Último cântico de Moisés
Este capítulo traz a letra do último cântico de Moisés, antes de sua morte e reflete sobre a história de Israel advertindo-os contra a desobediência e exaltando a Deus.
O último cântico de Moisés resume a relação entre Deus e o povo de Israel, incluindo os atos de bondade de Deus e a infidelidade do povo.
Moisés sabe que, após sua morte, o povo se desviará de Deus e seguirá outros deuses, o que trará julgamento e derrota.
No entanto, mesmo em meio ao julgamento, Moisés destaca a incomparável grandeza de Deus. Ele é a única fonte de segurança e salvação, enquanto os ídolos são impotentes.
1- Inclinai os ouvidos, ó céus, e falarei; e ouça a terra as palavras da minha boca.
Esse primeiro versículo é a introdução do cântico. Moisés convoca os céus e a terra como suas testemunhas da mensagem que ele está prestes a pronunciar.
2- Goteje1 a minha doutrina como a chuva, destile2 a minha palavra como o orvalho3, como chuvisco sobre a erva e como gotas de água sobre a relva.
Quando Moisés, no seu cântico, diz:
– “Goteje a minha doutrina como a chuva, destile a aminha palavra como orvalho“
ele está comparando a doutrina que é a sua instrução como à chuva e ao orvalho que são elementos essenciais para a vida e o crescimento. Assim como a água nutre a terra, a palavra de Deus, transmitida por Moisés, tem o poder de nutrir espiritualmente o povo, promovendo o crescimento e a fertilidade espiritual.
– “Como chuvisco sobre a relva e como gotas de água sobre a erva”
Moisés também compara o chuvisco e as gotas d´aguas a doutrina ele quer dizer que assim como as plantas, a natureza, dependem da água para crescer, o povo de Deus dependem das instruções para crescer e florescer espiritualmente.

O versículo 2 destaca a importância e a eficácia da palavra de Deus. Moisés destaca que assim como o orvalho e a chuva são benéficas e indispensáveis para a natureza, a palavra de Deus é benéfica e indispensável para o crescimento espiritual do seu povo.
Creio que Moisés faz analogias da palavra de Deus com elementos da natureza para enfatizar o poder de dar o crescimento e dar a vida para aqueles que seguem.
3- Porque apregoarei o nome do Senhor; engradecei a nosso Deus.
Quando Moisés diz:
– “apregoarei o nome do Senhor”: ele quer dizer que proclamará o nome de Deus, proclamar o nome Dele é declarar o caráter Dele, declarar quem Ele é.
– “engradecei a nosso Deus”: Moisés convida, no cântico, ao povo exaltar a Deus, um convite à adoração. Para que o povo reconheça quem é Deus e para glorificarem a grandeza Dele.
4- Ele é a Rocha, cuja obra é perfeita, porque todos os seus caminhos justos são; Deus é a verdade, e não há nele injustiça; justo e reto é.
– “Ele é a Rocha, cuja obra é perfeita, porque todos os seus caminhos justo são”: a Rocha representa força, segurança, assim como uma rocha compõe uma estrutura sólida na Terra, Deus é a nossa Rocha, ou seja, Ele é a estrutura sólida para nós.
De forma antecipada ao nascimento de Cristo, é uma forma de dizer que Deus e Jesus é um só. Moisés diz que Deus é a Rocha, e no Novo Testamento a Rocha é uma figura aplicada a Cristo (1Coríntios 10:4).
Quando ele diz que a sua obra é perfeita porque todos os seus caminhos são justos ele está dizendo que tudo o que Deus faz é perfeito sem defeitos, irrepreensível; e os caminhos de Deus são guiados por justiça.
– “Deus é a verdade, e não há Nele injustiça; justo e reto é”: Moisés refere-se aos atributos de Deus dizendo que Ele é a verdade, Ele é verdadeiro, Ele é justo e faz justiça, Ele é reto, moralmente perfeito e incorruptível.
5- Corromperam-se contra ele; não são seus filhos, mas a sua mancha; geração perversa e distorcida é.
O cântico é uma advertência sobre algo que os filhos de Israel cometeriam no futuro. Moisés o apresenta como se já tivesse ocorrido, antecipando os acontecimentos. Quando os eventos previstos no cântico se realizarem, incluindo o rompimento da aliança por parte do povo, eles o cantarão como uma recordação do passado, por isso Moisés diz: “Corromperam-se”, mas ainda naquele momento eles irão se corromper, é uma fala profética do que estaria para acontecer.
Moisés fala que o povo irá se corromper contra Deus, e Deus não os verá mais como se fosse seus filhos mas como um mancha que manchou a relação entre Deus e eles. A mancha simboliza a corrupção, ao pecado e à idolatria que o povo irá cometer quanto estiverem na Terra Prometida servindo a outros deuses.
Os filhos de Israel são descritos por Moisés como uma geração moralmente perversa, ou seja, voltada para o mal e torta, que se desvia do caminho correto e reto, mostrando que eles irão se afastar dos caminhos e dos ensinamentos de Deus.
6- Recompensais assim ao Senhor, povo louco e ignorante? Não é Ele o teu pai que te adquiriu, te fez e te estabeleceu?
Nesta parte do cântico, Moisés expressa sua indignação diante da ingratidão de Israel em relação a Deus, que é o Pai deles, o cuidador, o formador e o Redentor que os libertou da escravidão. A pergunta feita por Moisés é retórica, ou seja, ele não espera uma resposta literal, mas a utiliza para fazer o povo refletir sobre a gravidade e a inadequação de sua atitude. Ao chamar Israel de “louco” e “ignorante”, Moisés os alerta para o erro que cometerão ao se desviarem dos caminhos do Senhor. Ele questiona se essa é a resposta que Deus merece, depois de tudo o que Ele fez por Israel.
7- Lembra-te dos dias da antiguidade, atenta para os anos de muitas gerações: pergunta a teu pai, e ele te informará; aos teus anciãos, e eles te dirão.
Este trecho, Moisés pede ao povo de Israel para refletir sobre a sua própria história, principalmente nos momentos em que Deus agiu poderosamente a favor de Israel. Esses dias de antiguidade, ele se refere ao tempo em que o povo era escravo no Egito e que Deus os resgatou, o pacto que Ele fez no monte Sinai e as promessas feitas por Deus aos seus pais Abraão, Isaque e Jacó.
