Ló foi filho de Harã e sobrinho de Abraão (Gênesis 11:27). Ló também era neto de Terá, bisneto de Naor e trisneto de Serugue e descendente de Reú, Pelegue, Éber, Selá e Arfaxade, todos da linhagem de Sem (Gênesis 11:26).
Desde Adão até o nascimento de Harã, a Bíblia registra 20 gerações, sendo 10 delas a partir de Sem.
Ló também foi irmão de Milca e Iscá, filhos de Harã, pertencentes à mesma linhagem familiar que mais tarde se conectaria diretamente à promessa feita a Abraão.
Ló Decide Partir com Abraão
Ló já havia experimentado uma vida de deslocamentos antes mesmo de seu nome ganhar destaque nas Escrituras. Ele viajou com seu avô Terá em direção à terra de Canaã, mas a jornada foi interrompida, e a família passou a habitar em Harã, onde Ló se estabeleceu junto com os seus.
Quando Deus chama Abraão para deixar Harã e seguir para a terra que ainda lhe seria mostrada, Ló faz uma escolha significativa: ele decide acompanhar Abraão nessa jornada (Gênesis 12:4). Embora o chamado tenha sido feito diretamente a Abraão , Ló passa a caminhar sob a influência dessa promessa, compartilhando os primeiros passos da caminhada rumo à terra prometida.
Ló acompanhou Abraão em toda a jornada até a chegada a Canaã. Ele também esteve presente na descida ao Egito, quando, por causa de uma fome extrema que assolava a terra, Abrão buscou alimento naquele país. Nesse episódio, movido pelo medo de ser morto, Abrão omitiu ao faraó e aos príncipes do Egito que Sara era sua esposa, declarando que ela era sua irmã.
Quando Abrão foi expulso do Egito pelo faraó, Ló não permaneceu naquela terra. Ele subiu juntamente com Abrão de volta para Canaã, deixando o Egito com todos os bens que possuíam, seguindo novamente o caminho da promessa.
A Prosperidade de Ló
Ló, ao caminhar juntamente com seu tio Abraão, tornou-se um homem próspero e com muitas posses. A Bíblia relata que ele possuía rebanhos, gado e tendas, evidenciando uma vida de abundância e crescimento material (Gênesis 13:5).
Essa prosperidade foi tão grande que a terra já não comportava os bens de ambos, o que gerou conflitos entre os pastores de Ló e os de Abraão. Diante disso, tornou-se necessária a separação entre eles (Gênesis 13:6-7).
Foi nesse momento que Ló fez uma escolha decisiva: ao ver a planície do Jordão, bem irrigada e semelhante ao jardim do Senhor, decidiu habitar naquela região, aproximando-se de Sodoma (Gênesis 13:10-12). Sua riqueza, portanto, não apenas marcou sua vida, mas também influenciou diretamente suas decisões e o caminho que passou a seguir.
Ló e Abraão se Separam
Ao retornarem do Egito, após serem expulsos pelo faraó, Abrão, juntamente com Ló e os seus, volta para Canaã. Nesse momento, eles já estavam muito prósperos e haviam adquirido grande riqueza.
Seus gados e rebanhos haviam crescido tanto que já não era mais possível conviverem juntos, a ponto de haver brigas entre os pastores de Abrão com os pastores de Ló.
Quando eles chegaram em Canaã, os cananeus e os perizeus já habitavam ali, aquela terra não estava vazia, ou seja, já havia donos e consequentemente havia limite de espaço entre pastagens e recursos para os animais, causando disputa entre eles.
Ló era sobrinho de Abraão, mas Abrão o tratava como um irmão. Diante do crescimento dos bens e das contendas entre os pastores, Abrão toma a iniciativa de preservar a paz, não apenas entre eles, mas também entre os que estavam sob sua responsabilidade.
Com esse propósito, Abrão faz uma proposta a Ló:
“Não está toda a terra diante de ti?
Eia, pois, aparta-te de mim; e se escolheres a esquerda,
irei para a direita; e se a direita escolheres,
eu irei para a esquerda.“
(Gênesis 13:9)
Ao sugerir a separação, Abrão demonstra maturidade espiritual e humildade: permite que Ló escolhesse a parte que ele queria, se Ló desejasse ir para a direita ou para esquerda, Abrão não fazia questão, escolheria o lado oposto, sem olhar o que era melhor para si mesmo, deixando o sobrinho fazer essa escolha.
