Sobre os edomitas, moabitas e amonitas
1- Depois viramo-nos, e caminhamos ao deserto1, caminho do Mar Vermelho, como o Senhor me tinha me dito, e muitos dias rodeamos o monte Seir.
2- Então o Senhor me falou dizendo:
3- Tendes rodeado bastante esta montanha; virai-vos para o norte
Após a derrota de Israel quando insistiu em subir a montanha de Seir e pelejar contra os amorreus mesmo Deus falando que não era para subir pois Deus não estaria com eles por causa das murmurações (veja cap. anterior) , Moisés relata que eles saíram dos arredores do monte Seir pois Deus disse que eles estavam por muito tempo ali e deu ordem para que o povo fosse em direção ao norte.
4- E dá ordem ao povo, dizendo: Passareis pelos termos 2de vossos irmãos, os filhos de Esaú, que habitam em Seir; e eles terão medo de vós; porém guardai-vos bem.
5- Não vos envolvais com eles, porque não vos darei da sua terra nem ainda a pisada da planta de um pé3; porquanto a Esaú tenho dado o monte Seir por herança.
Deus diz a Moisés que quando eles tivessem em rumo ao norte, eles passariam pelo território, pelas terras dos descendentes de Esaú, os edomitas. Deus adianta a informação que os edomitas teriam medo deles mas que mesmo eles tendo medo dos israelitas não era para Israel mexer com eles porque aquela terra de Seir não seria dada ao povo pois o Senhor já tinha dado Seir para Esaú e seus descendentes como herança.

6- Comprareis deles, por dinheiro, comida para comerdes; e também água para beber deles comprareis por dinheiro
7- Pois o Senhor teu Deus te abençoou em toda a obra das tuas mãos; ele sabe que andas por este grande deserto; este quarenta anos o Senhor teu Deus esteve contigo, coisa nenhuma te faltou.
Quando o Senhor dá ordem para o povo não mexer com os edomitas em Seir, Ele também avisa para que se eles quisessem comida ou água, não era para pegar nada sem pagar, tudo o que eles consumissem na terra era para que fosse pago a eles.
8- Passando, pois, por nossos irmãos, os filhos de Esaú, que habitavam em Seir, desde o caminho da planície4 de Elate e de Eziom-Geber, nos viramos e passamos o caminho do deserto de Moabe.
Moisés relata que primeiro eles passaram por Seir e seus moradores e em seguida, após desviarem o caminho eles passaram pela rota do deserto de Moabe.
9- Então o Senhor me disse: Não molestes aos de Moabe, e não contendas com eles em peleja5, porque não te darei herança da sua terra; porquanto tenho dado a Ar por herança aos filhos de Ló
O Senhor afirma que deu a cidade de Ar para os moabitas e amonitas que são os filhos descendentes de Ló, por isso não era para lutar contra eles.
10- (Os emins dantes habitaram nela; um povo grande e numeroso, e alto como os gigantes.
11- Também estes foram considerados gigantes como os anaquins; e os moabitas os chamavam emins.
Antes dos moabitas, a cidade de Ar era habitada por gigantes iguais aos anaquins, e eles receberam o nome dos moabitas de Emins.
12- Outrora os horeus também habitaram em Seir; porém os filhos de Esaú os lançaram fora, e os destruíram de diante de si, e habitaram no seu lugar, assim como Israel fez à terra da sua herança, que o Senhor lhes tinha dado).
Antes dos edomitas, Seir era habitada por pelos horeus que foram expulsos e destruídos pelos edomitas, que pegaram aquela terra por herança.
13- Levantai-vos agora, e passai o ribeiro de Zerede. Assim passamos o ribeiro de Zerede.
14- E os dias que caminhamos, desde Cades-Barneia até que passamos o ribeiro de Zerede, foram trinta e oito anos, até que toda aquela geração dos homens de guerra se consumiu do meio do arraial6, com o Senhor lhes jurara.
38 ANOS
Esse foi o período, 38 anos que, Moisés juntamente com o povo, levou de caminhada desde quando eles saíram de Cades Barneia até o período em que passaram pelo ribeiro de Zerede.