O pedido é para refletir tudo o que Deus fez ao longo dos anos de muitas gerações. Ele pede aos filhos de Israel, dessa nova geração, para perguntarem aos mais velhos, pois eles poderiam dizer tudo o que Deus fez e tudo o que aconteceu com mais propriedade, pois eles eram provas vivas que presenciaram todos os acontecimentos.
8- Quando o altíssimo distribuía as heranças às nações, quando dividia os filhos de Adão uns dos outros, estabeleceu os termos dos povos, conforme o número dos filhos de Israel.
Moisés descreve à soberania de Deus em relação a organização e governo das nações. Ele, o altíssimo, estabeleceu a ordem do mundo alocando os povos em seus territórios e estabelecendo os seus limites de área.
Deus, como criador e governante, determinou o lugar e a posição de cada nação no mundo. É provável que estamos falando do período pós dilúvio, quando as nações foram formadas a partir dos descendentes de Noé.
Deus dividiu a humanidade em diferentes grupos, as pessoas foram espalhas e as suas línguas confundidas e misturadas (Gênesis 11:1-9).

Deus fixou os termos territoriais dos povos já pensando no favorecimento para o cumprimento de suas promessas para os filhos de Israel.
Podemos aprender, no trecho deste cântico que, nada acontece por acaso, tudo está dentro do plano soberano de Deus, ele guia as nações e eu creio que também guia a cada indivíduo.
9- Porque a porção do Senhor é o seu povo; Jacó é a parte da sua herança.
–“Porque a porção do Senhor é o seu povo”: quando falamos em porção, entendemos que está sugerindo algo de grande valor que pertence à alguém. Deus, considera Israel como a Sua herança, algo que é considerado muito precioso para Ele. Não é qualquer povo ou qualquer nação, é o povo que Ele escolheu para Ele.
–“Jacó é a parte da sua herança”: Jacó é o patriarca que deu origem às doze tribos. Um povo separado para Deus
10- Achou-o numa terra deserta, e num ermo4 solitário cheio de uivos5; cercou-o, instruiu-o, e guardou-o como a menina do seu olho.
A menção no cântico: “achou-o numa terra deserta” Moisés está se referindo a maneira em que Deus encontrou o povo Dele, numa situação ruim e desamparo no deserto.
– “no ermo solitário e cheiro de uivos” : ele está descrevendo como era o deserto em que Deus os encontrou, um lugar perigoso com sons de animais selvagens, referindo-se que o povo estava no deserto e em perigo.
– “cercou-o e instruiu-o”: se refere ao cuidado que Deus teve, cercando e ensinando o povo quando estavam no caminho difícil no deserto.
– “guardou-o como a menina do seu olho”: A expressão “menina dos olhos” está indicando algo muitíssimo precioso e delicado que é necessário cuidar com muito zelo, e assim Deus fez com Israel, cuidou deles com muito carinho, como algo de muito valor.
Deus não abandonou o seu povo quando eles estavam em grandes dificuldades no deserto. Ele foi um guardião amoroso com Israel e os cercou com todo o cuidado e ensinamentos.
11- Como a águia desperta a sua ninhada, move-se sobre os seus filhos, estende as suas asas, toma-os, e os leva sobre as suas asas.
Moisés utiliza a poderosa imagem de uma águia cuidando de seus filhotes como uma analogia cheia de significado. Assim como a águia protege sua ninhada, cobrindo-os debaixo de suas asas e carregando-os sobre elas com segurança, Deus também cuidava do Seu povo de forma semelhante.
Essa comparação ressalta o cuidado amoroso e a proteção divina, transmitindo uma mensagem de segurança e confiança.

A expressão “como a águia desperta a sua ninhada” faz referência ao momento em que a águia provoca os seus filhotes no ninho, encorajando-os a começar a voar. Da mesma forma, Deus agiu com Israel, permitindo que enfrentassem desafios e saíssem de sua zona de conforto. Esse processo os ensinava a confiar plenamente e a depender inteiramente Dele, fortalecendo sua fé e resiliência.
12- Assim só o Senhor o guiou; e não havia com ele deus estranho.
Foi Deus, e somente Ele, quem conduziu Israel durante todo o tempo no deserto, desde a saída do Egito até a entrada na Terra Prometida. No cântico de Moisés, ele enfatiza que nenhum outro deus estava presente com eles durante essa jornada; foi o próprio Deus quem os guiou e cuidou de cada necessidade.
Esse cântico tinha um propósito especial para o futuro, especialmente nos momentos em que Israel se desviasse, buscando outros deuses e se entregando à idolatria. Ele seria uma lembrança poderosa da fidelidade de Deus e de que apenas Ele era o Senhor em suas vidas. Não havia deuses estranhos entre eles, muito menos cuidando deles. Somente o Deus verdadeiro esteve ao lado de Israel em cada passo do caminho.
13- Ele o fez cavalgar sobre as alturas da terra, e comer os frutos do campo, e o fez chupar mel da rocha e azeite da dura pederneira6.
Ele continua destacando o cuidade de Deus para com Israel e lembrando da capacidade que Deus tem e teve de transformar situações difíceis em abundância para o seu povo.
- “Ele o fez cavalgar sobre as alturas da terra”: Simboliza a elevação de Israel, tanto no sentido de privilégio espiritual quanto de conquista. Deus guiou Israel para uma posição de segurança, exaltação e domínio, especialmente ao entrar na terra prometida, um lugar de bênçãos e fartura.
- “E comer os frutos do campo”: Moisés está falando das riquezas da terra prometida, um lugar fértil onde o povo desfrutaria de colheitas abundantes e alimentos frescos. Esse versículo celebra a vida material provindo de Deus.
- “E o fez chupar mel da rocha”: Essa imagem é uma metáfora para a provisão milagrosa e inesperada. O mel, um símbolo de doçura e riqueza, vindo da rocha (um lugar aparentemente infértil), ressalta o poder de Deus de prover em condições improváveis.
- “E azeite da dura pederneira”: Assim como o mel da rocha, o azeite vindo de uma pedra dura também enfatiza a capacidade de Deus de gerar prosperidade mesmo de fontes improváveis. O azeite simboliza riqueza, bênção e abundância.
14- Manteiga de vacas, e leite de ovelhas, com a gordura dos cordeiros e dos carneiros que pastam em Basã, e dos bodes, com o mais escolhido trigo; e bebeste o sangue das uvas, o vinho puro.