Mesmo sendo o mais velho e o portador da promessa, ele abre mão do direito de escolher primeiro, colocando a paz acima dos bens materiais e da vantagem pessoal. Sua proposta nasce da consideração que ele tinha pelo sobrinho e do desejo de evitar conflitos maiores no futuro.
A atitude de Abrão revela que, para ele, a comunhão e a paz valiam mais do que a terra, pois sua confiança estava na promessa de Deus, e não no lugar que viesse a ocupar.
Então Ló levantou os olhos e escolheu o lado direito. Diante dele se estendia toda a campina do Jordão, uma região amplamente irrigada, verde e fértil. Aos seus olhos, aquela terra parecia o próprio jardim de Deus, tão abundante e atraente quanto a terra do Egito, especialmente na direção de Zoar (Gênesis 13:10).

Seduzido pela beleza e pela prosperidade visível, Ló escolheu para si toda a campina do Jordão e partiu em direção ao oriente, separando-se assim de Abrão e armou as suas tendas até Sodoma (Gênesis 13:11-12).
Ló é Preso, Levado Cativo e Resgatado por Abrão
Após separar-se de Abrão, Ló, juntamente com sua família e seus servos, escolheu mudar-se para Sodoma, passando a habitar entre os antigos moradores daquela região, os cananeus (Gênesis 13:11-12).
Sodoma, Gomorra e outras cidades vizinhas estiveram envolvidas na primeira guerra registrada na Bíblia. Durante muitos anos, esses reinos viveram sob o domínio de reis poderosos do Oriente. Cansados de serem subjugados, decidiram se rebelar, e essa rebelião provocou uma reação imediata: os reis que os dominavam organizaram uma grande campanha militar, liderada por Quedorlaomer, rei de Elão.
Os exércitos invasores avançaram pelo sul de Canaã como uma força implacável, derrotando povo após povo pelo caminho. Nada parecia capaz de detê-los. Por fim, o confronto decisivo aconteceu no vale de Sidim, onde os reis de Sodoma, Gomorra e das cidades vizinhas lutaram contra, tentaram resistir mas, foram vencidos.
Com a derrota, Sodoma ficaram vulneráveis. A cidade foi invadida, saqueada e seus habitantes levados cativos, incluindo Ló, sua família e os seus bens, marcando um dos momentos mais dramáticos dessa antiga guerra (Gênesis 14:12).
Um sobrevivente da batalha conseguiu escapar e correu para avisar Abrão, o hebreu. Naquele tempo, Abrão vivia próximo aos carvalhais de Manre, um amorreu que era seu aliado e amigo. Manre não estava sozinho: seus irmãos, Escol e Aner, também caminhavam ao lado de Abrão, formando uma aliança de confiança e proteção em meio a uma terra dominada por muitos povos e conflitos. Foi nesse cenário de alianças e perigos que chegou a notícia dramática: Ló havia sido levado cativo pelos reis invasores (Gênesis 14:12).
Abrão reuniu 318 homens nascidos em sua própria casa, e partiu em perseguição ao exército invasor. A perseguição levou Abrão até a região de Dã, no extremo norte da terra (Gênesis 14:14), cidade que, naquela época, ainda era conhecida como Laís, recebendo o nome Dã somente muito tempo depois, quando foi conquistada pela Tribo de Dã (Juízes 18:29).
Depois de perseguir o exército invasor até a região de Dã, Abrão não atacou imediatamente durante o dia. Ele usou uma estratégia de ataque noturno (Gênesis 14:15). Abrão dividiu seus homens, separando seu pequeno grupo de guerreiros em várias partes, provavelmente para atacar de diferentes direções.
Essa era uma tática militar conhecida na antiguidade, usada para causar confusão no inimigo. Durante a noite, quando a visibilidade era baixa, um ataque vindo de vários lados poderia fazer um exército maior acreditar que estava sendo cercado por muitas tropas.