Nesse período, houve batalhas que o povo de Israel perderam e foram mortos. Por causa da murmuração Deus avisou que eles não entraria na terra prometida e que Deus não iria com eles nas pelejas.
15- Assim também foi contra eles a mão do Senhor, para os destruir do meio do arraial até os haver consumido.
16- E sucedeu que, sendo já consumidos todos os homens de guerra, pela morte, do meio do povo,
17- O Senhor me falou, dizendo:
18- Hoje passarás a Ar, pelos termos de Moabe;
Após a morte dos soldados de Israel, Deus disse a Moisés que naquele dia era para eles passarem pela cidade de Ar.
19- E chegando até defronte dos filhos de Amom, não molestes, e com eles não contendas; porque da terra dos filhos de Amom não te darei por herança, porquanto aos filhos de Ló a tenho dado por herança.
E quando eles chegassem na cidade de Ar e se deparessem com os amonitas, não era para o povo mexer com eles, e mais uma vez é relatado que a terra dos amonitas, descendentes de Ló era deles e não dos israelitas pois o Senhor tinha já tinha dado aquela terra como herança à eles.
20- (Também essa foi considerada terra de gigantes; antes nela habitavam gigantes, e os amonitas os chamavam zamzumins;
21- Um povo grande, e numeroso, e alto, como os gigantes; e o Senhor os destruiu de diante dos amonitas, e estes os lançaram fora, e habitaram no seu lugar;
22- Assim como fez com os filhos de Esaú, que habitavam em Seir, de diante dos quais destruiu os horeus, e eles os lançaram fora, e habitaram no lugar deles até este dia;

Moisés relata a história da cidade de Ar, ele conta que antes dos amonitas morarem ali, aquela terra era habitada por homens muito altos comparados aos gigantes daquela época. Os próprios amonitas quem deram o nome para eles de zamzunins.
Da mesma forma que os descendentes de Esaú, os edomitas fizeram com os horeus, assim foi feito também com os zamzumins que foram destruídos e expulsos pelos amonitas para que eles pudesser morar ali no lugar deles.
23- Também os caftorins, que saíram de Caftor, destruíram os aveus, que habitavam em Cazerim até Gaza, e habitaram no lugar deles).
Moisés também compara que a mesma coisa os caftorins fizeram, saíram de Caftor até Cazerim para tomar aquela terra e a ocuparam e começaram a morara ali em Cazerim até Gaza.
24- Levantai-vos, parti e passai o ribeiro de Arnom; eis aqui na tua mão tenho dados a Siom, amorreu, rei de Hesbom, e a sua terra; começa a possuí-la, e contende com eles em peleja7.
A ordem era para que o povo avançasse passando pelo ribeiro de Arnon em direção a terra do rei Siom, o amorreu, pois essa terra Deus destinou para o seu povo. A ordem era para eles possuírem e lutar por ela.
25- Neste dia começarei a pôr um terror e um medo de ti diante dos povos que estão debaixo de todo o céu; os que ouvirem a tua fama tremerão diante de ti e se angustiarão.

Rei Siom e
os amorreus tiveram
MEDO
dos Israelitas
Deus diz à Moisés que quando eles chegarem na terra do rei Siom, os moradores daquela terra iriam ficar angustiados e com medo dos Israelitas, todos àqueles que ouviriam sobre os israelitas iram temer.
26- Então mandei mensageiros desde o deserto de Quedemote a Siom, rei de Hesbom, com palavras de paz, dizendo:
27- Deixa-me passar pela tua terra; somente pela estrada irei; não me desviarei para a direita nem para esquerda.
28- A comida, para que eu coma, vender-me-ás por dinheiro, e dar-me-ás por dinheiro a água para que eu beba; tão somente deixe-me passar a pé;
29- Como fizeram comigo os filhos de Esaú, que habitam em Seir, e os moabitas que habitam em Ar; até que eu passe o Jordão, à terra que o Senhor nosso Deus nos há de dar.
Moisés relata que, antes deles avançarem à Hesbom, ele mandou mensageiros ao rei Siom da mesma maneira que ele fez com os edomitas e os moabitas, mandou mensageiros na frente para avisar que eles passariam pelas terras do rei Siom e não iria mexer com ninguém e que toda comiga e bebida que eles consumissem seria pago, eles queriam apenas atravessar pelas suas terras para poder chegar até Canaã.