- “Manteiga de vacas e leite de ovelhas”: A manteiga da vaca e o leite das ovelhas representavam as riquezas e os alimentos nutritivos e abundantes disponíveis para o povo de Israel. A manteiga e o leite são produtos ricos e indicam uma dieta de abundância e prazer.
- “Com a gordura dos cordeiros e dos carneiros que pastam em Basã e dos bodes”: A gordura dos cordeiros e dos bodes também são símbolos de abundância e de ofertas ricas. No contexto da época, a gordura dos cordeiros e carneiros que pastavam na terra de Basã eram consideradas uma das partes mais preciosas dos animais, e era usada em sacrifícios e também em festas para celebrar a generosidade de Deus.
- “Com o mais escolhido do trigo”: O trigo era um dos alimentos básicos e mais preciosos na antiguidade. Aqui, “o melhor do trigo” simboliza a provisão abundante e de qualidade que Deus fez ao povo, representando prosperidade e fartura.
- “E bebeste o sangue das uvas, o vinho puro”: O “sangue da uva” é uma referência ao vinho, que era uma bebida celebratória, usada em festas e ocasiões especiais. O “puro” pode indicar um vinho de excelente qualidade, simbolizando alegria, celebração e a abundante benção de Deus.
15- E, engordando-se Jesurum, deu coices (engordaste-te, engrossaste-te, e de gordura te cobriste) e deixou a Deus, que o fez, e desprezou a Rocha da sua salvação.
“Jesurum”: Esse é um nome poético e carinhoso para Israel, usado em algumas passagens bíblicas. Significa “o justo” ou “o reto”. Aqui, provavelmente, é usado de forma irônica, pois o comportamento descrito não é de retidão.
“Engordou, e deu coices”: A expressão simboliza a prosperidade de Israel, que, ao alcançar abundância e conforto, tornou-se orgulhoso e rebelde. O “engordar” não é literal, mas representa uma nação próspera e satisfeita que se esquece de Deus.
“Deixou a Deus, que o fez”: Esse trecho mostra a ingratidão de Israel. Apesar de ser abençoado por Deus, o povo o abandona e volta-se para outros deuses ou se desvia dos Seus caminhos.
“Desprezou a Rocha da sua salvação”: A “Rocha” é uma metáfora para Deus, que é firme, seguro e confiável. Desprezar a Rocha significa rejeitar a segurança e a fidelidade de Deus, buscando apoio em coisas passageiras. Desprezar a Rocha nos dias atuais significa dispensar o sacrifício que Jesus fez para nos salvar, pois Ele é a nossa salvação, Ele é a Rocha.
Esse trecho foi uma forma de Moisés lembrar a Israel de que tudo o que eles tem vem de Deus e que se afastar Dele leve a consequências graves, também serve como um alerta contra a autosuficiência e a ingratidão contra Deus.
O ser humana tem uma tendência de se esquecer de Deus quando está em abundância, tornando-se independente e rebelde, se esquecendo de tudo o que Ele fez por nós.
16- Com deuses estranhos o provocaram a zelos; com abominação o irritaram.
Moisés mostra no cântico que eles provocaram a Deus, de forma abominável quando eles seguiram outros deuses.
Lembrando que, o cântico é uma profecia do que aconteceria no futuro, é um cântico para ser cantado no futuro quando se cumprisse o que está escrito nele, por isso o cântico é no passado.
17- Sacrifícios ofereceram aos demônios, não a Deus; aos deuses que não conheceram, novos deuses que vieram há pouco, aos quais não temeram vossos pais.
Ele destaca, ao escrever este trecho, a infidelidade para com Deus, criticando a idolatria do povo mostrando como eles abandonaram o verdadeiro Deus para adorar falsos deuses.
“Sacrifícios ofereceram a demônios, não a Deus”:
- Essa frase denuncia a idolatria de Israel. Em vez de adorar ao único Deus verdadeiro, eles passaram a oferecer sacrifícios a demônios, que são associados a falsos deuses.
- A palavra traduzida como “demônios” (no hebraico, shedim) refere-se a entidades espirituais que desviam as pessoas de Deus.
“Aos deuses que não conheceram”:
- Isso ressalta que esses falsos deuses não faziam parte da aliança ou da tradição de Israel.
São colocados no meio de Israel por influências estrangeiras, mostrando que o povo se afastou de suas raízes espirituais. - Ao adorar deuses desconhecidos, Israel rejeitou o relacionamento com o Deus que os criou e os libertou.
“Novos deuses que vieram há pouco”:
- Essa expressão aponta para a novidade dessas práticas idólatras. Os deuses estrangeiros eram uma invenção recente em comparação com o Deus eterno de Israel.
“Aos quais não se estremeceram os vossos pais”:
- Os patriarcas como Abraão, Isaque e Jacó, não adoravam esses falsos deuses. Eles temiam e serviam exclusivamente ao Deus verdadeiro.
Este trecho contrasta a fidelidade dos antepassados com a infidelidade da geração atual.
18- Esqueceste-te da Rocha que te gerou; e em esquecimento puseste o Deus que te formou;
Ele destaca a ingratidão do povo por esquecer a origem de suas bênçãos e abandonar Aquele que os criou e sustentou.
“Esqueceste-te da Rocha que te gerou”:
- A palavra “Rocha” é uma metáfora frequente na Bíblia para Deus, e no Novo Testamento para Jesus, representando força, estabilidade e proteção “Ele é a Rocha” (IPe 2:4-5)
- “Gerou” indica que Deus é o Criador e Sustentador de Israel, Ele os criou e os gerou.
Desprezar a Rocha simboliza a rejeição de Deus e de sua aliança.
E em esquecimento puseste o Deus que te formou”:
- Este trecho reforça a ideia de ingratidão. Israel esqueceu que foi Deus quem os trouxe à existência como nação e cuidou deles desde o Êxodo.
- A metáfora do “nascimento (formação)” sugere um vínculo profundo e pessoal entre Deus e seu povo, como o de um pai ou uma mãe com seus filhos.
19- O que vendo o Senhor, os desprezou, por ter sido provocado à ira contra seus filhos e suas filhas;
Neste trecho, Moisés marca um momento em que Deus observa o comportamento rebelde do povo e reage com indignação e desapontamento.
“O que vendo o Senhor”:
- Deus percebe a deslealdade de Israel, que abandonou sua aliança para seguir outros deuses.
“Os desprezou”:
- O verbo “desprezou” aqui indica que Deus rejeitou o comportamento do povo. Não é uma rejeição completa e final, mas uma expressão de indignação e decepção devido à provocação de Israel.