O resultado da estratégia
O plano funcionou. Abrão e seus homens feriram os inimigos e os colocaram em fuga.
Depois disso, Abrão continuou a perseguição até Hobá, um lugar localizado ao norte de Damasco. Isso mostra que os reis invasores fugiram em direção ao norte da Síria.
Após derrotar os reis invasores e colocá-los em fuga, Abrão conseguiu recuperar tudo o que havia sido levado durante o saque das cidades. Abrão trouxe de volta todos os bens levados e também resgatou Ló, seu sobrinho, juntamente com seus pertences, as mulheres e todo o povo que havia sido levado cativo.
A vitória de Abrão foi completa. Nada do que havia sido tomado pelos invasores permaneceu em suas mãos. Tudo foi recuperado e devolvido, restaurando não apenas os bens materiais, mas também a liberdade das pessoas que haviam sido levadas como prisioneiras de guerra.
Ló é Resgatado da Destruição de Sodoma
Ló recebe dois anjos em sua casa
Após o banquete oferecido por Abraão, nos carvalhais de Manre, aos seus três visitantes, dois anjos e o próprio Senhor, os dois anjos partiram em direção a Sodoma. Enquanto isso, o Senhor permaneceu conversando com Abraão, revelando-lhe Seu plano de destruir as cidades de Sodoma e Gomorra. Diante dessa revelação, Abraão passou a interceder pelos justos que, possivelmente, ainda habitavam naquelas cidades (Gênesis 18:17-33).
Os dois homens, que eram anjos, chegaram a Sodoma no fim da tarde. Ló estava sentado à porta da cidade e, ao vê-los, levantou-se, foi ao encontro deles e os cumprimentou curvando-se até o chão diante deles, em forma de reverência.
Ló os convidou para irem até a sua casa, a fim de que pudessem descansar, lavar os pés e passar a noite antes de seguirem viagem ao amanhecer. Porém, eles recusaram o convite e disseram que passariam a noite ali na rua mesmo. Então Ló insistiu muito até que eles aceitaram o seu pedido e entraram em sua casa.
Ló fez bolos sem levedura e serviu banquete para eles e comeram (Gênesis 19:1-3).
A notícia de que Ló tinha visitas espalhou-se por toda a cidade. Então, reuniu-se um grande número de homens, tanto jovens quanto velhos, moradores de todos os bairros de Sodoma, em frente à casa, e eles a cercaram.
Aqueles homens chamaram a Ló e começaram a gritar perguntando onde estavam os homens que entraram na casa dele e insistiram para que Ló os trouxessem para fora para que eles o conhecessem (Gênesis 19:4).

Os habitantes de Sodoma tentam atacar os visitantes de Ló
Ao pedirem que Ló os trouxesse para fora para que pudessem conhecê-los, eles não estavam querendo fazer amizade com os visitantes, mas sim praticar maldades contra eles.
Ló, ao ouvir todo aquele alvoroço, sai para fora e fecha a porta atrás de si mesmo para que ninguém entrasse e com mansidão ele pede para aqueles homens não fazerem nenhum mal contra os visitantes, pois Ló sabia exatamente da índole daquele povo e quais eram as suas intenções (Gênesis 19:5-7).
Sem sucesso em seu apelo para que aqueles homens desistissem e fossem embora, Ló toma uma atitude extrema e inaceitável para nós, seres que vivemos nos dias atuais e, ao que tudo indica pelas Escrituras, também incompatível com a vontade de Deus. Um absurdo acontece: Ló oferece suas duas filhas virgens aos homens daquela cidade para que, acreditem ou não, fizessem o que quisessem com elas, desde que não tocassem nos visitantes que estavam sob sua proteção (Gênesis 19:8).
A hospitalidade era considerada um dever sagrado na cultura daquela época, e Ló sentia-se na obrigação e na responsabilidade de proteger aqueles homens, sem saber que, na verdade, eram anjos. A Bíblia registra esse episódio, mas em nenhum momento afirma que Deus aprovou a atitude de Ló. Acredito que o fato de uma absurdo tão grande como esse estar escrito na Bíblia é o objetivo de mostrar o estado de perversidade a que Sodoma havia chegado e o desespero de Ló diante daquela situação.