30- Mas Siom, rei de Hesbom, não nos quis deixar passar por sua terra, porquanto o Senhor teu Deus endurecera o seu espírito, e fizera obstinado o seu coração para todar na tua mão, como hoje se vê.
Moisés relata que mesmo mandando mensageiros na frente para conversar com o rei de Hesbom dizendo que queria paz e apenas passar por suas terras, o rei Siom não quis deixar Moisés e o povo passar. O relato é que o próprio Deus endureceu o espírito de Siom para que não permitisse para que assim a terra de Hesbom também pudesse ser dada como herança aos israelitas.
31- E o Senhor me disse: Eis aqui, tenho começado a dar-te Siom, e a sua terra; começa, pois, a possuí-la para que herdes a sua terra.
Foi assim que nasceu a promessa da herança dada por Deus da terra que era do rei Siom.
Deus deu ordem para que, já que não permitiram passar em paz pelas terras e eles precisavam passar por ali para alcançar Canaã a terra prometida, então Hesbom também seria entregue ao povo de Deus.
32- E Siom saiu-nos ao encontro, ele e todo o seu povo, à peleja, em Jaza;
33- E o Senhor nosso Deus no-lo entregou, e o ferimos a ele, e a seus filhos, e a todo o seu povo.
Então o rei Siom, juntamente com todo o seu povo, foi ao encontro dos israelitas para impedir a sua passagem e Israel lutou contra eles e venceu.
34- E naquele tempo tomamos todas as suas cidades, e cada uma destruímos com os seus homens, mulheres e crianças, não deixamos a ninguém.
35- Somente tomamos por presa o gado para nós, e o despojo das cidades que tínhamos tomado.
Após a vitória, os israelitas entraram em todas as cidades de Hesbom e a destruíram e mataram a todos, tanto homens como mulheres e crianças. Deixaram vivos apenas o gado que eles pegaram para eles com o resto do que sobrou.
36- Desde Aroer, que está à margem do ribeiro de Arnon, e a cidade que está junto ao ribeiro7, até Gileade, nenhuma cidade houve que de nós escapasse; tudo isto o Senhor nosso Deus nos entregou.
Aqui ele relata que todas aquelas cidades que estavam beirando o ribeiro de Arnon até chegar nas cidade de Gileade, todas essas cidades Deus entregou na mão deles.
37- Somente à terra dos filhos de Amom não chegastes; nem a toda a margem do ribeiro de Jaboque, nem às cidades da montanha, nem a coisa alguma que nos proibira o Senhor nosso Deus.
Às terras que o Senhor disse aos israelitas para não se aproximar, eles não se aproximaram, que é a terra dos amonitas (descendentes de Ló) nem as cidades da montanha e as da margem do ribeiro de Jaboque pois Deus os proibiram por aquelas terras já serem dadas a outros povos.
Dicionário:
- Deserto = é uma região de lugar seco em que não há humidade que não se produz nada ou quase nada. É coberta por um manto de areia com um índice anual de baixíssima previsão de água, caracterizada pela falta de vegetação, tem dias muito quentes e noites muito frias e ventos muito fortes ↩︎
- Territórios = Antigamente para se referir há uma área que tinha dono se usava a palavra termo para apontar um determinado território ou terras de alguém. ↩︎
- Planta de um pé = desenho ou traçado de uma cidade, edifício, etc… ↩︎
- Planície = Área plana uma grande área geográfica com pouca ou raramente nenhum tipo de variação de altitude, como por exemplo um deserto ou um pântano. São superfícies com formações relativamente novas se comparadas com outras formas de relevo e que apresentaram pequenos movimentos na crosta, sendo quase completamente aplainadas ↩︎
- Peleja = Batalha, luta entre pessoas com ou sem armas; contenda. ↩︎
- Arraial = De acordo com a Bíblia, arraial é um acampamento ou acampamento militar onde as pessoas se reúnem para diversos propósitos, como adoração, celebração, guerra ou local para proteção das pessoas. ↩︎
- Peleja = luta com ou sem armas; contenda, batalha. ↩︎
- Ribeiro = Pequeno curso de água; riacho, regato, arroio. ↩︎