- Essa rejeição reflete o afastamento de Deus quando o povo escolhe abandonar os caminhos que Ele estabeleceu.
“Por ter sido provocado à ira contra seus filhos e suas filhas”:
- A “provocação” refere-se aos atos de idolatria e desobediência. Eles não apenas desonraram a Deus, mas também o provocaram, desafiando abertamente sua santidade e justiça.
- “Filhos e filhas” enfatiza que essa rebeldia permeou todas as gerações do povo de Israel, sugerindo que o problema era generalizado.
Deus é justo e santo, e Ele não pode ignorar o pecado. Quando o povo se afasta Dele, isso provoca uma reação justa de desaprovação.
20- E disse: Esconderei o meu rosto deles, verei qual será o seu fim; porque são geração perversa, filhos em quem não há lealdade.
Essa é a resposta de Deus referente a infidelidade do seu povo.
“E disse: Esconderei o meu rosto deles”:
- Essa expressão significa que Deus retirará sua proteção, bênção e presença, ou seja, ele virará o rosto para não ver o que eles estão passando.
- No contexto da aliança, isso indica um afastamento disciplinar de Deus, permitindo que o povo enfrente as consequências de seus atos sem a intervenção divina.
“Verei qual será o seu fim”:
- Esta frase sugere que Deus, em sua justiça, observará o que acontecerá com o povo como resultado de sua rebeldia. É como se Ele deixasse que eles enfrentassem as consequências naturais de suas escolhas.
- Também pode ser entendido como um desafio irônico, indicando que sem Deus, o destino do povo será desastroso.
“Porque são geração perversa”
- O povo é descrito como moralmente corrompido, afastado dos valores e princípios divinos.
“Filhos em quem não há lealdade”:
- Essa frase enfatiza a falta de lealdade do povo para com Deus, apesar de tudo o que Ele fez por eles.
21- A zelos me provocaram com aquilo que não é de Deus; com as suas vaidades me provocaram à ira; portanto eu os provocarei a zelos7 com o que não é povo; com nação louca os despertarei à ira.
Neste trecho, do último cântico de Moisés, ele profetiza que a desobediência resultaria em humilhação e sofrimento.
“A zelos me provocaram com aquilo que não é Deus”
- Israel abandonou a adoração ao Deus verdadeiro e se voltou para falsos deuses (ídolos).
Esses deuses não tinham vida nem poder, sendo apenas criações humanas. Essa idolatria era vista como uma afronta direta ao Senhor.
“Com as suas vaidades me provocaram à ira”
- Deus descreve os ídolos como “inúteis” porque não tinham qualquer capacidade de proteger, salvar ou guiar o povo. A adoração a eles era irracional diante de tudo o que Deus já havia feito por Israel, deixando-o irado pela atitude da idolatria.
“Portanto eu os provocarei a zelos com o que não é povo”
- Como consequência da idolatria, Deus permitiria que Israel fosse humilhado por nações estrangeiras. Essas nações eram consideradas “não povo” por não fazerem parte da aliança com Deus.
“Com nação louca os despertarei à ira”
- Deus usaria povos pagãos, considerados ignorantes e sem a verdadeira sabedoria divina, para disciplinar Israel. Isso seria um castigo pedagógico, mostrando ao povo que sua infidelidade traria consequências.
22- Porque um fogo se acendeu na minha ira, e arderá até ao mais profundo do inferno, e consumirá a terra com a sua colheita, e abrasará os fundamentos dos montes.
“Porque um fogo se acendeu na minha ira”
- O “fogo” simboliza a ira justa de Deus diante do pecado e da infidelidade de Israel.
Esse fogo representa o julgamento divino que seria desencadeado por causa da rebeldia do povo.
“Arderá até o mais profundo do inferno”
- O termo traduzido como “inferno” no hebraico é Sheol, que se refere ao mundo dos mortos ou o lugar mais profundo. Isso indica que a ira de Deus seria intensa e abrangente, afetando até os lugares mais ocultos e profundos.

“E consumirá a terra com a sua colheita”
- O julgamento divino incluiria destruição material, afetando a terra e suas colheitas, que eram essenciais para a sobrevivência do povo.
“E abrasará os fundamentos dos montes”
- A expressão simboliza uma destruição tão severa que abalaria até os elementos mais sólidos e duradouros da criação, como os montes, que normalmente são considerados imutáveis
23- Males amontoarei sobre eles; as minhas setas esgotarei contra eles.
“Males amontoarei eles”
- Neste trecho do cântico, Moisés profetiza que a declaração de Deus dizendo que enviará uma série de calamidades sobre o povo de Israel como consequência de sua rebeldia e idolatria.
Esse “amontoar de males” sugere não apenas um único castigo, mas uma sequência de adversidades, cada uma acumulando sobre a outra.
“As minhas setas esgotarei contra eles”
- Setas é o mesmo que flechas, instrumento de guerra. A expressão “minhas flechas ou minhas setas” simboliza os instrumentos do julgamento divino — guerras, pestes, fome e desastres naturais.
A ideia de “esgotar as setas” reforça a severidade do castigo, indicando que Deus não poupará esforços em corrigir o povo.
24- Consumidos serão de fome, comidos pela febre ardente e de peste amarga; e contra eles enviarei dentes de feras, com ardente veneno de serpentes do pó.
Neste trecho do cântico, Moisés reforça a mensagem de advertência. Deus avisando que, devido à infidelidade e idolatria do povo, uma série de calamidades — fome, doenças, ataques de animais e outros perigos — seria enviada como forma de disciplina.
“Consumidos serão de fome”
- A fome é mencionada como um dos castigos que Deus enviaria ao povo por sua rebeldia. Trata-se de uma situação extrema em que a terra não produziria alimentos, resultando em grande sofrimento.
“Comidos pela febre ardente e de peste amarga“
- As doenças e epidemias são apresentadas como outra forma de julgamento divino. Febres e pragas devastariam a saúde do povo.

“E contra eles enviarei dentes de feras”
- Feras selvagens são descritas como instrumentos do castigo divino. Ou seja, os dentes dessas feras que são animais extremamente perigosos atacariam e causariam destruição.
“Com ardente veneno de serpentes do pó“
- As serpentes venenosas são mencionadas como outro símbolo de perigo e punição.
Elas representariam uma ameaça letal à segurança do povo.