Enfurecidos, eles rejeitam a proposta de Ló e, com desprezo, lembram-lhe que ele não pertencia àquela cidade. Dizem que, por ser estrangeiro, não tinha o direito de agir como juiz nem de lhes dizer o que era certo ou errado. Em seguida, ameaçam fazer com Ló algo ainda pior do que pretendiam fazer com os visitantes e avançam contra a casa para arrombar a porta (Gênesis 19:9).

Quando a multidão estava prestes a atacar Ló e arrombar a porta da casa, os dois visitantes agem rapidamente para protegê-lo. Eles estendem as mãos, puxam Ló para dentro da casa e fecham a porta, impedindo que a multidão o alcance.
Então, aqueles dois visitantes feriram de cegueira os homens maus que estavam a porta, tanto aos mais velhos quanto aos menores, e naquele momento foi possível perceber que os visitantes não eram homens comuns mas anjos enviados por Deus (Gênesis 19:10-11).
Deus livra Ló e parte da sua família da destruição de Sodoma e Gomorra
Os dois anjos perguntam a Ló se havia mais alguém de sua família na cidade e ordenam que ele retire seus filhos, filhas, genros e todos os seus familiares daquele lugar. Em seguida, revelam o verdadeiro propósito de sua missão: Deus os havia enviado para destruir Sodoma, pois o clamor contra a perversidade daquela cidade havia chegado à Sua presença.
Imediatamente, Ló se dirige aos seus genros e conta tudo o que estava prestes a acontecer e que eles deveriam pegar as suas filhas e sair da cidade urgente porque Deus iria destruir tudo. Incrédulos, acharam que Ló estava zombando e permaneceram ali.
Quando amanheceu, os anjos apressaram a Ló para pegar a sua mulher e as duas filhas que moravam com ele, mas Ló estava lento, então os anjos os puxaram pela mão, tanto a Ló quanto a sua mulher e filhas, e tiraram nos para fora da cidade com muita urgência, pois Deus havia utilizado a misericórdia para que eles não perecessem.
E quando os tiraram para fora da cidade, os anjos deu ordens para Ló fugir para o monte e ordenou para não olharem para trás para que não perecessem. (Gênesis 19:12-17).
Ló responde perguntando se poderia fugir para uma pequena cidade que avistava ao longe, pois temia refugiar-se nas montanhas e morrer no caminho. Os anjos concordam com o pedido e permitem que ele vá para aquela cidade. Em seguida, ordenam que Ló se apresse, pois não poderiam iniciar a destruição de Sodoma antes que ele chegasse em segurança ao seu destino. Por esse motivo, aquela cidade passou a ser chamada de Zoar, nome que significa “pequena”, em referência ao seu pequeno tamanho.
E quando Ló chegou à cidade de Zoar, o sol amanheceu.

Assim que Ló entrou na cidade de Zoar, escapando da destruição que estava por vir, o sol nasceu e então Deus fez chover enxofre e fogo sobre Sodoma e Gomorra, destruindo a todos e tudo o que havia nelas (Gênesis 19:24-25).

A mulher de Ló vira estátua de sal
Antes de Ló e sua família fugirem para a cidade de Zoar para escaparem da destruição, os anjos lhes deram uma ordem clara: fugirem sem parar e não olharem para trás, para que não perecessem (Gênesis 19:17). Porém, enquanto a destruição acontecia, a mulher de Ló desobedeceu à ordem de Deus, olhou para trás e, naquele mesmo instante, transformou-se em uma estátua de sal.
Mas afinal, por qual motivo Deus poupou Ló?
Ló passou a habitar na cidade de Sodoma por escolha própria. Ao se separar do seu tio Abraão, porque já não podiam mais viver juntos devido ao grande número de rebanhos e servos, Abraão permitiu que Ló escolhesse para qual região queria ir. Ló escolheu a campina do Jordão, uma região bonita e verdejante. Porém, ele não imaginava que as aparências poderiam enganar, pois ali habitavam homens extremamente maus (Gênesis 13:11-12).
Deus resolveu poupar Ló porque atendeu ao pedido de Abraão, que intercedeu insistentemente pelos justos que poderiam estar em Sodoma, pensando, certamente, em seu sobrinho Ló e em sua família.
