou.
34- E sucedeu, no outro dia, que a primogênita disse a menor: vês aqui, eu já ontem a noite deitei com o meu pai; demos-lhe de beber vinho também esta noite, então entra tu, deita-te com ele, para que em vida conservemos a descendência de nosso pai.
35- E deram de beber vinho ao seu pai também naquela noite; e levantou-se a menor, e deitou-se com ele; e não sentiu ele quando ela se deitou, nem quando se levantou.
36- E conceberam as duas filhas de Ló de seu pai.
37- E a primogênita deu à luz a um filho, e chamou o seu nome Moabe; este é o pai dos moabitas até o dia de hoje.
38- E a menor também deu à luz a um filho, e chamou o seu nome Ben-Ami; este é o pai dos filhos de Amom até o dia de hoje.
- Porfiou = Porfiou é o passado do verbo porfiar, que significa:
– Insistir em algo.
– Persistir apesar da oposição.
– Teimar ou continuar defendendo uma ideia. ↩︎ - Banquete = é uma refeição especial, geralmente farta, elaborada e preparada para uma ocasião importante, reunindo várias pessoas. ↩︎
- Cozeu = é o passado do verbo cozer, que significa cozinhar, assar ou preparar um alimento pelo calor, especialmente em água ou no forno. ↩︎
- Levedura = significa que o pão foi preparado sem fermento. A massa não passou pelo processo de fermentação, sendo assada logo após ser preparada. O resultado era um pão fino e rápido de fazer. ↩︎
- Conheceram = neste contexto, “conhecer” é um eufemismo bíblico que significa manter relações sexuais. Ao dizer que suas filhas “ainda não conheceram homem”, Ló está afirmando que elas eram virgens, ou seja, nunca haviam tido relações sexuais. ↩︎