25- Por fora devastará a espada, e por dentro o pavor; ao jovem, juntamente com a virgem, assim à criança de peito como ao homem encanecido8.
Aqui, Moisés descreve uma situação de calamidade total, tanto externa (guerra) quanto interna (medo e insegurança).
“Por fora devastará a espada“
- Essa parte refere-se aos perigos externos, especialmente guerras e ataques inimigos.
A “espada” simboliza violência e destruição, com pais perdendo seus filhos nas batalhas.
“E por dentro o pavor”
- Mesmo dentro de casa, onde normalmente se espera segurança, haveria medo e insegurança.
O terror tomaria conta da vida cotidiana.
“Ao jovem, juntamente com a virgem, assim à criança de peito como ao homem encanecido“
- O julgamento divino não faria distinção de idade ou gênero. Tanto jovens como donzelas e todas as faixas etárias seriam afetadas.
Desde os bebês que ainda mamam até os idosos com cabelos brancos, ninguém escaparia das consequências do afastamento de Deus.
26- Eu disse: Por todos os cantos os espalharei; farei cessar a sua memória dentre os homens,
“Eu disse: Por todos os cantos os espalharei”
- Esse “Eu disse” é Deus declarando que, devido à desobediência de Israel, Ele poderia espalhar o povo entre as nações. Isso se refere ao exílio e à dispersão, que mais tarde se tornaram realidade na história de Israel.
“farei cessar a sua memória dentre os homens,“
- Aqui Deus expressa a possibilidade de apagar completamente o nome e a memória de Israel entre as nações, removendo seu status especial como povo escolhido.
27- Se eu não receasse a ira do inimigo, para que os seus adversários não se iludam, e para que não digam: A nossa mão está exaltada; o Senhor não fez tudo isto.
“Se eu não receasse a ira do inimigo, para que os seus adversários não se iludam“
- Deus declara que, embora Israel merecesse destruição total por sua rebeldia, Ele não permitiria isso para evitar que os inimigos interpretassem a situação de forma errada.
- Deus não queria que as nações pagãs pensassem que foram mais fortes que Israel ou que sua vitória aconteceu sem a intervenção divina.
“ e para que não digam: A nossa mão está exaltada; o Senhor não fez tudo isto“
- O propósito de Deus era garantir que todos reconhecessem que os julgamentos e eventos envolvendo Israel não eram mera consequência de forças humanas, mas sim uma ação divina.
Deus não permitiria que Seu nome fosse desonrado.
Este trecho do cântico é sobre a preocupação que Deus tem em preservar Sua reputação diante das nações.
Mesmo disciplinando a Israel, Ele queria que Sua soberania e poder fossem reconhecidos.
Deus agiria de forma que Sua glória e fidelidade fossem evidentes para todos.
28- Porque são gente falta de conselhos, e neles não há entendimento.
No trecho, Moisés observa as outras nações, que são comparadas com o povo de Israel, e destaca que essas nações não têm sabedoria nem orientação divina, ao contrário de Israel, que tem um relacionamento especial com Deus.
No contexto geral do capítulo, Moisés está destacando a apostasia das nações gentias e o contraste com o povo de Israel, que, mesmo com suas falhas, tem o conhecimento e a orientação de Deus.
Como as nações pagãs, não conhecem Deus, eles jamais reconheceriam que Deus é maior, considerariam que Deus era um deus como os outros, fraco.
O que significa “sem conselho” e “sem entendimento”?
“Sem conselho”: Essa expressão sugere que as nações pagãs não possuem a direção ou o plano divino, ou seja, elas estão vivendo sem a orientação de Deus.
Para Moisés, uma nação que vive sem os princípios e a sabedoria de Deus está como que “sem um guia”, sem um propósito divino.
No Antigo Testamento, o conselho divino é essencial para a prosperidade e proteção de uma nação, pois ele indica que a nação segue os caminhos que Deus delineou.
“Sem entendimento”: O entendimento, no contexto bíblico, está frequentemente relacionado ao conhecimento de Deus, à compreensão de Sua vontade e à aplicação dessa sabedoria na vida cotidiana. As nações gentias, ou seja que não eram os hebreus e que adoravam ídolos e seguiam práticas pagãs, estavam cegas espiritualmente, pois não conheciam o verdadeiro Deus nem Seus mandamentos.
Este “entendimento” é, portanto, a capacidade de discernir a verdade espiritual e moral.
29- Quem dera eles fossem sábios! Que isto entendessem, e atentassem para o seu fim!
“Quem dera eles fossem sábios!”:
- Moisés expressa um lamento profundo pela falta de sabedoria do povo de Israel.
A sabedoria, no contexto bíblico, está intimamente ligada ao temor a Deus e à obediência aos Seus mandamentos - O povo, em sua rebeldia e teimosia, não reconhece as consequências de seus atos nem a bondade e justiça de Deus.
“Que isto entendessem”:
- “Moisés gostaria muito que o povo entendesse o conteúdo no cântico de Moisés, especialmente a fidelidade de Deus, a insensatez da idolatria e o julgamento que virá sobre os desobedientes.
- O povo não compreende que suas escolhas têm consequências eternas e que a desobediência leva à destruição.
“E atentassem para o seu fim!”:
- É um desejo de Moisés para que além do povo entender o conteúdo do cântico, para que também eles pudesse ficar atentos com o que iria acontecer no fim deles, chama a atenção para a importância de considerar as consequências de longo prazo das ações do povo. Ele está alertando sobre o julgamento que virá se continuarem na infidelidade.
- O “futuro” aqui pode ser entendido tanto em termos terrenos (como o exílio e a destruição) quanto espirituais (a separação de Deus).
30- Como poderia ser que um só perseguisse mil, e dois fizessem fugir dez mil, se a sua Rocha os não vendera, e o Senhor os não entregara?
“Como poderia ser que um só perseguisse mil, e dois fizessem fugir dez mil”:
- Como poderia que um número muito pequeno de pessoas fossem contra mil ou dez mil pessoas?Isso seria humanamente impossível, exceto se não fosse com a ajuda de Deus.
“Se a sua Rocha os não vendera, e o Senhor os não entregara?“:
- A “Rocha” é um termo frequentemente usado no Antigo Testamento para se referir a Deus, simbolizando Sua força, estabilidade e proteção (Deuteronômio 32:4, 18).
- No entanto, aqui Moisés está falando de uma situação em que Deus, a Rocha de Israel, “vende” ou “entrega” o povo aos inimigos. Isso acontece como consequência da infidelidade e da desobediência de Israel.