Quando Deus destruiu as cidades da campina, em Gênesis 19:29 diz que Deus lembrou-se de Abraão e tirou Ló do meio da destruição. Ou seja, antes que o juízo fosse executado, Deus retirou Ló e sua família de Sodoma.
Isso aconteceu porque Deus atendeu ao pedido de Abraão, que intercedeu insistentemente pelos justos que poderiam estar em Sodoma, pensando, certamente, em seu sobrinho Ló e em sua família.
Esse fato demonstra a misericórdia de Deus para conosco quando oramos a Ele.
Assim como está escrito em 1 João 5:14:
“E esta é a confiança que temos nele:
que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve.”
Sugiro que você também ore confiando que Deus ouve as orações feitas segundo a Sua vontade.
Mas Ló era justo?
Deus livrou Ló apenas por causa da intercessão de Abraão?
Mais tarde, em 2 Pedro 2:7-8, descobrimos que Ló também era um homem justo. Isso mostra que, além da intercessão de Abraão, o Senhor também o livrou porque ele foi considerado justo diante de Deus.
A Nova Habitação e os Novos Filhos de Ló
Ló desiste de Zoar e vai para a caverna
Ló chegou a Zoar apenas com as suas duas filhas, pois sua esposa ficou pelo caminho, transformada em uma estátua de sal por ter olhado para trás. Porém, teve medo de permanecer em Zoar e subiu ao monte, passando a habitar em uma caverna com as suas duas filhas
As filhas de Ló engravidaram do próprio pai
Após se refugiarem em uma caverna, depois de escaparem da destruição de Sodoma, cidade onde Ló vivia com sua família, um novo drama começou a tomar forma. As duas únicas filhas que permaneceram ao lado de Ló passaram a ser consumidas por uma profunda preocupação: a continuidade da descendência de seu pai.
Convencidas de que toda a região havia sido destruída e de que não existia mais nenhum homem sobre a terra, acreditaram que a única maneira de preservar a linhagem de Ló seria por meio delas mesmas.
Foi então que a filha mais velha concebeu um plano impensável: gerar descendência por meio do próprio pai.
Ela propôs à irmã que embriagassem Ló com vinho para que ele não percebesse o que estava acontecendo. A ideia era que cada uma se deitasse com ele em noites diferentes, sem que ele tivesse consciência de seus atos, na esperança de engravidarem e, assim, preservarem a linhagem de seu pai.
E assim fizeram, após embriagá-lo, a primogênita se deitou com ele e o texto diz que Ló não percebeu quando ela se deitou e nem quando ela se levantou, e no dia seguinte a mais nova fez o mesmo, embriagou a Ló e se deitou com ele.

Mas como Ló não percebeu que estava tendo relação sexual?
Essa pergunta é um tanto automática em nosso pensamento quando se deparamos com o versículo 31 (Gênesis 19:31) que diz que Ló não sentiu que a filha se deitou com o pai e também não sentiu quando ela se levantou. Como assim? Como pode um homem ter relações sexuais e não sentir ou não perceber a mulher ou fazer sexo sem perceber, se uma relação sexual tradicional e padrão daquela época, era necessária a ereção do homem para que o ato se concretizasse?
Ao longo dos séculos, estudiosos fizeram essa mesma pergunta e buscaram uma explicação para esse episódio.
Como isso é explicado?
1. Embriaguez extrema (a resposta mais aceita)
A explicação mais comum é que Ló estava profundamente embriagado e sabemos bem que o álcool pode provocar:
- redução importante da consciência;
- lapsos de memória (blackout alcoólico);
- incapacidade de formar novas lembranças;
- diminuição da percepção do ambiente.
Hoje sabemos, pela medicina, que uma pessoa em estado de blackout alcoólico pode conversar, andar e até realizar ações complexas sem formar memória do que aconteceu. Portanto, é possível que Ló tenha tido atividade sexual sem depois se lembrar do ocorrido.
Isso não significa que estivesse completamente desacordado, mas que seu estado mental estava gravemente comprometido.