- Quando o povo se afasta de Deus, Ele permite que sejam derrotados e subjugados por seus inimigos, como uma forma de disciplina e correção.
31- Porque a sua rocha não é como a nossa Rocha, sendo até os nossos inimigos juízes disto.
“Porque a sua rocha não é como a nossa Rocha”:
- Aqui, Moisés mostra a diferença da “rocha” dos inimigos de Israel (os deuses ou falsas divindades em que eles confiam) com a “Rocha” de Israel, que é o próprio Deus.
- A “rocha” dos inimigos é impotente, falsa e incapaz de salvar ou proteger.
Em contraste, a Rocha de Israel (Deus) é forte, fiel e verdadeira. - Deus é superior e soberano sobre todos os falsos deuses e ídolos.
“Sendo até os nossos inimigos juízes disto”:
- Até mesmo os inimigos de Israel reconhecem a superioridade do Deus de Israel. Eles, que adoram deuses falsos, são forçados a admitir que o Deus de Israel é único e poderoso.
- Isso pode ser visto em várias passagens da Bíblia, como quando os filisteus reconheceram o poder de Deus após a captura da arca da aliança (1 Samuel 5) ou quando os egípcios foram humilhados pelas pragas (Êxodo 7-12).
32- Porque a sua vinha9 é a vinha de Sodoma e dos campos de Gomorra; as suas uvas venenosas, cachos amargos têm.
Moisés está destacando a gravidade do pecado de Israel.
Ele compara o povo às cidades de Sodoma e Gomorra, que foram destruídas por Deus devido à sua maldade. Isso serve como um aviso solene de que o pecado de Israel trará consequências terríveis.
“Porque a sua vinha é a vinha de Sodoma e dos campos de Gomorra”:
- Moisés usa a imagem de uma “vinha” para representar a nação de Israel. No Antigo Testamento, a vinha é frequentemente usada como símbolo do povo de Deus (veja Isaías 5:1-7).
- Aqui, ele compara a vinha de Israel às cidades de Sodoma e Gomorra, que são conhecidas por sua extrema maldade e pecado (Gênesis 18:20–19:29). Essa comparação é chocante e serve para destacar a gravidade da corrupção e do pecado de Israel.

“As suas uvas venenosas, cachos amargos tem”:
- As “uvas” e os “cachos” representam os frutos produzidos por Israel.
Em vez de produzir frutos de justiça e obediência, Israel produziu frutos de pecado e rebelião. - As uvas “venenosas” e “amargas” simbolizam a natureza corrupta e prejudicial do pecado de Israel. Esses frutos não só são inúteis, mas também causam dano e destruição.
33- O seu vinho é ardente veneno de serpentes, e peçonha10 cruel de víboras.
Neste trecho, Moisés continua a usar a metáfora da vinha e do vinho
“O seu vinho é ardente veneno de serpentes”:
- O “vinho” aqui simboliza os frutos ou resultados das ações do povo. Em vez de ser algo bom e nutritivo, o vinho é comparado ao “veneno das serpentes”, algo mortal e destrutivo.
- Isso enfatiza que o pecado de Israel é extremamente perigoso e mortal.
“E peçonha cruel de víboras”:
- A menção ao “veneno das víboras” reforça a ideia de destruição e morte. O veneno de uma víbora é rápido e letal, assim como as consequências do pecado.
- A expressão “cruel veneno” destaca a natureza severa e implacável do julgamento que o pecado traz.

34- Não está isto guardado comigo? Selado nos meus tesouros?
“Não está isto guardado comigo?”:
- A expressão “guardado comigo” indica que Deus está plenamente ciente das ações do povo.
- Isso mostra que o pecado não passa despercebido por Deus. Ele vê tudo e, no momento certo, trará justiça.
“Selado nos meus tesouros?”:
- A imagem de algo “selado nos tesouros” de Deus sugere que o julgamento está reservado e seguro, aguardando o momento apropriado para ser executado.
- O “tesouro” de Deus é um lugar de segurança e importância, indicando que o julgamento não é algo casual, mas algo que Deus leva a sério e que será cumprido no tempo certo.
35- Minha é a vingança e a recompensa, ao tempo que resvalar o seu pé; porque o dia da sua ruína está próximo, e a coisas que lhes hão de suceder, se apressam a chegar.
“Minha é a vingança e a recompensa”:
- Moisés declara que a vingança e a justiça pertencem a Deus. Isso significa que é papel de Deus lidar com o pecado e a injustiça, não dos seres humanos.
- A palavra “vingança” aqui não se refere a um desejo de vingança pessoal, mas à justiça divina. Deus é o único que pode executar a justiça de maneira perfeita e imparcial.
- “Recompensa” pode ser entendido como o resultado justo das ações, seja para o bem ou para o mal.
“Ao tempo em que resvalar o seu pé”:
- A expressão “resvalar o seu pé” sugere um momento de fraqueza, queda ou deslize. Isso pode se referir ao momento em que o povo de Israel, em sua infidelidade, cai no pecado e enfrenta as consequências.
- Deus não age imediatamente, mas espera o momento certo para trazer justiça.
“Porque o dia da sua ruína está próximo”:
- Moisés alerta que o julgamento de Deus está próximo.
A “ruína” refere-se à destruição ou ao castigo que virá sobre o povo como consequência de sua infidelidade. - Isso serve como um aviso solene de que o pecado tem consequências e que o julgamento divino é inevitável.
“E as coisas que lhes hão de suceder se apressam a chegar”:
- O julgamento de Deus não será adiado. Ele está se aproximando rapidamente, e as consequências das ações do povo estão prestes a se cumprir.
36- Porque o Senhor fará justiça ao seu povo, e se compadecerá de seus servos; quando vir que o poder deles se foi, e não há preso nem desamparado.
“Porque o Senhor fará justiça ao seu povo”:
- Moisés declara que Deus julgará Seu povo. Esse julgamento não é apenas sobre os inimigos de Israel, mas também sobre o próprio Israel, que se desviou de Deus.
“E se compadecerá dos seus servos”:
- É uma promessa de Deus que quando Ele julgar o seu povo, da maneira justa, ele irá ter misericórdia. Ele disciplina Seu povo para restaurá-lo.
“Quando vir que o poder deles se foi, e que não preso nem desamparado”:
- Deus agirá quando o povo estiver em um estado de completa fraqueza e desespero, sem recursos ou aliados para ajudá-los.
- A expressão “não preso nem desamparado é o mesmo que “nem escravo, nem livre” indica que todos, independentemente de sua posição social, estarão igualmente desamparados. Isso mostra que a salvação e a restauração vêm somente de Deus, não da força humana.
37- Então dirá: Onde estão os seus deuses? A rocha em que confiavam,
A ironia de Deus:
- Deus pergunta: “Onde estão os seus deuses?”
Isso expõe a impotência dos ídolos que Israel adorou.
Quando o povo enfrentar dificuldades (como invasões, secas ou derrotas), esses deuses não poderão salvá-los. - A expressão “a rocha em quem confiavam” é uma crítica sarcástica.
O povo chamava seus ídolos de “rocha” (um símbolo de segurança e proteção), mas esses deuses eram falsos e incapazes de oferecer qualquer ajuda.
38- De cujos sacrifícios comiam a gordura, e de cujas libações bebiam o vinho? Levantem-se, e vos ajudem, para que haja para vós esconderijo.
A ironia continua:
O absurdo da idolatria: Moisés denuncia a insensatez de confiar em deuses feitos por mãos humanas, que não têm vida nem poder. A ironia do versículo ressalta a inutilidade desses deuses diante das crises reais.
“Deu cujos sacrifícios comiam a gordura”
- Refere-se aos deuses pagãos a quem os israelitas ofereciam sacrifícios com gordura de animais, algo que deveria ser reservado ao verdadeiro Deus (Levítico 3:16). Esses sacrifícios eram uma tentativa de agradar deuses falsos e obter proteção ou bênçãos.
“De cujas libações bebiam o vinho?”
- Aqui, Moisés está lembrando que Israel dedicava vinho como oferta aos deuses pagãos em vez de ao Senhor.
As libações eram ofertas de vinho derramado em rituais religiosos.
“Levantem-se e vos ajudem”
- Trata-se de uma declaração irônica.
Moisés está desafiando Israel a buscar ajuda nesses deuses falsos quando enfrentarem dificuldades. O sarcasmo destaca a incapacidade dos ídolos de oferecer qualquer tipo de socorro.
“Para que haja para vós esconderijo!”
- O ponto central da crítica é que os ídolos não têm poder algum para proteger ou salvar.
Moisés quer mostrar ao povo que apenas o Deus verdadeiro pode oferecer segurança e libertação.
39- Vede agora que Eu, Eu o Sou, e mais nenhum deus há além de mim; Eu mato, e Eu faço viver; Eu firo, e Eu saro, e ninguém há que escape da minha mão.
“Vede agora que Eu, Eu o Sou, e mais nenhum deus há além de mim;”:
- Deus está dizendo que Ele é o único e não há nenhum outro deus além Dele. Ele é exclusivo, o único Deus verdadeiro, os deuses falsos não são de nada.
“Eu mato, e Eu faço viver”:
- Deus tem o controle sobre a vida e a morte, se assim Ele quiser ele pode matar alguém e também ressuscitar, pode ser no modo literal ou figurado.
“Eu firo e Eu saro”
- Deus tem o poder de trazer juízo (ferir) e também de restaurar e curar. Isso mostra que Seu julgamento não é final; Ele sempre deixa espaço para o arrependimento e a restauração.
- Essa frase reflete o equilíbrio entre a justiça e a misericórdia de Deus.
“E ninguém há que escape da minha mão”:
- Deus é soberano, e ninguém pode escapar de Sua autoridade ou controle. Isso traz tanto um aviso quanto um consolo: aviso para os rebeldes e consolo para os fiéis, que estão sob Sua proteção.
40- Porque levantarei a minha mão aos céus, e direi: Eu vivo para sempre.
Porque levantarei a minha mão aos céus”
- Antigamente, levantar a mão aos céus é um gesto simbólico usado para representar um juramento solene. Deus, ao fazer isso, está garantindo com Sua própria autoridade que o que Ele declara é imutável e verdadeiro.
“E direi: Eu vivo para sempre”
- Declaração de Deus sobre a Sua própria eternidade. Diferente dos homens, que são limitados pelo tempo, tem começo e fim mas Deus não, Ele é eterno.
41- Se Eu afiar a minha espada reluzente, e se a minha mão travar o juízo, retribuirei a vingança sobre os meus adversários aos que me odeiam.
“Se eu afiar a minha espada reluzente”
- Espada reluzente representa a justiça de Deus, sendo preparada para ser usada
“E se a minha mão travar o juízo,”
- Deus está dizendo do poder que Ele tem para julgar de forma justa
“Retribuirei a vingança sobre os meus adversários aos que me odeiam”
- A vingança que o Senhor retribuirá é a justiça divina daqueles que se rebelam contra Deus.
E os adversários, são os que insistem em desobedecer e se opor a Deus.
42- Embriagarei as minhas setas de sangue, e a minha espada comerá carne; do sangue dos mortos e dos prisioneiros, desde a cabeça, haverá vingança do inimigo.
“Embriagarei as minhas setas de sangue”
- Texto forte neste trecho mas, que representa abundância de justiça da parte de Deus.
“E a minha espada comerá carne;”
- A fala “espada comerá carne” é no sentido figurado, que simboliza o juízo faminto de Deus por justiça, promessa que aplicará a sua justiça sobre os ímpios.
“Do sangue dos mortos e dos prisioneiros,”
- Está falando dos inimigos que perecerão quando Deus fizer justiça, tanto os que morreram em batalhas quanto aos presos, todos estarão sujeitos ao juízo de Deus.
- O sangue é a execução do juízo
“Desde a cabeça, haverá vingança do inimigo.”
- Significa que nem mesmo os mais fortes e valentes escaparão das mãos de Deus.
43- Jubilai, ó nações, o seu povo, porque Ele vingará o sangue dos seus servos, e sobre os seus adversários retribuirá a vingança, e terá misericórdia da sua terra e do seu povo.
“Jubilai, ó nações, o seu povo”
- Deus brada também as demais nações, para que se alegrem com o povo de Deus. Pois a justiça divina é para todo aquele que crer nele.
“Porque Ele vingará o sangue dos seus servos”
- Promessa de Deus de vingar o sangue dos justos, dos que foram fiéis a Ele e sofreram injustamente. Essa vingança de Deus não é uma vingança humana mas um restabelecimento de justiça.
“E sobre os seus adversários retribuirá a vingança”
- Deus fará justiça contra aqueles que eram inimigos do povo de Deus e das nações que decidirem servir ao Senhor.