2. Ereção involuntária
A ereção normalmente exige estímulos físicos e/ou psicológicos. No entanto, do ponto de vista médico, ela não depende necessariamente de uma decisão consciente. Ela pode ocorrer por mecanismos reflexos do sistema nervoso, especialmente durante o sono ou em estados de consciência alterada. Isso explica, por exemplo:
- ereções durante o sono;
- ereções involuntárias;
- respostas reflexas ao toque.
Portanto, do ponto de vista fisiológico, é possível que um homem profundamente embriagado tenha uma ereção e ejacule sem plena consciência do que está acontecendo.
Essa é uma das hipótese levantada por estudiosos, eu não acredito nessa versão, penso e acredito que o objetivo de embriagar Ló não era necessariamente deixá-lo inconsciente ou dormindo, mas impedir que ele percebesse quem estava com ele e o que realmente estava acontecendo naquele momento. Tanto que o texto enfatiza que Ló não percebeu o que estava acontecendo, nem quando a filha entrou, nem quando saiu (Gênesis 19:33 e 35).
3. Existe outra hipótese
Essas são as duas hipóteses mais aceitas entre os estudiosos que pesquisei. Existem ainda interpretações que afirmam que Moisés, autor desse livro, apenas fez um resumo do acontecimento, sem a intenção de explicar exatamente como tudo ocorreu. Particularmente, discordo dessa interpretação. Entendo que, ao repetir nos versículos 33 e 35 que Ló não percebeu quando suas filhas se deitaram com ele, Moisés não estava apenas resumindo os fatos, mas fazendo questão de deixar claro ao leitor que Ló não participou conscientemente daquele plano. A repetição dessa informação parece ter o propósito de afastar qualquer entendimento de que ele tivesse conhecimento ou consentimento do que estava acontecendo
A Bíblia repete praticamente a mesma frase duas vezes.
Isso não é comum no hebraico por acaso.
O narrador faz questão de dizer:
- primeira noite → Ló não percebeu.
- segunda noite → Ló não percebeu.
Isso mostra que Moisés queria deixar muito claro para o leitor que a iniciativa partiu das filhas.
Os novos filhos de Ló
Após se deitarem com o próprio pai, as duas filhas de Ló engravidaram. A filha mais velha deu à luz um menino e lhe deu o nome de Moabe, que se tornou o pai dos moabitas. A filha mais nova também deu à luz um menino e lhe deu o nome de Ben-Ami, que posteriormente se tornou o pai dos amonitas (Gênesis 19:36).
| Ló |
|---|
| Nome | Ló (em hebraico: לוֹט – Lōṭ) |
| Anos de Vida | Não especificado na Bíblia |
| Época de Vida | Pós-Dilúvio (período patriarcal inicial; fase das migrações e formação das cidades-estado) |
| Local de Criação | Ur dos Caldeus (Mesopotâmia) |
| Local de Morte | Não especificado nas Escrituras |
| Onde está seu túmulo | Não há registros |
| Esposa (s) | Esposa não nomeada (morreu ao olhar para trás durante a destruição de Sodoma – (Gênesis 19:26) |
| Filhos | 2 filhas mencionados + 2 filhos (por relação incestuosa) Moabe e Ben-Ami |
| Nome dos Filhos | Filhas não nomeadas (mães de Moabe e Ben-Ami – (Gênesis 19:30-38) e Moabe e Ben-Ami |
| Pai | Harã |
| Mãe | não é mencionada |
| Ascendência | Sem > Arfaxade > Selá > Éber > Pelegue > Reú > Serugue > Naor >Terá > Harã |
| Descendentes principais | Moabe (pai dos moabitas); Ben-Ami (pai dos amonitas) |
| Profissão | não é mencionada |
| Eventos importantes | Acompanhou Abraão desde Harã; separação por causa dos rebanhos; escolha da planície do Jordão; habitação em Sodoma; livramento pela intervenção de anjos; destruição de Sodoma e Gomorra; origem dos moabitas e amonitas (Gênesis 12–19) |
Referências Bíblicas:
- GEN 11:27 – Fala das gerações de Terá, que gerou Abraão, Naor e Harã; e Harã foi pai de Ló.
- GEN 11:31 – Relato de Terá quando saiu de Ur dos Caldeus, pegou Abrão,
Sarai e Ló em destino à Canaã mas parou na cidade de Harã e habitou ali. - GEN 12:4-5 – Ló decide sair de Harã juntamente com a Abrão para a terra de Canaã.
- GEN 13:1 – Registro da direção que Abrão teve após ser expulso do Egito, subiu em direção ao Sul juntamente com sua mulher, sobrinho Ló e com tudo o que tinha.
- GEN 13:5 – Ló tinha rebanhos, gado e tendas.
- GEN 13:6-7 – A prosperidade em gado e rebanhos para Abrão e Ló tinha crescido tanto que, ficou insustentável eles continuarem a viverem juntos e os pastores de Abrão e Ló começaram a brigar.
- GEN 13:8-9 – A fim de evitar mais contendas, pois Abrão considerava Ló como irmão, ele propõe a Ló de se separarem e o permite ficar a vontade para escolher o lado que ele queria ir.
- GEN 13:10-12 – Ló olha para o lado direito, o lado mais bonito e escolhe ir para a região da campina de Jordão e arma suas tendas até chegar em Sodoma, e passa a habitar ali.
- GEN 13:14 – Deus fala novamente com Abrão após a partida de Ló.
- GEN 14:12 – Ló, sua família e seus bens, são levados cativos na primeira guerra, liderada por Quedolaomer, registrada na Bíblia.
- GEN 14:16 – Ló, sua família e seus bens, foram resgatados por Abrão.
- GEN 19:1-3 – Dois anjos, em forma de homem, chegam na cidade de Sodoma e Ló estava a porta e foi ao encontro deles e os convidou, insistentemente, para que eles repousassem em sua casa.
- GEN 19:4-8 – Os homens, moradores de Sodoma, cercaram a casa de Ló para tirar para fora os visitantes que repousavam, que eram anjos, mas ninguém sabia ainda, para fazer maldade com eles. Ló implora para que eles não façam mal aos visitantes e oferece as suas duas filhas virgens no lugar para que aqueles homens fizessem o que desejar com elas.
- GEN 19:10-11 – Os anjos puxam Ló para dentro da casa para que ele não sofresse nenhum dano pelos homens maus de Sodoma e fere-os com cegueira.
- GEN 19:10-12-13 – Os anjos perguntam a Ló quem mais moraria na casa com eles e instrui-o a tirar todos os seus familiares da cidade urgentemente pois eles iriam destruir aquele lugar a mando do Senhor.
- GEN 19:14 – Ló avisa ao seus genros o que havia de acontecer e pede para que eles saíssem mas eles não acreditaram em que Ló estava dizendo e acharam que Ló estava brincando, e permanecem no mesmo lugar.
- GEN 19:15 – Quando amanheceu, os anjos acordam Ló e o apressa para que ele pegue a mulher e as filhas para sair daquele lugar o mais rápido possível, mas Ló estava lento, então aqueles homens pegam Ló e as mulheres pela mão e tiram eles de lá, colocando-os para fora da cidade.
- GEN 19:17:22 – Os anjos orienta a Ló para escapar com a sua família para o monte, mas Ló teme em morrer e pede autorização para eles para ir para uma pequena cidade em que ele estava avistando, chamada de Zoar, e eles o permitem.
- GEN 19:26 – Ao escaparem, no caminho, a mulher de Ló olhou para trás e se transformou em uma estátua de sal.
- GEN 19:29 – O texto diz que o Senhor se lembrou de Ló por causa de Abraão.
- GEN 19:30 – Ló não permaneceu em Zoar, foi para os montes morar em uma caverna com as suas duas filhas.
- GEN 19:31-35 – As duas filhas de Ló embebedaram o próprio pai para se deitarem com ele e engravidarem, acreditando que assim preservariam a descendência da família.
- GEN 19:36 – As duas filhas de Ló engravidam dele.
- GEN 19:37 – A filha mais velha de Ló deu à luz a um menino, e o chamou de Moabe, que se tornou o pai dos moabitas.
- GEN 19:38 – A filha mais nova de Ló deu à luz a um menino, e o chamou de Ben-nami, que se tornou o pai dos amonitas.