Deus é imparcial, Ele faz justiça tanto para o seu povo como aos estrangeiros.
“E terá misericórdia da sua terra e do seu povo.”
- Lembrando que o cântico é uma profecia para o futuro, e quando isso acontecer, a terra terá sido contaminada pela violência, idolatria e injustiça. Então Deus promete usar de misericórdia a favor dela e dos seus habitantes.
44- E veio Moisés, e falou todas as palavras deste cântico aos ouvidos do povo, ele e Josué, filho de Num.
Moisés então conclui a recitação do cântico para o povo de Israel. Todas as palavras do cântico foram faladas abertamente para que ninguém pudesse dizer lá no futuro que não foram advertidos por Deus previamente sobre os atos que o povo iria cometer contra Deus e as suas consequências.
A ideia era que o povo não apenas ouvissem o cântico, mas que além de internalizar tudo o que continha nele, que pudessem transmitir para às gerações futuras.
45- E, acabando Moisés de falar todas estas palavras a todo o Israel,
46- Disse-lhes: Aplicai o vosso coração a todas as palavras que hoje testifico entre vós, para que as recomendeis a vossos filhos, para que tenham cuidado de cumprir todas as palavras desta lei.
A ideia era que o povo não apenas ouvissem o cântico, mas que além de internalizar tudo o que continha nele, que pudessem transmitir para às gerações futuras. Por isso, quando ele termina de recitar o cântico ele diz ao povo para aplicarem o coração nesse propósito de cumprirem todas as palavras da lei e que transmitissem tudo o que foi falado aos próximos que nasceriam e cresceriam na Terra Prometida.
47- Porque esta palavra não vos é vã, antes é a vossa vida; e por esta mesma palavra prolongareis os dias na terra a qual, passando o Jordão, ides a possuir.
Quando Moisés diz “esta palavra não vos é vã”, ele quer dizer que o cântico não é apenas uma música sem sentido, mas que tem um propósito claro. O objetivo do cântico era trazer vida ao povo, pois ele servia como um alerta. Moisés estava dizendo que ainda havia tempo para que eles mudassem suas atitudes e evitassem o mal. Ao seguir essa advertência, eles poderiam prolongar suas vidas na terra de Canaã, a terra prometida, para a qual estavam prestes a atravessar além do Jordão.
48- Depois falou o Senhor a Moisés, naquele mesmo dia, dizendo:
49- Sobe ao monte de Abarim, ao monte Nebo, que está na terra de Moabe, defronte de Jericó, e vê a terra de Canaã, que darei aos filhos de Israel por possessão.
No mesmo dia em que Moisés apresentou o seu último cântico ao povo, Deus ordena-o a subir o monte de Abarim, especificamente ao monte Nebo, para que le pudesse contemplar a terra que Deus tinha preparado para dar como herança ao seu povo antes de morrer, pois mesmo ele tendo liderado o povo ao caminho da benção, Moisés não iria entrar na Terra Prometida.

50- E morre no monte ao qual subirás; e recolhe-te ao teu povo, como Arão teu irmão morreu no monte Mor, e se recolheu ao seu povo.
Neste versículo, Deus dá instruções a Moisés sobre a sua morte.
No monte Abarim, especificamente no monte Nebo, onde ele havia subido para contemplar a Terra Prometida, Deus diz que ali ele seria recolhido ao seu povo, ou seja, ele morreria e seria reunido com os seus entes queridos, como foi com o irmão dele Arão no monte Mor e foi sepultado ali.
51- Porquanto transgredistes contra mim no meio dos filhos de Israel, às águas de Meribá de Cades, no deserto de Zim; pois não me santificastes no meio dos filhos de Israel.
É neste versículo que Deus explica o motivo pelo qual Moisés não entraria na Terra Prometida.
Deus lembra a Moisés o episódio que ocorreu em Meribá, quando em um momento de grande frustação com o povo, Moisés feriu a rocha para que saísse água.
Deus pediu a Moisés para falar com a rocha para que ela desse água, para dar de beber ao povo e aos animais mas, ao invés dele falar com “jeitinho” para que a rocha desse água, ele feriu a rocha por duas vezes com o seu cajado, sendo que Deus pediu para ele falar com a rocha e não para ferí-la.
Perante Deus, esse erro de Moisés foi considerado gravíssimo, pois ele não agiu conforme Deus pediu. Pensando em simbologia, a Rocha representa o próprio Deus, representa Jesus, então é como se ele tivesse feito isso contra o próprio Deus.
Ele deveria ter santificado aquele momento, mas ao invés disso ele foi rude e isso Deus considerou como inaceitável.
52- Pelo que verás a terra diante de ti, porém não entrarás nela, na terra que darei aos filhos de Israel.
Então Deus diz a Moisés que ele apenas verá a Terra Prometida e não pisarás nela.
Dicionário:
- Goteje = ação de gotejar = deixar cair, ou cair, em gotas; pingar. ↩︎
- Destile = vem do verbo destilar = realizar a destilação ou provocar a separação de (líquidos) por evaporação e condensação de vapores; estilar, deixar sair ou sair em gotas; gotejar, estilar. ↩︎
- Orvalho = são gotas bem pequenas que, por condensação do vapor de água ambiente, se depositam à superfície dos objetos e da vegetação, normalmente acontece à noite ou de madrugada; Chuva fina, rala e passageira; chuvisco. Porção de gotas miúdas de qualquer líquido; borrifo ↩︎
- Ermo = referente a um lugar deserto, despovoado, solitário. 2 Que está abandonado, desacompanhado. ↩︎
- Uivos = Designação específica da voz triste e aguda do cão e do lobo; Grito alto e prolongado de dor ou tristeza; Qualquer som agudo, plangente e prolongado. ↩︎
- Pederneira = Sílex pirômaco capaz de produzir fagulhas quando em atrito com peças ou fragmentos de metal, especialmente de ferro; pedernal, pedra de fogo, sílex. E o sílex é um tipo de rocha sílica sob a forma de quartzo ou calcedônia ↩︎
- Zelos = Que se empenha na realização de algo; aguçado, diligente. ↩︎
- Encanecido = Que ficou grisalho; ruçado; que ficou debilitado ↩︎
- Vinha = Plantação ou agrupamento de videiras em determinada área; vinhádego, vinhaga, vinhago. ↩︎
- Peçonha = Secreção venenosa de alguns animais; veneno. ↩︎